"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Loucura contagia?

histeria coletiva

Por incrível que pareça a resposta é sim se levarmos em conta o fenômeno psicológico chamado histeria coletiva.

A histeria coletiva é um fenômeno antigo. Também é conhecida como doença psicogênica de massa. Caracteriza-se por um grupo de pessoas apresentarem sintomas, perturbações ou reações semelhantes, de forma solidária a qualquer fato, imaginário ou exagerado. É mais comum apresentar-se em pessoas que dividem o mesmo espaço físico, como empresas ou escolas, mas pode acontecer também em qualquer lugar.

Um dos casos mais conhecido, chamado de “a praga da dança”, foi o ocorrido em Estrasburgo, no ano de 1518 quando centenas de pessoas dançaram até cair de exaustão ou mesmo morrer. Começou quando uma moradora da região começou a dançar na rua, aparentemente sem motivo e sem qualquer música tocando. Em uma semana, 34 pessoas já haviam se juntado à dançarina e em menos de um mês havia mais de 400 pessoas dançando freneticamente nas ruas.

Aqui no Brasil há a história do Cine Oberdan ocorrida em abril de 1938 em São Paulo. Segundo relatos de presentes no local, um pânico tomou conta de uma das salas do cinema por conta de um grito de fogo. Houve mais de 30 mortes e após a investigação ficou constatado que nunca houve o menor sinal de incêndio no local.

Em 2010, uma escola no interior do Ceará teve suas aulas interrompidas após um caso de surto coletivo. Dezenas de alunos entre 12 e 19 anos diziam ver o espírito de um estudante que havia morrido. Os adolescentes entravam em um tipo de transe ao estar dentro da escola. O caso foi estudado por psicólogos, parapsicólogos e até um padre. Após certo tempo, assim como começou o fenômeno desapareceu.

Bem mas o que vem a ser histeria? Segundo Freud, é uma neurose que se apresenta em duas formas:

Na histeria conversiva haveria um conflito inconsciente, uma ansiedade que não consegue emergir para o consciente por mecanismos repressivos da própria mente (Superego) mas que contém uma energia que precisa se manifestar e acaba eclodindo como um sintoma físico que mantém uma relação simbólica com o conflito. Ex. Se eu sinto muita vontade de bater em meu pai, pelo ódio que sinto dele, meu braço vai ficar paralisado (afinal é “errado” odiar o pai).

Na histeria dissociativa, um estímulo é sentido de forma tão intensa que quebra a funcionalidade da própria mente, desequilibrando-a e levando a pessoa a atos dissociados da realidade que a cercam, por maior ou menor tempo. Ex. Gritar loucamente e subir na cadeira ao ver uma barata.

Então, na histeria, há uma tensão e sofrimento não verbalizados e o material recalcado vem disfarçado sob a forma de um sintoma corpóreo.

A sociedade ocidental sempre foi muito reprimida, principalmente na área sexual, portanto em cultos religiosos pessoas rodopiam, gritam, pulam, caem, riem, dançam e falam em línguas estranhas (que eles dizem que é língua dos anjos). Contudo a histeria coletiva também se manifesta em campos de futebol e shows de rock.

A histeria coletiva é uma coisa perigosa, vai desde vandalismo em manifestações públicas até linchamentos.

Precisamos ter consciência que somos seres altamente influenciáveis pelo grupo. Uns mais, outros menos, mas todos o são.

Imagem: megacurioso.com.br

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Está entediado? Descubra agora qual o seu tipo de tédio

tedio

Um mestre já disse que criamos dramas em nossas vidas porque na maior parte do tempo estamos entediados. O drama vem agitar um pouco as coisas e nos fazer sentir vivos.

Nem todo tédio é o mesmo, de acordo com um novo estudo.

“Uma equipe de pesquisadores do Canadá, Estados Unidos e Europa identificaram um tipo de tédio, chamado tédio apático, que envolve sentimentos desagradáveis de desamparo aprendido e que tem semelhanças com a depressão.

O tédio apático agora é o quinto tipo de tédio identificado por pesquisadores, que tinham detalhado outros quatro tipos de tédio em estudos anteriores. Os tipos de tédio são diferenciados tanto por um nível de excitação mental - que vão desde inquieto a calmo - e pela positividade ou negatividade associada a esse tédio.

A descoberta do quinto tipo de tédio é baseado em dados de 63 estudantes universitários e 80 estudantes do ensino médio na Alemanha. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Konstanz e da Universidade Thurgau de Formação de Professores, e foi publicada na revista Motivação e Emoção.

Confira os cinco tipos de tédio abaixo para saber que tipo de "aborrecimento" você está experienciando:

Tédio indiferente: Pessoas com esse tipo de tédio sentem-se aposentadas, indiferentes e relaxadas.

Tédio calibrado: Pessoas com este tipo de tédio se sentem inseguras e são receptivas a distrações.

Tédio investigador: Pessoas com esse tipo de tédio são inquietas e buscam ativamente uma distração ou mudança.

Tédio reagente: Pessoas com esse tipo de tédio estão motivadas a deixar a situação em que estão em uma alternativa específica.

Tédio apático: Pessoas experienciando esse tipo de tédio aprenderam a sentirem-se impotentes, semelhante à depressão.

Recentemente um estudo de Perspectivas em Ciências Psicológicas mostrou que, em geral, o tédio pode ser fixado a três coisas: 1) a incapacidade de se concentrar ou prestar atenção; 2) o conhecimento de que não podemos prestar atenção e 3) culpando a nossa incapacidade de prestar atenção em nossas circunstâncias.

Há bons e maus lados no tédio, de acordo com pesquisas anteriores. Um estudo do International Journal of Epidemiology, por exemplo, mostrou uma associação entre sentir-se entediado e ser mais propenso a morrer cedo de problemas cardíacos (embora os pesquisadores notaram que o tédio provavelmente está relacionado com fatores de risco, como beber ou fumar). Por outro lado, um estudo apresentado em um encontro da Divisão de Psicologia do Trabalho da Sociedade Britânica Psicológica mostrou que o tédio no trabalho pode facilitar a criatividade, provavelmente por causa de todo o tempo extra de sonhar acordado.” http://www.huffingtonpost.com/2013/11/18/boredom-five-kinds-apathetic_n_4297276.html?utm_hp_ref=healthy-living&ir=Healthy+Living

A despeito das conclusões dos pesquisadores sobre alguns benefícios do tédio, vamos combinar que o melhor é não senti-lo. E como conseguir isso?

Resposta óbvia: viver a vida ao invés de somente passar por ela. O ser humano acostumou-se a viver no piloto automático a maior parte do tempo. Repete diariamente, desde o levantar da cama, rotinas insignificantes, faz coisas sem prestar atenção, pensa uma coisa, mas diz outra diferente, corre de um compromisso para outro sem se dar um tempo para pensar em si próprio, cumprimenta o vizinho distraidamente (quando o faz), esquece, ao sair, de dar um beijo no cônjuge ou nos filhos, envolve-se em rituais mecânicos e sem sentido (falar sobre o tempo, fofocar de colegas, etc.), enfim ... passa pela vida.

E, quando a vida está muito chata, arruma um drama para poder, finalmente, sentir alguma coisa.

Precisamos lembrar que somos seres sencientes, o sentir faz parte de nossa natureza e é o sentimento que nos faz desfrutar a vida. Pessoas que têm uma vida rica de sentimentos dificilmente sentirão tédio.

Pensem nisso e não esqueçam também de alimentar seus cérebros com “comidas nutritivas” (cérebro ocupado não dá lugar ao tédio). Troque o Facebook ou o Twitter por um bom livro.

Imagem: noticias.universia. com.br

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Quando a profecia falha, a fé acaba?

raposa e as uvas

Em1956 Leon Festinger, psicólogo social estadunidense, lançou o livro Quando a Profecia Falha onde analisava o aprofundamento da fé dos membros de uma seita após o fracasso da profecia que um pouso UFO era iminente.

Os membros da seita sofreram o que Festinger chamou de dissonância cognitiva, que é definida como um conflito entre duas ideias, crenças ou opiniões incompatíveis ou que se contradizem. Quando isso acontece, porque o conflito é desconfortável, as pessoas procuram encontrar "elementos de consonância", mudando uma das crenças, ou as duas, para torná-las mais compatíveis. Isto faz parte dos paradoxos humanos e explica muitos dos comportamentos diários dos indivíduos.

O desconforto causado pela dissonância cognitiva pode tomar a forma de ansiedade, culpa, vergonha, fúria, embaraço, stress e outros estados emocionais negativos, daí a urgência em superar a dissonância encontrada.

Segundo Festinger, as pessoas procuram eliminar a dissonância através de três maneiras: reduzindo a importância de um dos fatores discordantes, adicionando elementos consoantes ou mudando um dos fatores dissonantes.

A dissonância cognitiva geralmente dá ensejo a manifestarem-se mecanismos de defesa do ego, como a negação (de evidências) e racionalizações (explicações com aparência de verdade).

“A partir dessa teoria podemos entender que o indivíduo se comporta de acordo com suas percepções e não de acordo com a realidade, ou seja, reage conforme àquilo que é confortável ou não com suas cognições.” (http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/41439/teoria-da-dissonancia-cognitiva )

Em 1959 Festinger e Carlsmith realizaram um experimento que confirmou a existência da dissonância cognitiva.

Os escolhidos para o experimento foram estudantes de graduação na Universidade de Stanford. Foram informados que o experimento era sobre como suas expectativas afetam a experiência real de uma tarefa.

