"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Decifra-me ou devoro-te

esfinge

Segunda a lenda do enigma da Esfinge esta era a frase que a mesma proferia a todo viajante que dela se aproximava. Já li mais de um significado ou explicação sobre a mesma, mas como agora não lembro de nenhuma vou colocar aqui uma “ateniana” que se adequa ao propósito deste post.

Vamos transportar a frase para qualquer ser humano.

Decifra-me ou devoro-te homem/mulher, eu sou teu eu interior. Teu verdadeiro eu. Sou teu subconsciente e inconsciente, teus sonhos e devaneios, tuas dúvidas e perplexidades, tuas crenças e valores, teus defeitos e qualidades, amores e ódios, desejos e aversões, fragilidades e fortalezas.

Se não me decifrares não crescerei em consciência, não evoluirei como ser porque o autoconhecimento é o primeiro passo e eu te devorarei ao transformar-te de ser humano livre e autônomo em mero joguete das Parcas, mera folha ao vento do destino.”

Quem não se conhece será sempre refém de suas emoções, de suas desconhecidas crenças limitantes e de suas percepções distorcidas.

Quem não se conhece diz A quando queria ter dito B. Tira conclusões equivocadas sobre si e sobre os outros já que é comandado pelas crenças que tem e desconhece que as têm.

Quem não se conhece tem maior chance de fazer escolhas não benéficas para si mesmo e depois fica culpando fulano ou beltrana ou a má sorte.

Quem não se conhece terá mais chance de insucesso em seus relacionamentos, pois poderá ser manipulado pelo outro, poderá ficar carente de argumentos válidos numa discussão crucial, poderá ter sua auto-estima abalada por comentários equivocados ou maldosos do outro, etc.

Quem não se conhece mais facilmente entra em conflito com os demais.

Quem não se conhece se auto-engana a maior parte do tempo e disso podem vir conseqüências desastrosas tanto na vida pessoal quanto profissional.

Quem não se conhece pode ter uma vida ralada, medíocre e se achar o “rei/rainha do pedaço” ou, ao contrário, ser uma pessoa excepcional e se considerar um lixo.

Quem não se conhece pode ficar marcando passo, estagnado em alguma situação onde não vê saída porque desconhece o próprio potencial ou, ao contrário, pode dar o passo maior que a perna porque desconhece suas limitações.

Há muitos que não querem se conhecer. A estes eu digo: são covardes!

Sim, porque autoconhecimento demanda coragem para vasculhar ou literalmente mergulhar em seu lado escuro: suas limitações, seus medos, seu lado desonesto, seu viés cruel, sua agressividade, sua raiva, sua covardia, enfim tudo aquilo que o ser humano apresenta como características bem humanas, mas que a sociedade e as religiões condenam.

Todos nós temos esse lado sombrio, ninguém escapa. Em alguns o lado sombrio é bem maior que o luminoso, mas na média da humanidade não o é. Ninguém é perfeito, ninguém é 100% “bonzinho”. Só os hipócritas pensam que o são e os ingênuos pensam que alguém assim existe.

Não tenha medo, quando a gente começa a mergulhar no nosso lado sombrio eu sei que começa um pânico, ansiedade e angústia, mas à medida que vamos analisando os porquês de sermos assim ou assado, vai ficando mais fácil a aceitação desse lado tão indesejável e muito do que encontramos de “negativo” já podemos ir mudando (se assim o quisermos) e nos tornando pessoas melhores e mais evoluídas.

Uma advertência: ao se aprofundar no seu lado sombrio, jamais, jamais se julgue ou condene. Não é dito que Deus nos aceita e ama como somos? Então faça como Ele.

Quem não se conhece não pode se amar de verdade, pois só após conhecer cada canto obscuro seu, só após chegar ao âmago de sua menosvalia, será capaz de começar a dar valor a todo o brilho que tem a despeito de todo o obscuro que em si encontrou. Irá conscientizar que isso tudo que é - é simplesmente ser humano. Nem pior nem melhor que todos os demais. Somente diferente em sua individualidade.

