"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Está entediado? Descubra agora qual o seu tipo de tédio

tedio

Um mestre já disse que criamos dramas em nossas vidas porque na maior parte do tempo estamos entediados. O drama vem agitar um pouco as coisas e nos fazer sentir vivos.

Nem todo tédio é o mesmo, de acordo com um novo estudo.

“Uma equipe de pesquisadores do Canadá, Estados Unidos e Europa identificaram um tipo de tédio, chamado tédio apático, que envolve sentimentos desagradáveis de desamparo aprendido e que tem semelhanças com a depressão.

O tédio apático agora é o quinto tipo de tédio identificado por pesquisadores, que tinham detalhado outros quatro tipos de tédio em estudos anteriores. Os tipos de tédio são diferenciados tanto por um nível de excitação mental - que vão desde inquieto a calmo - e pela positividade ou negatividade associada a esse tédio.

A descoberta do quinto tipo de tédio é baseado em dados de 63 estudantes universitários e 80 estudantes do ensino médio na Alemanha. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Konstanz e da Universidade Thurgau de Formação de Professores, e foi publicada na revista Motivação e Emoção.

Confira os cinco tipos de tédio abaixo para saber que tipo de "aborrecimento" você está experienciando:

Tédio indiferente: Pessoas com esse tipo de tédio sentem-se aposentadas, indiferentes e relaxadas.

Tédio calibrado: Pessoas com este tipo de tédio se sentem inseguras e são receptivas a distrações.

Tédio investigador: Pessoas com esse tipo de tédio são inquietas e buscam ativamente uma distração ou mudança.

Tédio reagente: Pessoas com esse tipo de tédio estão motivadas a deixar a situação em que estão em uma alternativa específica.

Tédio apático: Pessoas experienciando esse tipo de tédio aprenderam a sentirem-se impotentes, semelhante à depressão.

Recentemente um estudo de Perspectivas em Ciências Psicológicas mostrou que, em geral, o tédio pode ser fixado a três coisas: 1) a incapacidade de se concentrar ou prestar atenção; 2) o conhecimento de que não podemos prestar atenção e 3) culpando a nossa incapacidade de prestar atenção em nossas circunstâncias.

Há bons e maus lados no tédio, de acordo com pesquisas anteriores. Um estudo do International Journal of Epidemiology, por exemplo, mostrou uma associação entre sentir-se entediado e ser mais propenso a morrer cedo de problemas cardíacos (embora os pesquisadores notaram que o tédio provavelmente está relacionado com fatores de risco, como beber ou fumar). Por outro lado, um estudo apresentado em um encontro da Divisão de Psicologia do Trabalho da Sociedade Britânica Psicológica mostrou que o tédio no trabalho pode facilitar a criatividade, provavelmente por causa de todo o tempo extra de sonhar acordado.” http://www.huffingtonpost.com/2013/11/18/boredom-five-kinds-apathetic_n_4297276.html?utm_hp_ref=healthy-living&ir=Healthy+Living

A despeito das conclusões dos pesquisadores sobre alguns benefícios do tédio, vamos combinar que o melhor é não senti-lo. E como conseguir isso?

Resposta óbvia: viver a vida ao invés de somente passar por ela. O ser humano acostumou-se a viver no piloto automático a maior parte do tempo. Repete diariamente, desde o levantar da cama, rotinas insignificantes, faz coisas sem prestar atenção, pensa uma coisa, mas diz outra diferente, corre de um compromisso para outro sem se dar um tempo para pensar em si próprio, cumprimenta o vizinho distraidamente (quando o faz), esquece, ao sair, de dar um beijo no cônjuge ou nos filhos, envolve-se em rituais mecânicos e sem sentido (falar sobre o tempo, fofocar de colegas, etc.), enfim ... passa pela vida.

E, quando a vida está muito chata, arruma um drama para poder, finalmente, sentir alguma coisa.