Os alunos foram convidados a passar uma hora em tarefas chatas e tediosas. As tarefas foram projetadas para gerar uma atitude forte e negativa. Uma vez que os indivíduos tinham feito isso, os experimentadores pediram a alguns deles para fazerem um favor simples. Eles foram convidados a falar com outro “sujeito” (na verdade, um ator) e persuadi-lo de que as tarefas eram interessantes e envolventes. A alguns participantes foram pagos 20 dólares para este favor, outro grupo recebeu 1 dólar e um grupo controle não foi convidado a realizar o favor.

Quando solicitados a classificar as tarefas aborrecidas na conclusão do estudo (não na presença do outro "sujeito"), os do grupo 1 dólar as classificaram de forma mais positiva do que aqueles dos 20 dólares e do grupo de controle. Isto foi explicado por Festinger e Carlsmith como evidência de dissonância cognitiva.

Os pesquisadores teorizaram que as pessoas do grupo de 1 dólar experimentaram dissonância entre as cognições contraditórias: "Eu disse a alguém que a tarefa era interessante", e "Eu realmente achei chato”. A mente resolve este dilema ao decidir que, na verdade, o trabalho foi interessante, afinal, ajudou na conclusão da pesquisa.

Aqueles do grupo de 20 dólares, entretanto, tinham uma óbvia justificativa monetária para seu comportamento e, portanto, experimentaram menor dissonância.” (http://en.wikipedia.org/wiki/Cognitive_dissonance )

Quanto mais enraizada nos comportamentos do indivíduo uma crença estiver, geralmente mais forte será a reação de negar crenças opostas. Já vi isto acontecer quando o líder de uma igreja evangélica brasileira foi acusado e processado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha, no entanto seus fiéis continuam solidários e frequentando a igreja dele – não tiveram sua fé no bispo abalada.

Outro exemplo são as profecias do fim do mundo, até agora várias profecias já foram anuladas e as pessoas continuam crentes que “talvez a data estivesse errada”, mas vai acontecer porque está escrito. Sua fé no apocalipse continua.

A dissonância cognitiva tem um exemplo bem conhecido na literatura: a fábula de Esopo, “A raposa e as uvas”. Quando a raposa percebe que não consegue alcançar as uvas, ela decide que não as quer de qualquer modo, pois estão verdes (racionalização para eliminar a dissonância cognitiva).

E o leitor, quantas vezes já se enfrentou com a dissonância cognitiva? Reflita a respeito.

Imagem: www.ludicas.com.br

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sua mente está na mira de alguém

na mira

O desejo de conquista da mente humana já se evidenciava na antiguidade. De lá pra cá só tornaram-se mais requintados os métodos utilizados para consegui-lo.

Nunca a humanidade teve tanto acesso às informações sobre os mais variados assuntos. Viva a internet! Contudo quanto mais informação chega até nós, maior deve ser o cuidado em analisá-las e verificá-las, pois aumentam as chances de encontrarmos muita informação incorreta e/ou manipulada.

Todo mundo está sujeito a ser manipulado, primeiramente pela mídia, mas também por governos, políticos, mercado financeiro, publicidade, religiões, etc. Percebo muito isto na internet, as pessoas aceitando qualquer informação lá postada sem se dar ao trabalho de conferir o que leu.

Acordem! O mundo está enlouquecido, há gente de todo o tipo querendo seguidores, por ganância (pastores de igrejas-empresas), por vaidade, por lucro financeiro, por votos em eleições, para vender mais jornais ou revistas, enfim por vários motivos.

Encontro na internet seguidores das mais variadas “estapafurdices”. Ultimamente, com o avistamento do cometa Ison, encontra-se matérias escritas e vídeos com frases alarmantes sobre o perigo que corre a humanidade, contando ainda com o acréscimo da “chegada” do tal de planeta X ou Nibiru.

As “notícias” mais estapafúrdias encontram eco em seguidores ingênuos ou desinformados. Casualmente li uma dessas que me fez rir: o governo norteamericano teria comprado quinze mil guilhotinas. Segundo os “brilhantes” autores da “notícia”, para execuções em massa de cidadãos estadunidenses. Putzgrila ... Será que não existem mais metralhadoras, que tornam bem mais rápida qualquer execução?

Pois é, e tem gente que acredita nisso!

Mas afinal, o que leva alguém a acreditar em algo que contradiz a lógica, o raciocínio dedutivo e às vezes até evidências?

Para responder a esta questão devemos lembrar que o ser humano é emocional na maior parte do tempo. Os interessados em manipular pessoas sabem que devem explorar esta característica, usando o medo como fermento de suas ideias ou informações.

O medo sempre foi utilizado pelas religiões para garantir seus fiéis, o medo do inferno, da danação eterna. Também a culpa, que é outra emoção, é bem explorada pelas igrejas, assim como a tensão emocional. Por que os pregadores gritam tanto, são tão enfáticos? Porque assim criam tensão. Sob tensão as pessoas perdem grande parte de sua capacidade de raciocínio e conforme a tensão aumenta, como em casos de tortura, o cérebro torna-se exausto e extremamente inibido, colapsando a capacidade de julgamento crítico. Daí acreditar em qualquer coisa é possível, visto que o cérebro - exausto torna-se então sugestionável.

A conquista de mentes pelas igrejas tem sido bem estudada.  “...têm maior probabilidade de conseguir êxito se puderem primeiro provocar certo grau de tensão nervosa ou despertar sentimentos de cólera ou ansiedade suficientes para assegurar a atenção inteira da pessoa e possivelmente aumentar sua sugestionabilidade. O efeito imediato de tal tratamento é, em geral, prejudicar o discernimento e aumentar a sugestionabilidade; e, embora a sugestionabilidade diminua quando a tensão é eliminada, as ideias implantadas enquanto ela dura podem permanecer.” (William Sargant)

A sugestionabilidade varia entre os indivíduos, mas dependendo das condições em que a sugestão é oferecida até os menos sugestionáveis acabarão cedendo. Está atrelada às emoções como medo, culpa, tensão, stress, etc.

 “... na atualidade, os magos negros do marketing usam e abusam do poder da sugestão para plantar idéias em nossas cabecinhas – para atiçar nossos mais escondidos desejos – e criar as necessidades mais desnecessárias, pagas em carnês em prestações a perder de vista; tudo para potencializar sua última cartada: o estresse crônico; no qual eles ganham de todos os lados; tanto na construção da armadilha quanto na mentira da cura para desmancha la ...” (Américo Canhoto)

Detentores do poder sempre usam a indução como meio de sugestionar as pessoas, sejam eles o pessoal de marketing, os governos, os políticos ou os “ministros” de Deus. Na maior parte das vezes essa indução passa despercebida.

Que fique bem claro que sugestão, lavagem cerebral, indução podem ser aplicadas a qualquer pessoa, mesmo àquelas de bom nível educacional e inteligentes, pois independem desses quesitos. Como disse anteriormente estão ligadas à emoção e não há ser humano destituído da mesma.

Certamente que o exposto até agora não explica todos os casos de aceitação de algo que contradiz a lógica e o bom senso. O ser humano é altamente complexo e podemos incluir, em alguns casos, excesso de presunção e vaidade – “eu sei tudo, sou o dono da verdade ...” A presunção é tão grande que embota o cérebro.

Quem tem consciência mais desenvolvida terá sempre muito cuidado com quaisquer informações, irá analisá-las e verificá-las para não incorrer no risco de ser manipulado por alguém que tem sua mente na mira.

Imagem: cidadeagorago.com.br

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quão grossa é nossa casca civilizada?

senhor das moscas

Há muitos anos li o livro que mais me impactou negativamente. Deixou-me muito chocada e com tendência a descrer da natureza humana: O Senhor das Moscas de William Golding (prêmio Nobel de 1983). Foi feito filme a respeito, parece que está no Youtube.

Para os que não leram, resumo brevemente: o livro trata de um grupo de meninos, com idades variadas, que sobreviveram a um acidente aéreo e se encontram numa ilha deserta do Pacífico sem a presença de nenhum adulto.

A ilha contém água e bastante caça. Inicialmente há só festejos por não terem que frequentar aulas ou obedecerem a adultos, mas logo percebem que terão de se organizar para sobreviverem. Ralph é eleito líder do grupo e orienta que deverão construir abrigos e plantar para futuramente não carecerem de comida (não sabem quanto tempo transcorrerá até serem resgatados), porém logo depois é contestado por outro elemento do grupo, chamado Jack, um adolescente desbravador, inconseqüente e cruel que propõe que se dediquem apenas à caça e às brincadeiras.

Após várias disputas, o grande grupo se divide  seguindo os dois líderes de temperamentos tão opostos: Ralph e Jack.

O restante do livro mostra os embates que passam a ocorrer entre os dois grupos e onde veremos distintos personagens encenando características humanas como bravura, lealdade, raciocínio lógico, conformismo, controle e finalmente barbárie.

É um livro pesado e sombrio que mostra sem dó a natureza humana. Contudo foi escrito logo após a segunda grande guerra e isso explica o pessimismo do autor em relação à raça humana.

Eu lembrei desse livro quando, há poucos dias, estava lendo sobre o Experimento Robbers Cave que trata da teoria RCT (Teoria do Conflito Realista).

No verão de 1954, num acampamento de escoteiros em Robbers Cave State Park, Oklahoma, o psicólogo social Muzafer Sherif reuniu 22 meninos de 12 anos, separando-os em dois grupos que não tinham ciência da existência do outro nos primeiros dias.