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quero mudar, mas não consigo

mudanças
Esta é uma das frases mais ouvida em consultório de psicólogos terapeutas.
Realmente o ser humano está sempre almejando mudanças, mas paradoxalmente não gosta de mudanças.
Por quê? Porque a mudança pode ser vista como combate ao tédio, mas ao mesmo tempo significa o desconhecido. O terrível monstro de sete cabeças! rsrs
Todos nós gostamos de viver dentro do que é chamado “zona de conforto”. Ah, e como é difícil sair dela!
Na zona de conforto podemos estar num mau emprego, mas pelo menos estamos empregados (ufa, que alívio) ...
Podemos estar numa relação a dois conflituosa ou aborrecida, mas pelo menos não estamos sozinhos ...
Podemos sentir muita vontade de ter amigos, mas pelo menos não precisamos ter de ser simpáticos ou agradáveis quando não estamos com vontade (isto é o que achamos que é preciso para ter amigos) ...
Podemos odiar os quilos extras do nosso corpo, mas pelo menos não precisamos ir ao fundo da questão que é descobrir por que estamos gordos (o que realmente nos falta ou deixa infelizes) ...
Podemos nos sentir magoados porque os outros nos rejeitam por sermos teimosos, agressivos ou falsos, mas pelo menos não precisamos nos auto-analisar (sabe-se lá quantos monstros e melecas podem sair daí) ...
Enfim, já deu para entender os benefícios da zona de conforto, não é?
Não é fácil mudar e nem se consegue de um dia para o outro, mas quando existe uma forte motivação para a mudança, vá em frente, pois vale a pena.
Cada caso é único, contudo para todos é proveitoso conhecer o como a mudança se processa para pode ter sucesso na empreitada.
Primeiramente aceitamos a idéia da mudança que desejamos no nível mental. Racionalmente concluímos que é a atitude certa a tomar.
Esse período de “digestão” mental varia para cada pessoa e algumas, porque a mudança não acontece, param por aí mesmo.
A mudança não acontece nesta fase porque ela não depende de raciocínio mental, não depende da razão. Por isso técnicas como PNL tem resultados incompletos ou reversíveis.
Se você persistir em seu intento começa o segundo período ou fase – a “digestão” emocional. Você começa a setir alguns efeitos benéficos de suas tímidas mudanças ou alterações de comportamentos e atitudes e isso já o deixa feliz ou ao menos satisfeito.
Se parar por aí, está ferrado. Após algum tempo volta tudo à estaca zero.
Para a mudança se tornar definitiva você deverá entrar no terceiro período – a mudança de valores.
Aí é que “a porca torce o rabo” pois esta é a parte mais difícil, pois valores pessoais levam algum tempo para serem construídos e incorporados ao sistema de cada um.
Uma forma de ajudar nesta fase é o reforço do estímulo. Por exemplo, você leu algum texto ou livro que fala da mudança que quer alcançar, então deixe esse material na sua mesa de cabeceira e releia-o frequentemente. Pode ser antes de dormir, fará mais efeito.
Poderá, também, escrever a mudança desejada elencando todos os benefícios decorrentes da mesma e reler frequentemente.
Este é o método que chamo “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, rsrsrs , mas não é brincadeira não, é fundamentado em nossos processos psíquicos.
Seja feliz e tenha sucesso com suas mudanças!
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Você tem controle da sua vida?