Precisamos lembrar que somos seres sencientes, o sentir faz parte de nossa natureza e é o sentimento que nos faz desfrutar a vida. Pessoas que têm uma vida rica de sentimentos dificilmente sentirão tédio.

Pensem nisso e não esqueçam também de alimentar seus cérebros com “comidas nutritivas” (cérebro ocupado não dá lugar ao tédio). Troque o Facebook ou o Twitter por um bom livro.

Imagem: noticias.universia. com.br

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Quando a profecia falha, a fé acaba?

raposa e as uvas

Em1956 Leon Festinger, psicólogo social estadunidense, lançou o livro Quando a Profecia Falha onde analisava o aprofundamento da fé dos membros de uma seita após o fracasso da profecia que um pouso UFO era iminente.

Os membros da seita sofreram o que Festinger chamou de dissonância cognitiva, que é definida como um conflito entre duas ideias, crenças ou opiniões incompatíveis ou que se contradizem. Quando isso acontece, porque o conflito é desconfortável, as pessoas procuram encontrar "elementos de consonância", mudando uma das crenças, ou as duas, para torná-las mais compatíveis. Isto faz parte dos paradoxos humanos e explica muitos dos comportamentos diários dos indivíduos.

O desconforto causado pela dissonância cognitiva pode tomar a forma de ansiedade, culpa, vergonha, fúria, embaraço, stress e outros estados emocionais negativos, daí a urgência em superar a dissonância encontrada.

Segundo Festinger, as pessoas procuram eliminar a dissonância através de três maneiras: reduzindo a importância de um dos fatores discordantes, adicionando elementos consoantes ou mudando um dos fatores dissonantes.

A dissonância cognitiva geralmente dá ensejo a manifestarem-se mecanismos de defesa do ego, como a negação (de evidências) e racionalizações (explicações com aparência de verdade).

“A partir dessa teoria podemos entender que o indivíduo se comporta de acordo com suas percepções e não de acordo com a realidade, ou seja, reage conforme àquilo que é confortável ou não com suas cognições.” (http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/41439/teoria-da-dissonancia-cognitiva )

Em 1959 Festinger e Carlsmith realizaram um experimento que confirmou a existência da dissonância cognitiva.

Os escolhidos para o experimento foram estudantes de graduação na Universidade de Stanford. Foram informados que o experimento era sobre como suas expectativas afetam a experiência real de uma tarefa.

Os alunos foram convidados a passar uma hora em tarefas chatas e tediosas. As tarefas foram projetadas para gerar uma atitude forte e negativa. Uma vez que os indivíduos tinham feito isso, os experimentadores pediram a alguns deles para fazerem um favor simples. Eles foram convidados a falar com outro “sujeito” (na verdade, um ator) e persuadi-lo de que as tarefas eram interessantes e envolventes. A alguns participantes foram pagos 20 dólares para este favor, outro grupo recebeu 1 dólar e um grupo controle não foi convidado a realizar o favor.

Quando solicitados a classificar as tarefas aborrecidas na conclusão do estudo (não na presença do outro "sujeito"), os do grupo 1 dólar as classificaram de forma mais positiva do que aqueles dos 20 dólares e do grupo de controle. Isto foi explicado por Festinger e Carlsmith como evidência de dissonância cognitiva.

Os pesquisadores teorizaram que as pessoas do grupo de 1 dólar experimentaram dissonância entre as cognições contraditórias: "Eu disse a alguém que a tarefa era interessante", e "Eu realmente achei chato”. A mente resolve este dilema ao decidir que, na verdade, o trabalho foi interessante, afinal, ajudou na conclusão da pesquisa.

Aqueles do grupo de 20 dólares, entretanto, tinham uma óbvia justificativa monetária para seu comportamento e, portanto, experimentaram menor dissonância.” (http://en.wikipedia.org/wiki/Cognitive_dissonance )

Quanto mais enraizada nos comportamentos do indivíduo uma crença estiver, geralmente mais forte será a reação de negar crenças opostas. Já vi isto acontecer quando o líder de uma igreja evangélica brasileira foi acusado e processado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha, no entanto seus fiéis continuam solidários e frequentando a igreja dele – não tiveram sua fé no bispo abalada.