Ambos os grupos formaram times camaradas e unidos enquanto permaneceram separados, todavia quando posteriormente foram postos em contato para competir (um grupo contra o outro) em atividades como baseball, cabo de guerra, etc. começou a haver agressividade ao ponto de meninos terem de ser fisicamente separados  pelos adultos.

Sheerif considerou ter provado a teoria que desenvolveu mais tarde (RCT) de que o que leva grupos a ter preconceitos e estereotipias negativas é a competição por recursos desejados.

No nosso país, o exemplo mais flagrante dessa teoria são as torcidas de futebol com suas atitudes muitas vezes selvagens e totalmente irracionais.

Infelizmente o ser humano se compara com os demais pelas suas diferenças e não pelas semelhanças e se acrescentarmos o fator competição as hostilidades aumentam. Isto fica bem demonstrado no livro O Senhor das Moscas onde os dois grupos que se defrontam são bem diferentes em algumas atitudes e/ou comportamentos.

O mais impactante é que tanto no livro quanto no experimento de Sherif os meninos são de classe média alta, provenientes de famílias cristãs e de bons costumes. Como puderam chegar a cometer atos de selvageria?

Será que a casca de civilidade dos seres humanos é tão fina?

È bom refletir sobre o assunto. Lembrar que em todos nós, lá no fundo,  mora um ser das cavernas, instintivo e primitivo que nunca saberemos quando vai acordar até nos vermos em uma situação limite que vai nublar nossa razão.

Daí a importância de desenvolvermos nossa consciência para poder prevenir esse tipo de tropeço.

Imagem: www.elirodrigues.com

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Seja você mesmo

sheeple2

Acho que todos vocês já se deram conta que o ser humano é um conformista, ou seja, imita maneiras de vestir, falar e se comportar de outros. Contudo já se perguntaram até onde vai essa conformidade? As pessoas seriam capazes de negar os próprios sentidos só para se conformar com os demais?

Ash, um psicólogo norteamericano, resolveu realizar um experimento para demonstrar que as pessoas não se deixam afetar pela opinião das demais quando têm uma inequívoca resposta acerca de algo.

Enganou-se.

Eis como transcorreu o experimento:

Ash convocou estudantes de graduação, todos do sexo masculino. Um da cada vez, os fazia entrar numa sala onde havia mais oito pessoas sobre as quais era dito serem outros participantes. A cada um era mostrado um cartaz como a imagem abaixo e pedido a todos que respondessem qual das três linhas do lado direito tinha o mesmo tamanho que a do lado esquerdo?

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O que os participantes não sabiam era que aqueles oito dentro da sala na verdade eram cúmplices do experimentador com a orientação de dar respostas erradas e sempre primeiro eram chamados cinco ou seis antes do verdadeiro participante do experimento.

O procedimento foi repetido doze vezes com variantes da imagem acima e Ash se surpreendeu com as respostas.

“50% das pessoas deram a mesma resposta errada como os outros em mais de metade dos ensaios.

Apenas 25% dos participantes se recusaram a ser influenciados pelo falso julgamento da maioria em todas as 12 provas.

5% mantiveram-se sempre conformados com o parecer incorreto da maioria (todos nós conhecemos pessoas assim, né?)

Durante todos os ensaios, a taxa média de conformidade foi de 33%.

Intrigado sobre o porquê dos participantes terem ido junto com a maioria, Asch entrevistou-os após o experimento. Suas respostas são, provavelmente, muito familiares a todos nós:

a) Todos se sentiam ansiosos, temiam a desaprovação dos outros.

b) Muitos explicaram que viram as linhas de forma diferente do grupo, mas, em seguida sentiram que o grupo estava correto.

c) Alguns disseram que foram junto com o grupo para evitar destacar-se, ainda que soubesse que o grupo estava errado.

d) Um pequeno número de pessoas realmente disse que viram as linhas da mesma forma como o grupo.

Intrigado sobre o porquê dos participantes terem ido junto com a maioria, Asch entrevistou-os após o experimento. Suas respostas são, provavelmente, muito familiares a todos nós:

a) Todos se sentiam ansiosos, temiam a desaprovação dos outros.

b) Muitos explicaram que viram as linhas de forma diferente do grupo, mas, em seguida sentiram que o grupo estava correto.

c) Alguns disseram que foram junto com o grupo para evitar destacar-se, ainda que soubessem que o grupo estava errado.

d) Um pequeno número de pessoas realmente disse que viram as linhas da mesma forma como o grupo.” (http://www.spring.org.uk/2007/11/i-cant-believe-my-eyes-conforming-to.php)

Acho que esses resultados dão o que pensar, não é?

A necessidade do ser humano de “pertencer ao grupo” realmente é bem significativa, porém é mister ter-se cuidado para não virar um “Maria vai com as outras”, ter um mínimo de individualidade como ser pensante. Isso é ter consciência, de si e do que faz. Na adolescência uma atitude conformista é aceitável, depois ... é lamentável.

Cuide para não se tornar um “sheeple”.

Imagem: richardcorrigan.com

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Você sabe o que é sexo tântrico?

sexo tântrico

O condicionamento do ser humano é algo tão forte que pode atingir qualquer área da vida. Uma das áreas é o sexo, que após milhares de anos de deturpação acabou sendo o que é hoje, uma atividade muitas vezes desgastada pelo hábito e com um único objetivo: ter orgasmo.

Mas, dirão vocês, não é para isso que serve o sexo? Não, o sexo deve ser a mais completa forma de união entre duas pessoas e proporcionar a real intimidade. E mais, segundo os indianos, é uma forma de chegar à Divindade. A partir desta ideia surgiu o sexo tântrico.

O sexo tântrico possibilita uma união real de corpo, mente e também espírito, você se conecta realmente com seu parceiro/a.

O que vem a ser o sexo? Nada mais que energia, uma das formas da energia vital que também pode se manifestar como energia espiritual. Claro que esta interpretação não existe no mundo ocidental, pois aqui estamos sob o jugo das crenças judaico-cristãs. Esse povo que diz o sexo ser coisa do diabo esquece que também diz Deus ter criado tudo, portanto criou a sexualidade também.

“Um bom ponto de partida para o sexo tântrico é saber que:1) Ele começa com você. 2) O sexo tântrico é sobre consciência, presença, entrega e totalidade. Sexo Tântrico é o sexo natural e espontâneo.” (http://neotantra.com/)

Começando pelo básico, a raiz sânscrita da palavra Tantra é: "Tan" – que significa expansão e "tra"- liberação. Tantra, então, pode ser interpretado como o caminho da liberação através da expansão.

No Tantra não existem regras nem dogmas, não existe manual para realizá-lo, é mais uma questão de atitude perante a vida e o universo com questionamento e coragem para enfrentar o desafio do desconhecido.

É comum as pessoas pensarem que o sexo tântrico é aquele com mirabolantes posições posturais. Esse é o Kama Sutra que não tem nada a ver com Tantra. Sim, no sexo tântrico você pode aprender algumas posições, mas não é o mais importante e sim a atitude mental de entrega.

No sexo comum o orgasmo limita-se à área genital, no Tantra “todo o corpo pode ser transformado em um '' corpo orgástico'', o que possibilita uma enorme variedade de experiências sensuais e eróticas. O orgasmo genital é muito importante, mas é apenas o começo deste processo.” (http://neotantra.com/)

No sexo corriqueiro é bastante comum a ânsia por atingir o orgasmo fazer com que se perca toda uma gama de contato prazeroso e amoroso com o parceiro/a.

Alguns pensam que no sexo tântrico não existe orgasmo. Pode haver sim, contudo ele não é o objetivo final e ademais não é aquele orgasmo de duração curtíssima, ele é prolongado.

Agora, um aviso: para poder praticar o sexo tântrico você precisa de elevada autoestima, precisa amar a si mesmo, o que muitos pensam que fazem, mas estão só se enganando.

“No sexo Tântrico, o prazer sexual é o conjunto todo: a sua mente, seu corpo e seu espírito. Em outras palavras, a sexualidade Tântrica é uma crescente satisfação sexual no nível físico e emocional, bem como no nível espiritual. A essência da sexualidade Tântrica é que o sexo pode ser muito mais do que uma simples experiência física. Assim, o sexo Tântrico é um ato muito íntimo envolvendo deliciosamente longas sessões de amor, prazer e conexão. No sexo tântrico não existe começo, meio e fim, da forma tradicional como conhecemos o sexo. O que existe é o momento presente a cada etapa da viagem.” (http://neotantra.com/)

Então, leitor, o sexo tântrico traz de volta a magia e o encantamento que foi perdido há muito tempo atrás, antes de terem transformado o sexo em algo libidinoso e motivo de piadas.

Este post foi a pedido de um leitor e eu não sou especialista no assunto, somente conheço uma pessoa que o pratica, portanto espero ter contribuído de alguma forma para esclarecê-los. Desejando saber mais consultem o site cujo link informei.

Imagem: www.papofeminino.uol.com.br

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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Conheça os mecanismos de defesa que usamos - II

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Como prometido no último post, continuação sobre os mecanismos de defesa...

Racionalização “é um mecanismo de defesa, parte consciente e parte inconsciente, no qual as falhas e os erros são perdoados e desculpados, tanto para o próprio sujeito como perante os outros, de modo a que seja preservada a autoestima do sujeito. O ego ajusta-se à realidade não só tendo em conta a realidade das coisas, mas também as necessidades narcisistas e instintivas do indivíduo. O sujeito apoia-se num raciocínio lógico para explicar os seus sentimentos e emoções que não controla. Torna racionais e coerentes pensamentos e ações inaceitáveis cujos mecanismos inconscientes lhe escapam, e com esta atitude tenta disfarçar os seus conflitos internos perante si e perante os outros.