controller
Não. Você só pensa que tem. É um auto-engano muito comum.
Então vamos esclarecer para você se conhecer mais um pouco.
Primeiramente, como em qualquer medida de comportamento humano o controle também segue a Curva de Gauss. Há pessoas que não tem a mínima preocupação em controlar e isso vai num crescendo até àquelas que são altamente controladoras, não só da própria vida, mas também daqueles que a rodeiam.
Como isso começa? Pode haver várias causas, mas a mais recorrente é o sentimento, inconsciente e bem arraigado no ser humano, de impotência e fragilidade já que somos mortais. Por exemplo: nos sentimos impotentes ante as forças da natureza ou perante as doenças que tanto mal e sofrimento nos causam. Então o controle ou pseudocontrole surge como uma reação ou mecanismo inconsciente de defesa.
A necessidade de controle já começa na adolescência, às vezes até mais cedo. Atualmente está bastante comum entre as adolescentes do sexo feminino a necessidade doentia de controlar o peso corporal culminando com a anorexia e bulimia.
Pessoas controladoras são mais ansiosas e mais propensas a doenças psicossomáticas. São também as mais rígidas (emocionalmente), o que se manifesta no físico: esticadas e estaqueadas, músculos comprimidos, muitas vezes lábios contraídos, ombros retos (exceção militares e bailarinos), eu as chamo de “tábua de passar roupa”. Recebi algumas em meu consultório. Você provavelmente conhece o tipo. Ah, e não esqueça de se olhar num espelho onde possa se ver por inteiro e avaliar se não se enquadra também.
Há também os controladores do tipo prepotente, do tipo CEO (seja lá do quê), do tipo Ego Titânico. Esses a gente encontra facilmente dentro dos ambientes de trabalho e dão uma trabalheira danada ao pessoal de RH. rsrs
Essa característica humana pode se manifestar de várias formas também. Há pessoas que enfocam o controle nas suas finanças, outras em sua alimentação, outras ainda têm vários planejamentos dirigidos a diferentes áreas como visitas a amigos, férias, horários para isso ou aquilo. E tudo isso é pura perda de energia, pois todos nós sabemos que existe algo chamado imprevisto que pode nos pegar de surpresa a qualquer momento.
Então, a gente pensa que controla, mas esse controle é muito parcial e vejamos por que:
a) nós temos aproximadamente 2/3 de conteúdo inconsciente em nosso psiquismo (impossível de controlar);
b) a humanidade é dirigida por inúmeros e diferentes ciclos naturais dos quais não tem sequer noção, conhecendo somente alguns como os ciclos solar e lunar (se você quiser conhecer alguns outros, pergunte ao seu médico);
c) estamos o tempo todo em contato e sob a influência da consciência e inconsciência coletivas que afetam tremendamente as pessoas que não bloqueiam essa interferência porque a desconhecem;
d) dependemos de governos, leis e normas sociais;
e) há também a mídia que, cada vez mais, dita modas e forma opiniões.
Estes são alguns dos motivos porque não podemos exercer um controle realmente efetivo sobre nossas vidas.
Reflita comigo: se você concordou com o exposto, não fica muito mais fácil levar a vida de uma forma mais zen ou fluída evitando assim ansiedade e stress?
Não estou indo contra o planejamento que muitas vezes se torna necessário se quisermos ter sucesso nalgum empreendimento. O que quero deixar claro é que na rotina do dia a dia não carecemos tanto assim de controle, se deixarmos as coisas fluírem elas se acomodam naturalmente. Também é muito bom para os familiares, para uma relação mais harmoniosa, e se livrarem do “mala sem alça” que os controla o tempo todo, interferindo nas liberdades individuais.
Então, você é um ser livre ou um game nas mãos de um jogador, mesmo que este seja você mesmo?
Imagem: londrina.olx.com.br
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domingo, 31 de outubro de 2010

Você é empático ou simpático?