Outro exemplo são as profecias do fim do mundo, até agora várias profecias já foram anuladas e as pessoas continuam crentes que “talvez a data estivesse errada”, mas vai acontecer porque está escrito. Sua fé no apocalipse continua.

A dissonância cognitiva tem um exemplo bem conhecido na literatura: a fábula de Esopo, “A raposa e as uvas”. Quando a raposa percebe que não consegue alcançar as uvas, ela decide que não as quer de qualquer modo, pois estão verdes (racionalização para eliminar a dissonância cognitiva).

E o leitor, quantas vezes já se enfrentou com a dissonância cognitiva? Reflita a respeito.

Imagem: www.ludicas.com.br

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sua mente está na mira de alguém

na mira

O desejo de conquista da mente humana já se evidenciava na antiguidade. De lá pra cá só tornaram-se mais requintados os métodos utilizados para consegui-lo.

Nunca a humanidade teve tanto acesso às informações sobre os mais variados assuntos. Viva a internet! Contudo quanto mais informação chega até nós, maior deve ser o cuidado em analisá-las e verificá-las, pois aumentam as chances de encontrarmos muita informação incorreta e/ou manipulada.

Todo mundo está sujeito a ser manipulado, primeiramente pela mídia, mas também por governos, políticos, mercado financeiro, publicidade, religiões, etc. Percebo muito isto na internet, as pessoas aceitando qualquer informação lá postada sem se dar ao trabalho de conferir o que leu.

Acordem! O mundo está enlouquecido, há gente de todo o tipo querendo seguidores, por ganância (pastores de igrejas-empresas), por vaidade, por lucro financeiro, por votos em eleições, para vender mais jornais ou revistas, enfim por vários motivos.

Encontro na internet seguidores das mais variadas “estapafurdices”. Ultimamente, com o avistamento do cometa Ison, encontra-se matérias escritas e vídeos com frases alarmantes sobre o perigo que corre a humanidade, contando ainda com o acréscimo da “chegada” do tal de planeta X ou Nibiru.

As “notícias” mais estapafúrdias encontram eco em seguidores ingênuos ou desinformados. Casualmente li uma dessas que me fez rir: o governo norteamericano teria comprado quinze mil guilhotinas. Segundo os “brilhantes” autores da “notícia”, para execuções em massa de cidadãos estadunidenses. Putzgrila ... Será que não existem mais metralhadoras, que tornam bem mais rápida qualquer execução?

Pois é, e tem gente que acredita nisso!

Mas afinal, o que leva alguém a acreditar em algo que contradiz a lógica, o raciocínio dedutivo e às vezes até evidências?

Para responder a esta questão devemos lembrar que o ser humano é emocional na maior parte do tempo. Os interessados em manipular pessoas sabem que devem explorar esta característica, usando o medo como fermento de suas ideias ou informações.

O medo sempre foi utilizado pelas religiões para garantir seus fiéis, o medo do inferno, da danação eterna. Também a culpa, que é outra emoção, é bem explorada pelas igrejas, assim como a tensão emocional. Por que os pregadores gritam tanto, são tão enfáticos? Porque assim criam tensão. Sob tensão as pessoas perdem grande parte de sua capacidade de raciocínio e conforme a tensão aumenta, como em casos de tortura, o cérebro torna-se exausto e extremamente inibido, colapsando a capacidade de julgamento crítico. Daí acreditar em qualquer coisa é possível, visto que o cérebro - exausto torna-se então sugestionável.