É uma forma de aceitar a pressão do superego, de disfarçar os verdadeiros motivos e de tornar o inaceitável mais aceitável. Enquanto obstáculo ao crescimento, a racionalização impede a pessoa de aceitar e de trabalhar com as forças motivadoras genuínas, apesar de menos recomendáveis”. http://www.infopedia.pt/$racionalizacao-%28psicologia%29

Conheci uma pessoa que usava bastante este mecanismo e sempre sabia que ela iria usá-lo quando começava as frases com: ”não é bem assim”... Aí vinha o “chá” de explicações “racionais”. rsrs

Outro exemplo é a conhecida estória da “raposa e as uvas”, desdenhar o que não se pode comprar.

Intelectualização é um tipo de racionalização onde, para diminuir ou controlar impulsos ou sentimentos penosos para a pessoa, ela usa excessivamente do conhecimento, de discursos intelectuais, de teorizações. Com isso a pessoa nega o conflito tentando entendê-lo de forma puramente racional fugindo das emoções que podem lhe gerar sofrimento.

Este mecanismo é comumente observado em pessoas com fortes traços obsessivos ou esquizóides.

Podemos reconhecer este mecanismo em pessoas que dizem: “eu sei sobre isso, já li tudo a respeito” ou algo parecido.

Compensação é o Mecanismo de Defesa que tem como objetivo manter ou melhorar a autoestima, diminuir a ansiedade gerada em situações onde a pessoa se sente inferior (seja real ou não a inferioridade). A pessoa se compensa por alguma deficiência (real ou imaginária) por intermédio de alguma outra característica sua que demonstre valor.

Exemplos: um aluno obeso ou deficiente físico compensa sua falta de habilidade nas aulas de Educação Física sendo excelente em Matemática. A jovem que se sente feia acha que tem de ser simpática, pelo menos ...

Repressão. Aqui o indivíduo afasta da consciência uma ideia ou situação que causa ansiedade. É uma forma de lidar com conflitos internos ou externos, entretanto o conteúdo reprimido não é eliminado, ele permanece no inconsciente.

É bem comum aparecer este mecanismo em pessoas que tenham uma alta carga religiosa em relação ao sexo. Este é pecado, sujo, etc, então os desejos instintivos são reprimidos. Nestes casos podem aparecer conseqüências como doenças psicossomáticas, frigidez e fobias.

Sublimação é uma forma de satisfação indireta onde os impulsos do id são rechaçados pelo ego e superego. A forma de satisfação deve ser aprovada pela sociedade.

Um bom exemplo é a agressividade de um sujeito ser sublimada através de suas lutas de boxe, MMA ou outras ou trabalhando como policial.

A arte era considerada por Freud uma forma de sublimação, nela o artista pode expressar conteúdos condenáveis de forma socialmente aceita.

Enfim, com estas duas postagens deu para ver que somos seres complicados e complexos, mas não desanimem, continuem seu processo de autoconhecimento porque ele só traz benefícios. Só evoluímos como seres se nos autoconhecermos. É o primeiro passo para a evolução da consciência.

Imagem: www.treinamentoesportivo.com

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terça-feira, 23 de julho de 2013

Conheça os mecanismos de defesa que usamos - I

defesa

Já postei aqui no blog sobre alguns mecanismos de defesa (mecanismos internos de proteção do Ego e de controle usados automaticamente, para enfrentar angústia, impulsos agressivos, ressentimentos, frustrações, etc.). como a negação, projeção,e transferência.

Hoje vou discorrer sobre mais alguns porque os mecanismos de defesa interferem, e muito, não só na percepção das pessoas, mas também em seus relacionamentos.

Introjeção: é um processo inconsciente pelo qual o sujeito incorpora ao eu características do exterior, pode ser de pessoas e qualidades inerentes a elas. Segundo a teoria gestáltica, é absorver, sem reflexão, ideias, normas, hábitos, valores, etc.. Seria esta a base de formação dos “eu devo”, “eu preciso”. Com este conhecimento nota-se como é importante o que os pais passam para seus filhos através de suas palavras e atitudes.

É considerado o mecanismo mais arcaico dentre aqueles que se dirigem a um objeto exterior.

Exemplos de introjeção: o garotinho que finge fazer a barba (como o pai); a menininha que usa os vestidos e sapatos da mãe; a adolescente que repete as gírias e/ou maneirismos do seu astro preferido; o adulto que repete as frases “inteligentes” do seu político favorito; o bobalhão, que após assistir a Fórmula I, vai para as ruas dirigindo na velocidade de seu ídolo.

Anulação: ações ou rituais mágicos que contestam ou desfazem uma ação anterior. Exemplos: dar um beijo no irmãozinho caçula depois de ter batido nele; fazer o sinal da cruz ou beijar a medalha de Nossa Senhora para afastar um pensamento pecaminoso;

Este mecanismo é muito utilizado na patologia chamada Transtorno Obsessivo-compulsivo, aí ela é referida como anulação retroativa.

Clivagem é um mecanismo de defesa descrito por Melanie Klein e por ela considerado como a defesa mais primitiva contra a angústia. Neste mecanismo, há uma cisão tanto a nível do ego, como ao nível do objeto primário.

O objeto visado pelas pulsões eróticas e destrutivas cinde-se num "bom" e "mau" objeto, que terão então destinos relativamente independentes no jogo das introjeções e das projeções. http://www.infopedia.pt/$clivagem-%28psicologia%29;jsessionid=RptS2j0Tcf62Q7JGZnAwOA__ Exemplo: devemos odiar o pecado e amar o pecador ou como diriam os pastores evangélicos: amar o homossexual e odiar a homossexualidade.

Segundo Freud a clivagem é "uma fenda no ego a qual nunca se cura, mas, ao contrário, aumenta à medida que o tempo passa", portanto podemos ver que essa cisão no Ego é um efeito bastante sério.

Conversão: É a expressão de um motivação recalcada num sintoma somático, que pode ser motor (paralisia, tremor, convulsão) ou sensitivo (parestesia, anestesia, dor, distúrbio de visão ou audição).

Não é a mesma coisa que somatização, na conversão a pessoa representa, através da linguagem corporal, um conflito inconsciente e na somatização há apenas uma situação de stress (que também pode ser grave).

A conversão é muito encontrada em pacientes histéricos

Deslocamento: mecanismo pelo qual é deslocada uma motivação ou emoção do seu primitivo objeto para outro substitutivo.

É bem conhecido o exemplo do sujeito que levou bronca do chefe, chegando em casa desconta na mulher que desconta no cachorro ou gato. rsrs

Quantas vezes já não fizemos algo parecido? Bom para refletir a respeito.

“Os mecanismos de defesa não representam apenas o conflito e a patologia, eles são também uma forma de adaptação. O que torna “as defesas” um aspecto doentio é sua utilização ineficaz ou então sua não adaptação às realidades internas ou externas. (Bergeret, 2006)”. http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/mecanismos-de-defesa

Espero não ter assustado alguém com esta matéria e quero esclarecer que os mecanismos de defesa são empregados por todos nós, na vida cotidiana, para proteção do Ego e conseguir estabilidade emocional.

No próximo post tem mais mecanismos. Até lá.

Imagem: noticias.universia.com.br

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domingo, 7 de julho de 2013

Cuidado como você percebe o outro, conheça o “efeito halo”

halo

No ano de 1920, Edward Thorndike, psicólogo americano, realizou um estudo sobre como os oficiais das forças armadas avaliavam seus subordinados. Chegou a interessantes conclusões. Percebeu que os oficiais tinham a tendência a atribuir várias características desejáveis ou positivas àqueles subordinados que lhes causavam boa impressão em algum quesito primeiramente. Ou seja, se o sujeito é bom nisso, vai ser bom em todo o resto.

Thorndike então chamou de efeito halo (por causa dos halos dos santos) a esta característica tão humana: o fenômeno pelo qual concluímos que, se uma pessoa faz bem alguma coisa, fará bem todas as outras — e também o contrário, se faz uma coisa mal, fará mal todas as outras.

O efeito halo pode se apresentar todos os dias em nossa vida de relações sem nos darmos conta disso. Também em situações o efeito halo pode aparecer, pois quando as avaliamos, antecipadamente construímos um cenário que dependerá de nossa percepção. Muitas vezes atribuímos uma determinada conseqüência a apenas uma causa, numa relação única e direta de causalidade quando as causas podem ser múltiplas.

O efeito halo é o motivo por trás do seguinte conselho: se você quer se sair bem na entrevista de emprego, cuide de sua apresentação pessoal. Pessoas bem apresentadas e mais atraentes têm mais chances de serem contratadas. Cruel, mas real. rsrs

Não só nas contratações, mas também nas avaliações de desempenho realizadas pelas empresas vamos encontrar frequentemente o efeito halo. Por exemplo: um funcionário que tenha chegado atrasado durante três dias no mês pode ser considerado um funcionário preguiçoso. O efeito halo impede o avaliador de considerar os motivos que levaram aos atrasos.

Pessoas atraentes, ricamente vestidas são geralmente consideradas como pessoas de sucesso, principalmente na atual conjuntura onde a imagem está tão em alta. Os mais inconscientes até acham que tais pessoas são mais inteligentes.