Empatia
Por que existem pessoas com as quais desconhecidos conversam e até contam intimidades? Já aconteceu com você, no ônibus ou na fila do banco? Se a resposta é sim você deve ser alguém empático. As pessoas empáticas parece que atraem uma conversa ou confidência.
Empático: é aquele que demonstra ou sente empatia.
Empatia: capacidade de sentir o que outra pessoa sente em determinada situação. Saber colocar-se no lugar do outro.
Há pessoas simpáticas que não são empáticas. Simpatia é ser cordial, sorridente e delicado nas relações humanas, mas não necessariamente sentir com o outro.
Há muitos que já nascem com essa capacidade de empatia, outros a desenvolvem no decorrer de suas vidas.
E há outros em cujo dicionário esta palavra não existe. Por quê?
A empatia tem a ver com bondade, compaixão e sensibilidade, contudo nem toda pessoa sensível é empática. Uma pessoa pode ser sensível às artes, por exemplo, e não ser sensível ao sentimento ou sofrimento dos outros.
Para sermos empáticos temos de não só ver as nossas necessidades, mas as dos outros também. Por que devemos achar que as nossas necessidades são mais importantes que as dos demais?
Precisamos primeiramente nos conhecer, conhecer nossos sentimentos, carências e necessidades para poder entender os sentimentos e carências do outro.
Precisamos enfocar mais as semelhanças que existem entre nós porque assim fica mais fácil aceitar as diferenças.
A falta de empatia também pode ser um problema mental. É sabido que os psicopatas ou sociopatas não têm a mínima capacidade de empatia. Sua relação com os demais é totalmente egocentrada e carente de afeto.
Simpatia pode trazer qualidade de vida, vencer oposições, obstáculos ou atrair pessoas, mas empatia pode conquistar amizades ou, quem sabe, aquela criatura sensacional em que você está interessado afetivamente ...
Nas relações humanas, tanto sociais quanto afetivas, haveria bem mais entendimento se as pessoas fossem mais empáticas.
Cada vez mais no mundo dos negócios os empresários procuram pessoas empáticas para atender seus clientes porque já constataram sua eficácia na fidelização dos mesmos. E existem técnicas para desenvolver a empatia. O Dr. Martin Portner, neurologista, trabalha já há algum tempo com técnicas muito interessantes que ele disponibiliza em seu site.
Para quem interessar, este link é para download de seu e-book sobre Empatia no Trabalho: http://portner.sites.uol.com.br/empatia/index.html
Para finalizar, aqui vai um texto de alguém que, muito mais do que eu, resume com perfeição o assunto:
O Milagre da empatia
Artur da Távola
O mais difícil dos sentimentos é o sentimento do outro. O outro é ele e és tu. Ele é realmente o outro ou é a parte tua que não queres ser, saber, ver ou aceitar? Tu és o outro para os outros, logo és igual a ele. Todos somos “outros”. E, no entanto o outro invade, ameaça, mastiga de boca aberta, irrita, eriça, machuca. Até teu filho é o outro. E tu, pobre pretensioso, pensas que ele é teu…
O sentimento do outro quantas vezes te faz parar, meditar, deixar de fazer o melhor que tens ou podes, só porque o outro é o mistério que te ameaça. Por que o outro te ameaça? Porque és tu. Quanto maior teu sentimento do outro, maior será teu o sentimento do melhor e do pior que tens.
O sentimento do outro não é sentir por ele. É saber o que ele sente. É avaliar o como e o quanto ele sente. O sentimento do outro não é o masoquismo de fazer teu, um sofrimento que só a ele pertence. É dimensionares a medida certa do sofrimento dele e só poderes ajudar porque não fazes teu um sofrimento que é alheio mas o entendes e sentes, na exata medida de sua extensão, sem as marcas e as limitações da dor enquanto dói. Não é ficar como o outro. É ficar com o outro. O sentimento do outro é quase um milagre. Cuidado com ele, vai te obrigar a ceder, a entender. Atrapalhará para sempre teu desejo, tua gula e vontade.
O sentimento do outro é aquilo que é mais prático não ter. Mas, em caso positivo é contágio de saúde: não podes deixar de exercê-lo. Senão fermentas. Senão apodreces.
Ele freará tua vitória, calará teu brilho e tua boca, impedirá tua vaidade. Pode, até, te pregar a suprema peça de te fazer entender os detestáveis. Cuidado com ele! Quanto maior, mais anulador! Quanto mais anulador, mais repleto de grandeza.
O sentimento do outro, talvez te faça tímido, herói, cais, antena. Ser antena dilacera, sabias? O sentimento do outro te exigirá nervos, músculos, e uma paciência de anacoreta. Quanto mais o outro o perceba em ti, mais ele te invadirá, cobrará, exigirá, até quando, exaurido, ainda consigas juntar os cacos do teu cansaço para, ainda assim, prosseguir.
O sentimento do outro é tua glória e tua tragédia! Tanto mais o terás quanto encontres em ti os escaninhos escurecidos do que és e, ao mesmo tempo as luzes do que, ainda puro, brilha em ti.
O sentimento do outro é o conteúdo oculto do amor ao Próximo.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ouça com os ouvidos!