A conquista de mentes pelas igrejas tem sido bem estudada.  “...têm maior probabilidade de conseguir êxito se puderem primeiro provocar certo grau de tensão nervosa ou despertar sentimentos de cólera ou ansiedade suficientes para assegurar a atenção inteira da pessoa e possivelmente aumentar sua sugestionabilidade. O efeito imediato de tal tratamento é, em geral, prejudicar o discernimento e aumentar a sugestionabilidade; e, embora a sugestionabilidade diminua quando a tensão é eliminada, as ideias implantadas enquanto ela dura podem permanecer.” (William Sargant)

A sugestionabilidade varia entre os indivíduos, mas dependendo das condições em que a sugestão é oferecida até os menos sugestionáveis acabarão cedendo. Está atrelada às emoções como medo, culpa, tensão, stress, etc.

 “... na atualidade, os magos negros do marketing usam e abusam do poder da sugestão para plantar idéias em nossas cabecinhas – para atiçar nossos mais escondidos desejos – e criar as necessidades mais desnecessárias, pagas em carnês em prestações a perder de vista; tudo para potencializar sua última cartada: o estresse crônico; no qual eles ganham de todos os lados; tanto na construção da armadilha quanto na mentira da cura para desmancha la ...” (Américo Canhoto)

Detentores do poder sempre usam a indução como meio de sugestionar as pessoas, sejam eles o pessoal de marketing, os governos, os políticos ou os “ministros” de Deus. Na maior parte das vezes essa indução passa despercebida.

Que fique bem claro que sugestão, lavagem cerebral, indução podem ser aplicadas a qualquer pessoa, mesmo àquelas de bom nível educacional e inteligentes, pois independem desses quesitos. Como disse anteriormente estão ligadas à emoção e não há ser humano destituído da mesma.

Certamente que o exposto até agora não explica todos os casos de aceitação de algo que contradiz a lógica e o bom senso. O ser humano é altamente complexo e podemos incluir, em alguns casos, excesso de presunção e vaidade – “eu sei tudo, sou o dono da verdade ...” A presunção é tão grande que embota o cérebro.

Quem tem consciência mais desenvolvida terá sempre muito cuidado com quaisquer informações, irá analisá-las e verificá-las para não incorrer no risco de ser manipulado por alguém que tem sua mente na mira.

Imagem: cidadeagorago.com.br

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quão grossa é nossa casca civilizada?

senhor das moscas

Há muitos anos li o livro que mais me impactou negativamente. Deixou-me muito chocada e com tendência a descrer da natureza humana: O Senhor das Moscas de William Golding (prêmio Nobel de 1983). Foi feito filme a respeito, parece que está no Youtube.

Para os que não leram, resumo brevemente: o livro trata de um grupo de meninos, com idades variadas, que sobreviveram a um acidente aéreo e se encontram numa ilha deserta do Pacífico sem a presença de nenhum adulto.

A ilha contém água e bastante caça. Inicialmente há só festejos por não terem que frequentar aulas ou obedecerem a adultos, mas logo percebem que terão de se organizar para sobreviverem. Ralph é eleito líder do grupo e orienta que deverão construir abrigos e plantar para futuramente não carecerem de comida (não sabem quanto tempo transcorrerá até serem resgatados), porém logo depois é contestado por outro elemento do grupo, chamado Jack, um adolescente desbravador, inconseqüente e cruel que propõe que se dediquem apenas à caça e às brincadeiras.

Após várias disputas, o grande grupo se divide  seguindo os dois líderes de temperamentos tão opostos: Ralph e Jack.

O restante do livro mostra os embates que passam a ocorrer entre os dois grupos e onde veremos distintos personagens encenando características humanas como bravura, lealdade, raciocínio lógico, conformismo, controle e finalmente barbárie.

É um livro pesado e sombrio que mostra sem dó a natureza humana. Contudo foi escrito logo após a segunda grande guerra e isso explica o pessimismo do autor em relação à raça humana.

Eu lembrei desse livro quando, há poucos dias, estava lendo sobre o Experimento Robbers Cave que trata da teoria RCT (Teoria do Conflito Realista).