Lembrem que a nossa percepção é influenciada por crenças, expectativas, experiências, traços de personalidade, conteúdos inconscientes, contexto geográfico e cultural, etc. Ao percebermos o mundo exterior nós sempre fazemos uso de “filtros”. O efeito halo seria uma consequência desses filtros.

Associados ao efeito halo vêm os estereótipos tão comuns na nossa sociedade: mulher ao volante, perigo constante; “sem terra” são preguiçosos; político é tudo ladrão; loira burra; e por aí vai ... Qualquer navegada pelas redes sociais nos mostra a quantidade de estereótipos e efeitos halo que as pessoas utilizam. É só prestar atenção.

O efeito halo se manifesta até no que comemos. Não é verdade que quando você escolhe tomates, laranjas, batatas, etc. você escolhe sempre os de aparência mais bonita? O que tem a beleza a ver com a nutrição do vegetal? Pois é....

Na publicidade e propaganda, bem como em campanhas políticas os especialistas no assunto usam e abusam do efeito halo sobre a população que querem atingir. Prestem atenção nas próximas eleições.

Resumindo, o efeito halo é uma tendência que temos para simplificar, associando uma característica isolada a outras e geralmente quando não temos dados suficientes para fazer um julgamento ou avaliação acertada.

Todo o cuidado é pouco quando se trata de efeito halo e estereótipos, pois ambos podem levar a preconceito e discriminação. Atentem à sua percepção para não incorrer em maus julgamentos sobre os demais ou sobre situações.

Consciência!

Imagem: mundogump.com.br

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Experiências fora do corpo. Parte II

EFC2

Continuando o instigante tema, hoje os convido a tomarem conhecimento de algumas experiências fora do corpo realizadas no Instituto Monroe e dos “contatos” com diferentes entidades que aconteceram nessas ocasiões. Como verão, são informações surpreendentes e que demonstram o quão pouco sabemos a respeito desse outro mundo que não vemos, com exceção daquelas pessoas denominadas psíquicas e/ou médiuns.

As experiências dos participantes são realizadas nas cabines a que me referi no post anterior e são relatadas ao monitor de plantão (lembrar que as saídas do corpo são conscientes, com o participante em total relaxamento, mas acordado).

“SS/SCA (Assistente Social):

Estou falando com o meu homem verde e praticando subir e descer até onde eles estão e descobri porque ele tem esse roupão verde. Ele disse que não precisava dele, mas que eu precisava para me sentir melhor com ele. Disse que eu ainda tenho alguns medos por isso ele ainda quer que eu me sinta mais confortável ao entrar e sair do meu corpo. (...) Quero me sentar e conversar com ele um pouco mais (...) ele acabou de sentar e falou sobre mim e onde estou. E me disse que é uma espécie de meu supervisor. Ele é, de certa forma, meu responsável pelo meu crescimento e desenvolvimento. (...) Aparentemente ele tem passado por uma porção de vidas em diferentes épocas e não sei se elas fazem parte dele ou não.

Senti-me muito confortável aqui, como se pertencesse a esse lugar e já tivesse me sentido assim antes. Acho que já fiz algum progresso porque desta vez não precisei de ninguém para me ajudar. (...)”

Nesta aqui, uma entidade se comunica com o monitor por intermédio da participante.

“SS/SHE (Psiquiatra de apoio):

Monitor: - Como é a luz?

- É como uma estrela. Quando me concentro nela, começo a flutuar.

Monitor: - Faça experiências com a luz.

- Agora eles estão chegando mais perto, agora eu estou chegando perto deles.

(Intervalo de tempo: 2:55)

Nova voz: - Como vai?

Monitor: - Estou muito feliz em ver você e muito agradecido por ter vindo.

Nova voz: - É difícil chegar aqui.

Monitor: - Qual é a dificuldade?

Nova voz: - Há muitas camadas para penetrar.

Monitor: - Ficamos muito agradecidos por você penetrar nas camadas para chegar até nós. Vamos ajudá-los como pudermos.

Nova voz: - A cor dela é ótima. Temos que achar uma maneira de ajudá-la a passar.

Monitor: - Você tem alguma recomendação a fazer?

Nova voz: - Precisa haver um período em que ela vá com mais profundidade.

Monitor: - Você sugere um período preliminar maior?

Nova voz: - Possivelmente. Ficará mais fácil à medida que a confiança for surgindo. Ainda há muito medo.

Monitor: - Fico grato com a sua preocupação com ela.

Nova voz: - Agora ela está se sentindo confusa. Eu a levei para um lugar onde ela possa descansar.”

SS/R (Físico):

- Já passei por todo tipo de coisas e tenho tentado separá-las e colocá-las em uma espécie de ordem racional. Em primeiro lugar, tive a impressão de que a realidade da matéria física – aquilo que considero normalmente ser chamado de realidade, não só a matéria física, mas também nossos devaneios e nossas qualidades imaginativas intuitivas – fazem parte de uma espécie de um grande devaneio ou pensamento proveniente de uma consciência mais elevada. (...)

Nossa posição nesse devaneio é a de aprendermos coisas e procurar melhorar, esforçando-nos para sermos mais. Agora, não sei bem por que essa consciência ou espírito elevado está tendo esse devaneio, mas tenho a sensação de que é para o seu próprio aprendizado. Ela aprende à medida que aprendemos.”

Monroe reuniu centenas, talvez milhares de gravações desses experimentos. Cabe frisar aqui que Monroe não seguia nenhuma religião e fez questão de, nos seus experimentos, descartar conotações religiosas. No entanto, não só ele, mas alguns participantes ficaram convictos de existir uma inteligência maior que a tudo coordena.

Seus livros me trouxeram ratificação de muitos ensinamentos dos mestres ascensionados e de escritos espiritualistas.

Tenho plena certeza que futuramente tais conhecimentos farão parte inclusive da ciência humana.

Fonte: Livro Viagens Além do Universo de Robert Monroe

Imagem: http://portugalgg.blogspot.com.br/

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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Experiências fora do corpo – parte I

EFC

Robert Monroe, engenheiro e jornalista, no ano de 1958, começou a passar por estranhas experiências fora do corpo (também chamadas viagens extrafísicas, desdobramento, projeção ou viagem astral). De início suas saídas extracorpóreas aconteciam espontaneamente, sem que ele tivesse tido vontade disso ou comando sobre as mesmas. aos poucos, conforme o tempo passava, foi se acostumando com as saídas e finalmente as programava, saindo do corpo por vontade própria.

A partir daí todo um novo universo se descortinou para Monroe, mudando sua visão de mundo e inclusive sua fisiologia. Ele relata suas viagens e descobertas no livro Viagens fora do corpo, Ed. Record, 1971.

Como cientista que era, e até por instinto de preservação, quis pesquisar sobre o assunto e o caminho levou-o para longe das religiões, parapsicologia e disciplinas orientais, pois aí não encontrou a confirmação científica que procurava. Quase nada encontrando resolveu, lá pelos anos 70, junto com alguns colaboradores, todos profissionais de grau universitário, fundar um instituto para pesquisar e desenvolver técnicas de saída do corpo – o Instituto Monroe de Ciências Aplicadas.

O laboratório de testes consistia em três cabines de isolamento com uma cama com colchão d’água aquecida, controle de ar, temperatura e acústica. Todas as três ligadas separadamente à sala de controle onde eram registrados sinais fisiológicos dos participantes: EEG (eletroencefalografia) com oito canais, EMG (tônus muscular), pulsação e voltagem corporal.

Seus experimentos com os voluntários “pacientes” eram à noite o que acarretou que muitos acabavam dormindo durante as sessões. Como Monroe era engenheiro de som, pensou em utilizar sons para manter os pacientes acordados num estado de pré-sono e plenamente conscientes. Pôs mãos à obra e criou o que chamou de FFR (Frequency Following Response) ou Resposta Imediata à Frequência. Introduzindo certos tipos de sons nos ouvidos dos participantes descobriram que havia uma resposta elétrica semelhante nas suas ondas cerebrais e controlando essas freqüências de ondas conseguiam manter a pessoa acordada ou fazê-la dormir.

A partir de então Monroe e sua equipe alcançaram considerável progresso em seus experimentos. Com a divulgação de seus trabalhos começaram os convites para palestras e posteriormente para experimentos com vários participantes na forma de workshops. À época do lançamento de seu livro Viagens além do universo (1985), milhares de pessoas já tinham participado dessas experiências de saída do corpo assistidas pela equipe do Instituto.

Monroe deu palestras em grandes universidades americanas e organizações como o Smithsonian Institution e apresentou estudos sobre o assunto à Associação Psiquiátrica Americana. Seu trabalho foi sempre acompanhado por psicólogos e psiquiatras.

Estudos realizados após a publicação do livro Viagens fora do corpo indicaram que uma a cada quatro pessoas teve, no mínimo, uma experiência extracorporal espontânea (eu já tive umas cinco das quais me lembro).

A leitura dos livros de Monroe foi uma das mais instigantes que já chegou às minhas mãos. Seu conteúdo ratifica outras leituras minhas sobre expansão de consciência e confirma a existência de outras realidades bem como a reencarnação.

Já disse aqui e volto a dizer: somos muito, mas muito ignorantes a respeito do que é a realidade e o universo. Infelizmente as religiões ocidentais se encarregaram de nos condicionar com conceitos e crenças bobas e limitantes. Não temos a menor ideia do que nos rodeia que não conseguimos ver com os olhos físicos.

Os anos todos que Monroe despendeu em suas “viagens” fora do corpo o levaram a ter uma diferente visão de mundo, espaço e tempo.