ouvindo
E não com a mente.
Como é que é?
Sim, grande parte das pessoas, se não a maioria, ouve com a mente, ou seja, através de suas convicções, crenças, preconceitos, defesas inconscientes e etc., etc. Ah, e ouvem o que o outro fala, sem escutar, já formulando mentalmente a resposta e os argumentos que irão contrariar o que o outro está dizendo. Aff.
Às vezes perco a paciência com esses apuradinhos “surdos”. Dizem que saber ouvir é uma arte. Não é não, é só intenção de escutar o que o outro diz, sem formular seus argumentos mentalmente antes que o outro acabe de falar. Conheço uma pessoa que, como adora competir comigo pra ver se é melhor ou mais inteligente ou mais sábia do que eu, é um exemplo perfeito do que estou dizendo. E como é cansativo conversar com alguém assim, mesmo porque acho esse tipo de competição uma perda de tempo!
Geralmente pessoas assim não são muito lúcidas porque se o fossem dar-se-iam conta que não estão contra-argumentando com lógica ou bom senso. Costumam confundir “alhos” com “bugalhos”. Você diz uma coisa, ela entende outra. Você está na metade de sua frase e ela já interrompe despejando rapidamente o que ela concluiu do que você disse.
Lucidez é autoconsciência também!
O ser humano ouve o que quer ouvir e vê o que quer ver. Quem estuda Comunicação sabe bem do que estou falando. São os chamados filtros do que chega aos nossos ouvidos ou olhos.
Vejo nos comentários, aqui no blog, essa característica bem humana. Faço aqui algumas declarações que certamente são estranhas e controversas para muitos, no entanto não encontro questionamentos nos comentários, somente aprovação daqueles que concordam comigo e desaprovação dos discordantes. Não há questionamento, que é o caminho para aprofundar qualquer assunto e dirimir dúvidas e diferenças de opinião.
Recentemente tive uma troca de e-mails com um indivíduo ateu. Bobona como sou, tive o trabalho de descrever alguns fatos (um fato é algo que não admite interpretação, ele é!) que mostravam a existência de “algo mais” além do que podemos perceber através de nossos cinco sentidos. Bom, o indivíduo, tirou conclusões (falsas), somente valorizou no texto o que lhe convinha para contra-argumentar, ou seja:joguei meu tempo fora. Isto é o que chamo de ceticismo burro e cego!
Quanto maior a falta de convicção (inconsciente) de uma pessoa nas suas crenças, maior será o fervor com que as defenderá. Esta frase descreve bem os fanáticos, seja de que lado estejam. Porque no fundo, lá bem no fundo, todos nós temos um conhecimento, um saber que já nasceu conosco, está no nosso DNA e que, muitas vezes, ao contrariá-lo nos vemos de calças curtas para argumentar.
Você pode perceber isso quando a outra pessoa começa a gritar, se estiverem conversando. Pronto: gritou - perdeu a razão. Outra forma: usar de sarcasmos e/ou ironias. Tudo é defesa, autodefesa!
Além do já exposto, outras dificuldades apresentadas pelo ser humano na comunicação:
- Discordar do outro simplesmente para se autoafirmar.
- Minimizar ou desqualificar a declaração do outro.
- Só aceitar aquilo que já é conhecido, rejeitando tudo que for novo ou diferente.
- Generalizações.
- Não reconhecer quando está sem razão.
- Não admitir a própria ignorância sobre o assunto em pauta.
- Arrogância e prepotência.
- Uso do mecanismo de projeção que nos leva a atribuir ao outro intenções que nunca teve, mas que teríamos no lugar dele.
Para finalizar, lembrem –se que:
- um bom ouvinte toma melhores decisões porque tem melhores informações;
- um bom ouvinte poupa tempo porque aprende mais em menos tempo;
- bem ouvir ajuda o comunicador a avaliar como sua mensagem está sendo recebida;
- um bom ouvinte estimula os outros a falarem melhor;
- bem ouvir diminui desentendimentos.
Abram as orelhas, gente! Rsrsrs
Imagem: audiotonal.com.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sua Sombra