No verão de 1954, num acampamento de escoteiros em Robbers Cave State Park, Oklahoma, o psicólogo social Muzafer Sherif reuniu 22 meninos de 12 anos, separando-os em dois grupos que não tinham ciência da existência do outro nos primeiros dias.

Ambos os grupos formaram times camaradas e unidos enquanto permaneceram separados, todavia quando posteriormente foram postos em contato para competir (um grupo contra o outro) em atividades como baseball, cabo de guerra, etc. começou a haver agressividade ao ponto de meninos terem de ser fisicamente separados  pelos adultos.

Sheerif considerou ter provado a teoria que desenvolveu mais tarde (RCT) de que o que leva grupos a ter preconceitos e estereotipias negativas é a competição por recursos desejados.

No nosso país, o exemplo mais flagrante dessa teoria são as torcidas de futebol com suas atitudes muitas vezes selvagens e totalmente irracionais.

Infelizmente o ser humano se compara com os demais pelas suas diferenças e não pelas semelhanças e se acrescentarmos o fator competição as hostilidades aumentam. Isto fica bem demonstrado no livro O Senhor das Moscas onde os dois grupos que se defrontam são bem diferentes em algumas atitudes e/ou comportamentos.

O mais impactante é que tanto no livro quanto no experimento de Sherif os meninos são de classe média alta, provenientes de famílias cristãs e de bons costumes. Como puderam chegar a cometer atos de selvageria?

Será que a casca de civilidade dos seres humanos é tão fina?

È bom refletir sobre o assunto. Lembrar que em todos nós, lá no fundo,  mora um ser das cavernas, instintivo e primitivo que nunca saberemos quando vai acordar até nos vermos em uma situação limite que vai nublar nossa razão.

Daí a importância de desenvolvermos nossa consciência para poder prevenir esse tipo de tropeço.

Imagem: www.elirodrigues.com

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Seja você mesmo

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Acho que todos vocês já se deram conta que o ser humano é um conformista, ou seja, imita maneiras de vestir, falar e se comportar de outros. Contudo já se perguntaram até onde vai essa conformidade? As pessoas seriam capazes de negar os próprios sentidos só para se conformar com os demais?

Ash, um psicólogo norteamericano, resolveu realizar um experimento para demonstrar que as pessoas não se deixam afetar pela opinião das demais quando têm uma inequívoca resposta acerca de algo.

Enganou-se.

Eis como transcorreu o experimento:

Ash convocou estudantes de graduação, todos do sexo masculino. Um da cada vez, os fazia entrar numa sala onde havia mais oito pessoas sobre as quais era dito serem outros participantes. A cada um era mostrado um cartaz como a imagem abaixo e pedido a todos que respondessem qual das três linhas do lado direito tinha o mesmo tamanho que a do lado esquerdo?

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O que os participantes não sabiam era que aqueles oito dentro da sala na verdade eram cúmplices do experimentador com a orientação de dar respostas erradas e sempre primeiro eram chamados cinco ou seis antes do verdadeiro participante do experimento.

O procedimento foi repetido doze vezes com variantes da imagem acima e Ash se surpreendeu com as respostas.

“50% das pessoas deram a mesma resposta errada como os outros em mais de metade dos ensaios.

Apenas 25% dos participantes se recusaram a ser influenciados pelo falso julgamento da maioria em todas as 12 provas.

5% mantiveram-se sempre conformados com o parecer incorreto da maioria (todos nós conhecemos pessoas assim, né?)

Durante todos os ensaios, a taxa média de conformidade foi de 33%.

Intrigado sobre o porquê dos participantes terem ido junto com a maioria, Asch entrevistou-os após o experimento. Suas respostas são, provavelmente, muito familiares a todos nós:

a) Todos se sentiam ansiosos, temiam a desaprovação dos outros.

b) Muitos explicaram que viram as linhas de forma diferente do grupo, mas, em seguida sentiram que o grupo estava correto.

c) Alguns disseram que foram junto com o grupo para evitar destacar-se, ainda que soubesse que o grupo estava errado.

d) Um pequeno número de pessoas realmente disse que viram as linhas da mesma forma como o grupo.