Esta é a mensagem que os monitores do Instituto Monroe fornecem para os participantes memorizarem antes de iniciar seus experimentos fora do corpo:

“Sou mais do que o meu corpo físico. Por ser mais do que matéria física, posso perceber aquilo que é maior do que o mundo físico.

Assim, desejo me expandir, experimentar: conhecer, compreender, controlar, utilizar as energias e sistemas energéticos superiores que possam ser benéficos e construtivos para mim e para aqueles que me seguem.

Também desejo a ajuda e cooperação, a compreensão dos indivíduos cuja sabedoria, evolução e experiência são iguais ou maiores que as minhas. Peço a eles orientação e proteção contra qualquer influência ou força que possa me proporcionar menos do que os meus desejos expressos.” (livro Viagens além do universo)

Esta mensagem se justifica porque Monroe constatou que ele e outros participantes entravam em contato com outras entidades (algumas constituídas só de luz, mas também algumas desencarnadas de corpos físicos).

Aos céticos, sugiro assistirem este vídeo sobre um paciente sob anestesia geral que experimenta uma saída do corpo: http://www.youtube.com/watch?v=8GoVFGsLmzk&feature=youtu.be

Imagem: http://www.viagemastral.com/

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Hábitos viciosos da mente humana

vício mental

Continuando nossa abordagem sobre a mente humana, hoje veremos alguns maus hábitos adquiridos na forma de processar informações por intermédio da cognição.

Lembrem sempre que o ser humano é mais emocional do que racional, “no frigir dos ovos” é sempre a emoção (com raríssimas exceções) que sai ganhando na batalha entre ambas. Portanto nosso cérebro, usando a razão, pode estar processando uma informação, mas inconscientemente nossas emoções estão atuando e interferindo.

Em Psicologia tais erros de julgamento são chamados de viés cognitivo.

A seguir veremos alguns deles conforme o site http://www.jornalciencia.com/top-listas/diversos/1865-top-10-falhas-comuns-na-mente-humana

A falácia de Gambler, também chamada de falácia de jogador, é a tendência para pensar que as probabilidades futuras são alteradas por eventos passados, quando, na realidade, eles não são. Certas probabilidades, tais como a obtenção de uma “cara” quando você joga uma moeda são sempre as mesmas.

A probabilidade de obter uma “cara” é de 50%, não importa se conseguiu “coroa” nas últimas 10 tentativas. Veja um exemplo no jogo de roleta. As últimas quatro rodadas caíram no preto, tem que ser vermelho desta vez. Certo? Errado! A probabilidade de parar no vermelho ainda é de 47,37% (18 pontos vermelhos, divididos por 38 pontos no total). Isto pode soar óbvio, mas esse viés tem levado muitos jogadores a perder dinheiro, pensando que as probabilidades mudam.

Reatividade é a tendência das pessoas a agir ou aparecer de forma diferente quando sabem que estão sendo observadas. Na década de 1920, uma obra em Hawthorne (uma fábrica) encomendou um estudo para analisar se os diferentes níveis de luminosidade influenciavam na produtividade do trabalhador. O que se descobriu foi incrível. Infelizmente, quando o estudo foi concluído, a produtividade voltou para os seus níveis regulares. Isto porque a mudança não foi devido aos níveis de luz, mas porque os trabalhadores estavam sendo vigiados. Isto demonstrou uma forma de reação.

Quando os indivíduos sabem que estão sendo vigiados, eles são motivados a mudar seu comportamento, para se mostrarem com uma aparência melhor. A reatividade é um problema sério em pesquisas e precisa ser controlada com experimentos cegos (quando os indivíduos envolvidos em um estudo de investigação não sabem que estão sendo analisados, de modo a não influenciar os resultados).

A profecia autorrealizável gera comportamentos que levam a resultados que confirmam perspectivas existentes. Por exemplo, se alguém acredita que se sairá péssimo na escola, ela diminui o esforço para fazer suas tarefas. Assim, acaba realmente indo mal, exatamente como pensava. Outro exemplo comum são os relacionamentos.

A pessoa acha que o seu relacionamento amoroso vai falhar, então começa a agir de modo diferente, afastando-se emocionalmente. Por causa disso, realmente é possível fazer com que o relacionamento fracasse..

Fato interessante: As recessões econômicas são profecias autorrealizáveis. Uma recessão se configura após dois trimestres de queda do Produto Interno Bruto (PIB). Sendo assim, você não pode saber que está em recessão até que esteja há pelo menos seis meses em uma. Infelizmente, ao primeiro sinal de diminuição do PIB, a mídia relata uma possível recessão, as pessoas entram pânico, gerando uma cadeia de eventos que realmente causam recessão.

O efeito halo é a possibilidade de que a avaliação de uma característica possa interferir no julgamento de outros fatores, contaminando um resultado geral. Esse viés acontece muito em avaliações de desempenho de funcionários. Por exemplo: um determinado empregado chegou atrasado para o trabalho nos últimos três dias, eu percebi isso e conclui que ele é preguiçoso.

Há muitas razões possíveis pelas quais ele possa ter chegado tarde, talvez o carro quebrou, sua babá não apareceu ou a chuva prejudicou o trânsito. O problema é que, por causa de um aspecto negativo que pode estar fora do controle do empregado, presumo que ele é um mau trabalhador.

Fato interessante: No caso da atração física, isso acontece quando as pessoas assumem que os indivíduos atraentes possuem outras qualidades socialmente desejáveis, tais como sucesso, felicidade e inteligência. Isto se torna uma profecia autorrealizável, quando as pessoas atraentes recebem tratamento privilegiado, como melhores oportunidades de trabalho e salários mais elevados.

A escalada de compromissos é a tendência das pessoas a continuar apoiando os esforços anteriormente fracassados. Com tantas decisões que as pessoas têm de tomar, é inevitável que algumas não deem certo. Claro, a única coisa lógica a fazer nesses casos é mudar essa decisão ou tentar revertê-la.

No entanto, às vezes, as pessoas sentem-se compelidas não só a ficar com a sua decisão, mas também a continuar a investir nela devido aos custos irrecuperáveis. Por exemplo, digamos que você use metade de suas economias para começar um negócio. Após seis meses, é evidente que o negócio não vai dar certo. A única coisa lógica a fazer é desistir. No entanto, devido aos custos já gastos, você se sente comprometido com o negócio e investe ainda mais dinheiro para o projeto na esperança de que a situação se reverta.

Reatância é o desejo de fazer o oposto do que alguém quer que você faça, numa necessidade de resistir a uma tentativa de alguém restringir sua liberdade de escolha. Isso é comum com adolescentes rebeldes, mas qualquer tentativa de resistir à autoridade, devido às ameaças à liberdade, é uma relutância. O indivíduo pode não ter a necessidade de executar o comportamento específico, mas o fato de que ele não pode fazê-lo o faz querer.

Fato interessante: A psicologia reversa é uma tentativa de influenciar as pessoas que utilizam reatância. Diga para alguém (especialmente crianças) para fazer o oposto do que você realmente quer e eles vão se rebelar e acabar por fazer o certo.

Mentalidade de rebanho (já visto aqui neste post) é a tendência a adotar os comportamentos da maioria, para sentir mais segurança e evitar conflitos. Em sua forma mais comum, o sujeito agrega roupas, carros, hobbies, estilos para se identificar com um grupo de pessoas.

Fato interessante: As coisas que são pouco atraentes, não parecem legais ou populares acabam ganhando seguidores devido à mentalidade de rebanho. Os exemplos incluem as calças pára-quedas, pedras de estimação, tainhas, sutiãs de cone e outras coisas mais.

Para finalizar deixo aqui as palavras de um sábio (Bodhidharma, que foi um grande mestre zen do século VI):

“Usar a mente para buscar a realidade é ignorância. Não usar a mente para buscar a realidade é conhecimento. Liberar-se mesmo das palavras é liberação. Quando a mente deixa de mover-se, penetra no nirvana. Nirvana é uma mente vazia. Qualquer um que saiba que a mente é uma ficção e está vazia de qualquer coisa real, sabe que sua própria mente existe e não existe.

Se utilizares tua mente para estudar a realidade, não entenderás nem tua mente nem a realidade. Se estudares a realidade sem utilizar a mente, entenderás ambas.

Quando compreendes, então a realidade depende de ti. Quando não compreendes, és tu quem depende da realidade. Quando a realidade depende de ti, o que não é real se converte em real. Quando és tu quem depende da realidade, o que é real se converte em falso. Quando dependes da realidade, tudo é falso. Quando a realidade depende de ti, tudo é verdade.” (http://budacuantico.blogspot.com.br/2010_11_01_archive.html )

Imagem: opoderdamente.com

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Estar ciente ou estar consciente? Qual a diferença?

estar consciente

O tema de hoje é bastante complicado, até porque traz conceitos pouco conhecidos. Espero me fazer entender.

É sobre o que é ter consciência e não simplesmente ter ciência (saber ou conhecer ou ter percepção).

Encontrei um texto de um psicólogo americano (Dr. Arthur Janov) que explica bem a diferença:

A Psicoterapia tem estado no negócio ter ciência por muito tempo. Desde os tempos de Freud temos deificado insights. Estamos tão acostumados a apelar para o córtex frontal todo poderoso, a estrutura que nos fez os avançados seres humanos, que esquecemos de nossos preciosos antepassados, seus instintos e sentimentos. Nós podemos enfatizar como o nosso neocórtex é tão diferente de outras formas animais enquanto desconsideramos nosso aparato de sentimentos compartilhados mutuamente. Precisamos de uma terapia de consciência, não de ciência (estar ciente). Se acreditarmos que temos um Id a estufar dentro de nós, não há nenhum tratamento adequado porque a causa é uma aparição, um fantasma que não existe. Ou pior, é uma força genética que é imutável e, portanto, não pode ser tratada. Em qualquer caso, nós somos os perdedores.