sombra
Temos muito medo daquela parte nossa que Jung chamou de “a sombra”, a parte que também contém todos os nossos sentimentos vistos como negativos: raiva, ganância, egoísmo, orgulho, fraqueza, desdém, inveja, etc. Mas, vejam bem, se esses atributos fazem parte de nós, não adianta negá-los, eles não vão desaparecer por isso, de alguma forma irão se manifestar, se não for na nossa interação com as pessoas ("puxa vida, eu jurei que iria me controlar, mas acabei gritando e fazendo o maior escândalo..."), será no nosso corpo físico ocasionando as dores e/ou doenças.
Tudo aquilo ao qual nós resistimos - persiste!
Na tentativa de ignorar nosso lado negativo, utilizamo-nos de mecanismos de defesa que acabam por construir uma legítima máscara. Assim, por ex., o homem inseguro de sua masculinidade ou desempenho sexual irá comportar-se como o “garanhão da noite”, medindo sua capacidade pela quantidade (sempre grande) de conquistas por uma noite; tem também os casos de mulheres em posição de chefia que são os próprios “generais em comando”, na tentativa de esconder sua insegurança profissional, bem como sua inadequação para o cargo (porque ela cresceu numa sociedade machista que sempre priorizou os homens para cargos de direção).
Nós só poderemos nos amar realmente quando aceitarmos todas as nossas facetas. É difícil aceitarmos nossos defeitos? Claro que é! Todos nós queremos ser bonzinhos , afinal de contas, é isso que esperam de nós. "Mas que coisa... eu não consigo ser bonzinho o tempo todo!... "
Ahá! Eis o problema!
Já que não conseguimos manter sempre a imagem idealizada que tanto gostaríamos, o que faz com que, inúmeras vezes, nos detestemos, vamos tratar de descobrir quem realmente somos e com persistência e CARINHO ir aos poucos integrando e aceitando essas partes que não gostamos, pois com isso elas tenderão a desaparecer, pelo menos algumas, e as que permanecerem não mais causarão culpa, revolta ou negação.
Já é bem conhecida a sentença que diz: “somos três pessoas diferentes, a 1ª como nos vemos, a 2ª como os outros nos vêm e a 3ª como realmente somos”. O difícil é mudar a ótica de “como nos vemos”. As pessoas que desde cedo criaram o hábito de se analisar têm mais facilidade de mudá-la, entretanto as outras (que acham que se conhecem, mas nunca entraram para dentro de si mesmas) apresentam uma resistência enorme em mudar a visão que têm de si mesmas.
Você pode começar pela observação das pessoas que o rodeiam: familiares, amigos, colegas de estudo ou trabalho. Existe algum tipo de pessoa que, "vira e mexe", está aparecendo na sua vida? O tipo egocêntrico, o mandão, o lamuriento, o intrometido, o ganancioso, o trapaceiro, etc.? Faça essa análise em relação a várias pessoas. Pode , inclusive, ser uma pessoa pública que você não gosta. Faça uma lista de atributos para cada uma. Haverá alguns que você não aprecia, mas que não o incomodam realmente, outros, no entanto, mexem com você, o deixam indignado. Aí está o espelho! São esses que fazem parte de sua sombra e que você nega ou reprime. Essas pessoas estão aparecendo na sua vida para que você se conscientize desses atributos, os integre e aceite.

Vá fundo, não tenha medo do que poderá descobrir a seu respeito, afinal de contas, se você não divulgar, ninguém vai ficar sabendo...
De início pode doer, você ficar deprimido, desapontado consigo mesmo, mas com a continuidade vai ficando cada vez mais fácil, pois a cada faceta negativa aceita, você ficará mais forte e menos crítico consigo.
Analise também as situações que se apresentam na sua vida. Aquelas que se repetem estão tentando mostrar a você alguma coisa... Preste atenção!
O triste nisso tudo é que a sombra é nossa real essência e como tal também armazena as nossas características divinas: amor, criatividade, curiosidade, compaixão, honestidade e principalmente o nosso poder. Sim, o poder de seres divinos que somos.
Por último, gostaria de deixar bem claro que nós não nos amamos (realmente) porque fomos criados e educados numa sociedade que enfatiza o erro e a culpa. Não existe erro. Todas as experiências que vivenciamos é um aprendizado, portanto não temos que sentir culpa nenhuma. Eliminando a culpa, aceitando nossas facetas negativas como parte deste aprendizado na terceira dimensão acabaremos por, finalmente, nos amarmos incondicionalmente.
Verdades a Respeito da Sombra
- Nasceu junto conosco para proteger todo o material interno com o qual nós somos incapazes de lidar ou aceitar. Na infância: as humilhações. Na adolescência: as paixões, os desejos, o fluxo de energia incontrolável.
- É a inimiga do ego negativo, pois ela pode destruí-lo ou dominá-lo.
- O ego negativo diz: "Não seja autêntico, seja aceitável". "Não se exceda, seja normal". "Não faça nada novo ou diferente".
- A Sombra diz: "Olhe para dentro, vá fundo. Isto é o que você tem que encarar para ser autêntico". "É através de mim que você chega à mudança, à transformação para um ser pleno e livre".
- Seu ego negativo mente sempre. Quando você está para fazer uma bobagem, o ego diz: "Vai em frente, é isso mesmo!"
Quando você fez algo altamente elogiável, ele diz: "Você está sendo presunçoso, metido. Tem que ter humildade". Ou: "Ah, é, hoje você acertou. E das outras vezes? Foi um desastre! O acerto de hoje foi por acaso!"
- Temos de subordinar a sombra e não contê-la, ou seja, utilizar e dirigir as energias que ela conserva para nós (a energia da raiva, por exemplo).
- Fazer as pazes com a sombra não vai fazê-la desaparecer. Ela é uma parte nossa. Vai, sim, trazê-la para mais perto, ser conscientizada, portanto mais fácil de controlar.
Aceitar a sombra vai fazer com que aceitemos nossa totalidade, com isso gerando auto-estima.
Negar a Sombra é como jogar o lixo para debaixo do tapete, ele vai continuar lá.