Não há nenhuma impotência tal como ser inconsciente; correndo à volta com dilemas sobre o que fazer sobre isso ou aquilo, sobre problemas sexuais, hipertensão arterial, depressão e explosões de temperamento. Tudo parece ser como um mistério. À pessoa ciente ou que procura a ciência (conhecimento) tem de ser dito tudo. Ele ouve, obedece — e sofre. Conhecimento ou constatação não nos faz sensível, empático ou amoroso. Faz-nos cientes de porque não podemos ser. É como estar ciente de um vírus. É bom saber qual é o problema, mas nada muda. O melhor que o estar ciente pode fazer é criar idéias que negam a necessidade e a dor.

Ciência não é a cura; a consciência o é. A verdadeira ciência consciente significa sentimentos e, portanto, humanidade. À pessoa consciente não é preciso ser dito sobre suas motivações secretas. Ela as sente e não são mais secretas. Consciência significa pensar o que sentimos e sentir o que pensamos; o fim de uma existência dividida e hipócrita. Ciência não pode fazê-lo porque tem de mudar a cada vez que há uma nova situação. É por isso que a terapia cognitiva é tão complexa. Ela tem de seguir cada nova mudança na estrada. Tem que combater a necessidade de drogas e depois batalhar a incapacidade de manter um emprego e ainda tentar entender porque relacionamentos estão caindo aos pedaços. Isso também explica porque a terapia convencional leva tanto tempo; cada avenida deve ser percorrida de forma independente.

A consciência é global; ela se aplica a todas as situações, engloba todos aqueles problemas de uma só vez. O verdadeiro poder da consciência é levar a uma vida consciente com tudo o que isso significa: não estar sujeito a comportamento descontrolado, ser capaz de se concentrar e aprender, capaz de ficar quieto e relaxar, ser capaz de fazer escolhas que são saudáveis, a escolha de parceiros que são os mais saudáveis e acima de tudo, ser capaz de amar.” (http://cigognenews.blogspot.com.br/2008/09/difference-between-awareness-and.html )

Enfim, estar consciente é ter sentimentos a respeito de algo, não é meramente um processo cognitivo, é mais amplo.

Quando apenas estamos cientes de algo, usamos o hemisfério cerebral esquerdo, o responsável pelo pensamento lógico. Estar ciente conscientemente é ter ambos os hemisférios cerebrais trabalhando em harmonia.

Como seres humanos complexos que somos, muitas vezes estamos conscientes de situações ou problemas externos, como a fome no mundo, por exemplo, mas não estamos conscientes do que se passa em nosso psiquismo, o por que de estarmos sofrendo neste momento de nossas vidas. Ou vice-versa: aqueles mais centrados no próprio umbigo têm consciência do que vai em seu interior, mas estão se lixando para o que vai pelo mundo com seus congêneres irmãos.

Se quisermos evoluir como pessoas é preciso estarmos conscientes não só de nós mesmos como também do mundo em que vivemos, do que acontece com nossos irmãos de jornada.

Aqui no blog você encontra textos para ajudá-lo a expandir sua consciência em vários aspectos. Sinta-se à vontade para garimpá-los.

Imagem: psicologia1.com.br

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Intuição é fé, inspiração ou conteúdo inconsciente?

intuição

Dei uma rápida pesquisada na internet e encontrei os mais variados conceitos sobre intuição. Por exemplo:

- Depoimento de um espírita: seriam conhecimentos prévios (de vidas anteriores) sobre determinado assunto, situação, etc.

- Segundo a Psicologia: são conteúdos inconscientes.

- Segundo a Filosofia: há duas grandes modalidades da atividade racional, realizadas pela razão subjetiva ou pelo sujeito do conhecimento - a intuição (ou razão intuitiva) e o raciocínio (ou razão discursiva). A razão intuitiva pode ser de dois tipos: intuição sensível ou empírica e intuição intelectual.

- Segundo um determinado autor: uso da linguagem do coração.

- De um site espírita: o insight de uma descoberta poderia, perfeitamente, provir do sopro de um espírito amigo.

Segundo experiência própria e pesquisas realizadas, nenhuma das asserções acima está correta.

Vidas anteriores influenciam mais é o nosso comportamento e não nosso conhecimento.

Conteúdos inconscientes não são capazes de saber o que vai acontecer e, portanto, nos impedir de tomar um avião que vai cair, por exemplo.

Insight é uma compreensão repentina e está baseada em prévio conhecimento (memória), é um mecanismo cognitivo, não possui as características da intuição.

Já relatei aqui um fato que ocorreu comigo e que é um exmplo perfeito do que é a intuição. Vou repeti-lo para aqueles que não o leram.

Eu tinha uns 14 anos mais ou menos quando voltando para minha casa, estando já no lado da rua onde a mesma se situava, inesperadamente (sem pensar) atravessei a rua para o outro lado. Exatamente quando cheguei à calçada oposta ouvi um forte barulho e me virei para o lado de onde tinha vindo e vi um cabo de alta tensão chicoteando no chão exatamente onde eu iria estar passando. Parece que me salvei da morte.

Meu inconsciente teria condições de saber que o cabo iria rebentar? Claro que não. Foi algo intuído e não racionalizado. O racional teria sido continuar caminhando pela mesma calçada de minha casa.

Então de onde vem a intuição? Ela vem de nossa essência - que é divina. É uma parte nossa à qual são poucos os que dão atenção. Se fosse cultivada, com certeza, teríamos uma vida melhor.

“A intuição está sendo cada vez mais reconhecida como uma faculdade mental natural, um elemento-chave na descoberta e resolução de problemas, na tomada de decisões, um gerador de idéias criativas,um premonitor, um revelador da verdade.” (Philip Goldberg)

Segundo Goldberg, as percepções dos sentidos e o pensamento racional não são as únicas maneiras de conhecermos alguma coisa. Para ele, a intuição é uma forma superior de PES (percepção extra-sensorial).

Em seu livro Intuitive Edge, Philip Goldberg descreve seis tipos de intuição:

Descobridora – introvisão de fatos a serem descobertos (é o famoso ahá!).

Geradora – oportunidades ou possibilidades alternativas.

Avaliadora – voz interior que em certas situações censura ou critica.

Possibilitadora - (estar no lugar certo, na hora certa seria um dos casos).

Operativa – guia as nossas ações (não entrar num avião que sofrerá um acidente, por exemplo).

Profética – pressentimento ou palpite que algo irá acontecer.

Iluminação - no sentido espiritual; é a forma superior da intuição.

Como diferençar um pensamento de nossa mente da intuição? Sinto muito, mas não há receita pronta para quem não está acostumado a seguir a sua intuição. Isso vem com o tempo. O que oferece mais ou menos uma pista é termos uma “certeza” que não sabemos explicar.

E não esquecem: sempre que não seguirem sua intuição, vão se dar mal. Isso não falha.

Imagem: portalterrabase.blogspot.com

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Você conhece a sua mente?

mente

Já faz algum tempo que surgiu a neurociência e ultimamente anda ativamente pesquisando e divulgando seus achados.

Acho ótimo, estávamos atrasados em relação ao conhecimento do cérebro comparando-se com o restante do corpo. Mas .... como ainda é a ciência cartesiana que domina ... os neurocientistas estão considerando o cérebro como sinônimo de mente.

Felizmente o planeta tem o seu lado oriental, com sua antiguíssima sabedoria, e é de lá que surgem vez por outra informações e conhecimentos riquíssimos que podemos somar às frias e insensatas teorias dos ocidentais.

Fiz faculdade de Psicologia, mas só fui entender mesmo o que é a mente humana quando li o livro do Dr. David Frawley. Embora ele seja americano de nascimento, escolheu se tornar um hindu por convicção. É considerado especialista em medicina Ayurvédica e graduou-se em medicina chinesa, também é professor védico, raja yogi e astrólogo védico.

Seu entendimento da mente humana é tão excepcional porque não é limitado pelo axioma ocidental de que “o todo é a soma das partes”. Os ensinamentos orientais têm um caráter holográfico, onde as partes refletem o todo.

A mente é o principal veículo que usamos para tudo o que fazemos; no entanto, poucos sabem como usá-la ou zelar por ela, se é que alguém sabe.”

“A mente não é matéria física, mas é matéria de natureza sutil, etérea e luminosa.” (...)” o cérebro é o órgão físico por meio do qual a mente trabalha”.

Cérebro e Mente são duas realidades distintas, enquanto o cérebro é condição da mente, a mente não é necessariamente condição do cérebro.” (http://cerebroemente.weebly.com/)

Frawley nos explica que o cérebro (com suas conexões químicas e elétricas) é somente uma ferramenta usada pela mente. A mente foi projetada pela Inteligência Cósmica para permitir que a consciência tenha suas experiências. Vejam então que mente também não é a mesma coisa que consciência.

É uma capacidade nossa, como seres sencientes, e não uma parte de nosso corpo físico. A mente se manifesta através de pensamentos, sentimentos, sensações que, por sua vez, agem como gatilhos para ativar certas partes do cérebro (que os neurocientistas percebem com seus instrumentos).

Bom, alguém vai argumentar que o cientista ativando certas partes do cérebro produz sensações e/ou emoções. Ok, sensações e emoções estão ligados à parte química do corpo, tendo suas respectivas áreas cerebrais também. Eu quero ver eles provocarem pensamentos (sem emoções ou sentimentos) ...

Entender a mente e, principalmente controlá-la, é uma das mais grandiosas tarefas com que o ser humano se defronta. Afinal, é devido a ela que exultamos ou sofremos, que somos capazes de vencer obstáculos ou fracassar miseravelmente, que amamos ou odiamos, enfim é graças a ela que temos consciência de quem somos e de que estamos vivos.

“Aprender a usar de modo correto os recursos da mente não apenas resolve os nossos problemas psicológicos, mas também nos leva à compreensão superior de nós mesmos”.

Para começar a entender a mente é preciso notar que ela se desloca conforme a nossa percepção, portanto é altamente mutável e inquieta. Nossas horas de vigília são totalmente tomadas por sensações (através dos 5 sentidos), pensamentos e emoções, tudo se sucedendo velozmente, sem controle nenhum (exceto em pessoas treinadas).

Uma forma de acalmar e treinar a mente para nosso benefício é praticar meditação.

A mente também propende a reações dualistas de atração e repulsão, amor e ódio e assim por diante. (...) Para afirmar uma coisa temos de sugerir o contrário. (...) Por exemplo, se dissermos a alguém que não pense num macaco, esse alguém naturalmente pensará num macaco.”

(... )”Ela pode facilmente cair presa dos opostos, ou vir a ser vítima de sua própria tendência para mudar de ideia. Por esta razão não deveríamos tentar obrigar a mente a se voltar a nenhuma direção determinada, mas deveríamos procurar conservá-la longe de quais quer extremos”.

Estes dois parágrafos acima são de extrema importância para aprendermos a controlar a mente e merecem uma detida reflexão.

Sem os pensamentos, a mente desaparece. O problema maior é conseguirmos eliminar os pensamentos. Muitas vezes eles parecem um macaquinho doido dentro de nossa cabeça (lembrando que usamos o cérebro como ferramenta). Uma das coisas mais difíceis, para nós ocidentais, é fazer meditação (eliminando os pensamentos), mas é possível através do treino. De início a gente consegue esvaziar a mente nada mais do que um segundo, depois, aos poucos, vamos aumentando o tempo.

Outro controle que precisamos fazer é sobre a qualidade dos nossos pensamentos – o quê pensamos.

Como pensamentos são energia, eles também passam a existir, ter uma vida própria (os orientais chamam de formas-pensamento). A duração de suas vidas vai depender de quantas vezes temos o mesmo pensamento e de sua intensidade (emoção ou sentimento que o acompanha). Pensamentos fugazes e que não se repetem têm vidas (permanência) fugazes também.

Na Psicologia Clínica é comum encontramos pacientes que apresentam pensamentos recorrentes, que chamamos de obsessivos. Tais pacientes acabam se tornando vítimas de seus próprios pensamentos porque os mesmos já ganharam vida própria e teimam (e como teimam) em se apresentar novamente criando um círculo vicioso.

“Só quando mudamos nossos pensamentos mais profundos é que podemos realmente mudar e ir além dos limites impostos pela mente. Isso é muito mais do que mudar nossas ideias sobre as coisas, implica alterar nossos sentimentos e instintos mais profundos.”

Isso é nos livramos de hábitos arraigados e vícios mentais. Não é tarefa fácil, mas é realizável.

Como o assunto é muito amplo, retornarei ao mesmo em outra ocasião. Para os interessados em se conhecer melhor, recomendo o livro do Frawley.

Citações: Uma Visão Ayurvédica da Mente, Dr. David Frawley. Ed. Pensamento

Imagem: tresjoiastextos.blogspot.com

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Fineza saiu de moda?



Recebi por e-mail, na forma de pps e desconheço a autoria, mas vale partilhar com vocês, principalmente porque percebo que vivemos atualmente tempos onde a grosseria, a falta de respeito e a intolerância permeiam o nosso dia a dia.

Já começa na escola, com o bulling. Sei que isso é coisa antiga, sempre existiu nas escolas, mas somente crianças muito agressivas ou de tendências psicopáticas eram as autoras. Atualmente , convenhamos, está generalizado, quase lugar comum.

Depois vêm os Hulks do trânsito, os colegas de trabalho que adoram” puxar tapetes”, aqueles atendentes antipáticos e de má vontade nos órgãos públicos, os políticos subornáveis, enfim um bando de gente que nunca mereceria ser chamado de “gente fina”.

Fineza não tem nada a ver com status, riqueza ou poder, tem a ver com sentimentos de nobreza interior e não com linhagem.

Vocês lerão comentários simples, mas apropriados, e vale refletir sobre como cada um se encaixa, ou não, em cada um deles.

Se fosse um teste, que nota você receberia ao final ... ?

Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.

Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação. Todos a querem por perto. Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões quando necessário.

É simpática, mas não bobalhona. É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir.

Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana. Ajuda-o, mas permite que você cresça sozinho.

Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não somente para agradar.

Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia.

Gente fina não julga ninguém, ... tem opinião, apenas.

Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.

Gente fina não veio ao mundo para colocar areia no projeto dos outros.

Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.

Gente fina não faz fofoca,   se coloca no lugar do outro.

Gente fina é amável, honesta, verdadeira e confiável.

Gente fina é generosa, suas mãos têm sempre algo para oferecer.

Se colocarmos na balança, é ELA quem faz a diferença.

Gente fina... é que tinha de virar moda!


Imagem: dicasdebutantesenoivas.blogspot.com

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Com o que ou com quem você se identifica?

identificação

Em Psicologia define-se identificação como: um processo psicológico pelo qual um sujeito assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo desse outro.

Estou trazendo este tema para reflexão porque tenho notado que nos últimos anos, após o advento do culto à imagem, está havendo muita identificação, principalmente por parte dos jovens, com figuras que aparecem na mídia.

Pode se confundir empatia com identificação, mas são diferentes. Empatia é sentir com o outro, identificação é sentir e/ou agir como o outro e pode ser uma característica doentia. Por ex: você se identifica muito com um amigo e quando ele está com dor na coluna, você também passa a sentir dor.

Na adolescência é até considerado “normal” a identificação por tratar-se de uma fase de transição, onde o ser ainda não estabeleceu sua identidade completamente, mas passada esta época a identificação pode assumir um aspecto preocupante. Aqui não me refiro à identificação “normal” (sem caráter de mecanismo psicológico) como por ex. identificar-se com outro indivíduo porque ambos são da mesma espécie: humanos.

A identificação não precisa ser necessariamente com outra pessoa/s, lembro-me com horror de um programa de TV que assisti faz tempo onde aparecia uma jovem americana que fez uma infinidade de cirurgias plásticas para ficar “igual” à Barbie.

Também é bem comum a identificação com as massas em determinadas circunstâncias. Um mestre já disse: “Alguém vai andando por uma rua, de repente se encontra com as turbas que vão protestar por algo ante o palácio do Presidente. Se não está em estado de alerta (auto-observação) identifica-se com o desfile, mescla-se com as multidões, fascina-se e a seguir vem o sonho: grita, lança pedras, faz coisas que em outras circunstâncias não faria, nem por um milhão de dólares”.

A esse fenômeno Freud dizia ser trocar o ideal de ego pelo ideal de massa e também afirmava que o irreal sempre prevalece sobre o real (este assunto dá um livro ...).

Portanto identifica-se um tripé neste tema: identificação – fascinação – sonho (o irreal). É muito fácil deixar-se levar pela fascinação. A fascinação nos remove, ainda que por instantes, da banalidade e/ou mesmice do dia a dia e aí reside o perigo de se resvalar para o sonho (o irreal).

Para ser honesta, antes de continuar, devo lembrar a todos que as religiões sempre pregaram a dissolução do indivíduo em favor do bem maior de todos (!?). Nos foi ensinado que pensar primeiro em si é egocentrismo e contrário às leis cristãs. Isto acabou por gerar “seres catatônicos, acéfalos que seguem os meandros da passividade e do conformismo”. (Fábio Cardoso Lopes) Bem, nem tanto, mas que a frase é de efeito, lá isso é ...rsrs

Exageros de lado, em muitas situações e/ou culturas encontramos exatamente isso, pessoas que se deixam levar pelos seus governantes, pelos seus pastores ou padres e finalmente pela mídia (“ser” onipresente nos dias atuais) o que as induz à identificação com aqueles que são “exemplos”. Já no seio da juventude vemos os jovens, e até crianças, identificando-se com astros da música e do futebol. Usam as mesmas roupas e penteados de seu “ídolo”, repetem as frases das pseudo-músicas tão em voga atualmente e por aí vai.

Não existe mais originalidade, todo mundo vai na “onda” do que está na moda sem parar para refletir se lhe é adequado ou não, se é saudável ou não, se é ridículo ou não.

A identificação com as massas é sempre perigosa, desde aquela com astros pop drogados a outras de caráter violento que ocorrem nas convulsões político-sociais.

Os indivíduos em vez de estarem identificando entre si, estão identificando com a totalidade social irracional. Os indivíduos têm de dar conta da falsidade de sua própria condição: ser objeto e não sujeito em uma tal realidade em que ele se amolda à dominação social.” (Dulce Regina dos Santos Pedrossian)

É impossível que alguém possa despertar a consciência se se deixar fascinar, se cair no sonho.

Imagem: tribosurbanas23.blogspot.com

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