O lado luminoso da Sombra
- O poder que fingimos não possuir.
- O amor, a intimidade, a honestidade, o caráter, a moralidade, a espiritualidade.
- A força que nos embaraça e faz termos medo de parecer arrogantes.
- Todo o "feminino" que foi negado.
- Todo o ”masculino" que foi castrado.
Ser íntegro é ser inteiro, é aceitar-se totalmente, descobrindo nos "não acertos" a oportunidade de crescimento.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O tripé da tragédia humana: medo

medo200
O ser humano é um ser mergulhado em medos. Já na infância os pais vão ensinando aos filhos a ter medos: medo de fogo, medo de facas, das tomadas elétricas, de altura, etc. É correto que assim o façam porque estão protegendo seus filhos de possíveis acidentes. Vejam bem: possíveis, não predestinados a acontecer, mas como é que os pais falam às crianças?
“Sai de perto do fogão senão vai se queimar!” E não: “Sai de perto do fogão senão pode se queimar.”
Via de regra, os adultos transmitem às crianças possibilidades como sendo algo predeterminado. Crianças não têm como avaliar a veracidade do que ouvem, tendem a acreditar no que os adultos dizem e aí começam a se instalar as crenças e grande parte delas vai se aninhar no inconsciente.
Bem, mas qual é origem todos os nossos medos?
A principal é o medo que toda a humanidade tem de não voltar à Fonte (o Criador), mas como quase que a totalidade sequer sabe que faz parte da Fonte, canalizou esse medo para a morte, o grande desconhecido. Então podemos dizer que a maioria dos medos está concentrada na sobrevivência: medo de se ferir, de ficar doente, de não ter o que comer, de não ter um teto. Também há a considerar a sobrevivência do “eu” ou ego. Aí vem os medos de: ser ignorado, rejeitado, não amado, humilhado, ofendido, etc.
O medo da morte também está associado ao medo do desconhecido numa escala mais ampla. Uma considerável parte da humanidade rejeita ou tem dificuldades com as mudanças por esse medo ao desconhecido.
Já presenciei cenas do tipo: “- Cara, você está se destruindo, sofrendo prá burro e não faz nada para mudar isso?” E o “cara” não faz nada! Até diz que está tentando...
Mas é assim mesmo que funciona a psique humana: está sofrendo, mas aquela situação é conhecida, pode ser manejada ou controlada. Se mudar, o que poderá acontecer? Como reagirá, como enfrentará? Que ferramentas haverá para auxiliá-la?
Para finalizar, vamos ver algumas dificuldades humanas, todas baseadas no medo.
- Inveja. Medo de não ter ou não ser o que o outro tem ou é.
- Cinismo. Medo de se abrir, de ser autêntico.
- Arrogância. Medo de deixar transparecer a falta de auto-estima (o quão pequeno se sente lá no fundo).
- Agressividade. Medo de demonstrar fraqueza ou medo de ser atacado.
- Machismo. Medo do poder de sedução das mulheres. Elas são poderosas. hehehe...
- Perseguição (muito comum no ambiente empresarial). Medos diversos, desde perder o cargo, por exemplo, o status pessoal, seja lá qual for, a ...sei lá. A complexidade do comportamento humano não permite se descobrir ou prever tudo.
O exposto tem o objetivo não só de ajudar no autoconhecimento como também lembrá-lo de não julgar tão sucintamente alguém que esteja sendo arrogante, agressivo, etc. com você. Ele está fazendo isso porque está com medo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Continuando a Matrix …

Antes de começar este texto sobre algumas de nossas crenças limitantes devo dizer que pode haver uma rejeição sobre parte do que vai ler, mas peço a você, leitor, que antes de dizer categoricamente que estou errada em minhas colocações, se dê um tempo para refletir.
Lembre que nossas crenças estão fortemente encravadas em nosso psiquismo o que faz com que as consideremos normais e ... corretas.
Vamos começar pela infância.
- Seja bonzinho ou obediente.
Já foi explicado que a raiva é uma emoção natural, portanto é incongruente se pedir a uma criança, que está tendo um furioso chilique, que seja boazinha. Quando passar a raiva ela se acalmará.
Quanto à obediência, a maior parte do que pedimos ou exigimos das crianças vai totalmente contra aos anseios de sua natureza na sua faixa etária, mas os adultos o fazem para sua própria conveniência.
- O estudo vem primeiro, a brincadeira depois.
Como? Toda criança deve brincar e ... estudar se sobrar tempo. Pelo menos até os 9 ou 10 anos. Eu tenho esperança que o nosso sistema de ensino algum dia vai mudar a idade para início do ensino formal (há outras formas de aprender o que precisamos para a vida e não para o Vestibular).
- Estudar para vencer na vida.
O que é vencer na vida? Ter mais posses materiais, cargos importantes ou honrarias? Quantos casos conhecemos ou já ouvimos falar de pessoas que alcançaram tudo isso e são depressivas, drogadas ou se suicidam?
Quem sabe vencer na vida não é ser feliz, saudável (principalmente da cabeça) ou bem adaptado ou realizado com o que faz?
Então vamos crescendo, já contaminados por vários conceitos de certo x errado, bom x mau e continua o torpedeamento de “princípios para bem conviver” em sociedade, ter sucesso na vida ou, no mínimo, não ser internado num hospício por ser diferente.
- Deus ajuda a quem madruga.
Existe sim um consenso que pessoa responsável e trabalhadora deve levantar cedo. Consenso que ignora completamente um ritmo biológico de todos nós: o ritmo circadiano que é diferente de pessoa para pessoa.
- A vida é uma luta, nada cai do céu.
Crescemos ouvindo isso. Incorporamos isso. Convenhamos que aí fica difícil ser feliz, não? Se tudo é difícil, precisamos nos esforçar muito para tudo e aí começam as dúvidas: será que eu posso ou consigo? As 16 horas normais de vigília vão ser suficientes para tudo que preciso fazer?
- Devemos amar pai e mãe.
Por que se eles não fizeram por onde? Amor se conquista, não se impõe. Essa crença já levou muita gente a terapias psicológicas e causa muita culpa quando a pessoa sente não amar pai ou mãe. As conseqüências são limitações de cunho emocional, psicológico e nas futuras relações amorosas.
- Sou muito gordo ou muito baixinho ou muito burro ou incompetente ou ....
Ok, limitações físicas ou mentais existem, mas cada um de nós é bom em alguma coisa. Vamos encontrá-la em vez de ficar tentando algo que está fora do nosso alcance.
- Quem ri muito hoje, chora amanhã.
Por quê? Existe lógica aí? Esta é uma crença oriunda das religiões que durante centenas de anos martelaram a cabeça dos fiéis dizendo que nascemos em pecado e precisamos ser salvos. Para isso precisamos fazer expiações (o uso do silício não é só ficção de Dan Brown – O Código Da Vinci) , sacrifícios e o prazer deve ser combatido (é coisa do diabo).
- Se acontece algo muito positivo foi graças a Deus, se fiz algo condenável foi satanás que me induziu.
Muito triste porque não reconheço minha capacidade de fazer ou trazer coisas boas para a minha vida e muito fácil atribuir minhas pisadas na bola ao tal de satanás, pois me exime da responsabilidade.
Tudo, absolutamente tudo é fruto de nossas escolhas, conscientes ou não.
- Auto-elogio é falta de modéstia ou humildade.
Que coisa mais hipócrita!!!!! Afff
Todos nós temos aqueles momentos em que nos sentimos “o rei ou rainha da cocada preta” e é ótimo que seja assim, pois isso indica momentos, pelo menos, em que a nossa auto-estima está alta.
Algumas outras crenças que também são limitantes:
- Cometer erros me incomoda muito.
- O mundo é cheio de injustiças.
- Tem coisas em mim que eu não consigo mudar.
- Muitas vezes penso que não sou bom o suficiente.
- Rico não entra no céu.
- Dinheiro é invenção do diabo.
- Homossexualismo é aberração, doença, pecado, sem-vergonhice, etc.
- Eu tento, mas não consigo. (É porque ficou só tentando, não fez)
Deu para ter uma idéia do quanto somos condicionados? E o exposto aqui foi só uma palhinha....
Desejo-lhe boas reflexões.
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