Intrigado sobre o porquê dos participantes terem ido junto com a maioria, Asch entrevistou-os após o experimento. Suas respostas são, provavelmente, muito familiares a todos nós:

a) Todos se sentiam ansiosos, temiam a desaprovação dos outros.

b) Muitos explicaram que viram as linhas de forma diferente do grupo, mas, em seguida sentiram que o grupo estava correto.

c) Alguns disseram que foram junto com o grupo para evitar destacar-se, ainda que soubessem que o grupo estava errado.

d) Um pequeno número de pessoas realmente disse que viram as linhas da mesma forma como o grupo.” (http://www.spring.org.uk/2007/11/i-cant-believe-my-eyes-conforming-to.php)

Acho que esses resultados dão o que pensar, não é?

A necessidade do ser humano de “pertencer ao grupo” realmente é bem significativa, porém é mister ter-se cuidado para não virar um “Maria vai com as outras”, ter um mínimo de individualidade como ser pensante. Isso é ter consciência, de si e do que faz. Na adolescência uma atitude conformista é aceitável, depois ... é lamentável.

Cuide para não se tornar um “sheeple”.

Imagem: richardcorrigan.com

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terça-feira, 23 de julho de 2013

Conheça os mecanismos de defesa que usamos - I

defesa

Já postei aqui no blog sobre alguns mecanismos de defesa (mecanismos internos de proteção do Ego e de controle usados automaticamente, para enfrentar angústia, impulsos agressivos, ressentimentos, frustrações, etc.). como a negação, projeção,e transferência.

Hoje vou discorrer sobre mais alguns porque os mecanismos de defesa interferem, e muito, não só na percepção das pessoas, mas também em seus relacionamentos.

Introjeção: é um processo inconsciente pelo qual o sujeito incorpora ao eu características do exterior, pode ser de pessoas e qualidades inerentes a elas. Segundo a teoria gestáltica, é absorver, sem reflexão, ideias, normas, hábitos, valores, etc.. Seria esta a base de formação dos “eu devo”, “eu preciso”. Com este conhecimento nota-se como é importante o que os pais passam para seus filhos através de suas palavras e atitudes.

É considerado o mecanismo mais arcaico dentre aqueles que se dirigem a um objeto exterior.

Exemplos de introjeção: o garotinho que finge fazer a barba (como o pai); a menininha que usa os vestidos e sapatos da mãe; a adolescente que repete as gírias e/ou maneirismos do seu astro preferido; o adulto que repete as frases “inteligentes” do seu político favorito; o bobalhão, que após assistir a Fórmula I, vai para as ruas dirigindo na velocidade de seu ídolo.

Anulação: ações ou rituais mágicos que contestam ou desfazem uma ação anterior. Exemplos: dar um beijo no irmãozinho caçula depois de ter batido nele; fazer o sinal da cruz ou beijar a medalha de Nossa Senhora para afastar um pensamento pecaminoso;

Este mecanismo é muito utilizado na patologia chamada Transtorno Obsessivo-compulsivo, aí ela é referida como anulação retroativa.

Clivagem é um mecanismo de defesa descrito por Melanie Klein e por ela considerado como a defesa mais primitiva contra a angústia. Neste mecanismo, há uma cisão tanto a nível do ego, como ao nível do objeto primário.

O objeto visado pelas pulsões eróticas e destrutivas cinde-se num "bom" e "mau" objeto, que terão então destinos relativamente independentes no jogo das introjeções e das projeções. http://www.infopedia.pt/$clivagem-%28psicologia%29;jsessionid=RptS2j0Tcf62Q7JGZnAwOA__ Exemplo: devemos odiar o pecado e amar o pecador ou como diriam os pastores evangélicos: amar o homossexual e odiar a homossexualidade.

Segundo Freud a clivagem é "uma fenda no ego a qual nunca se cura, mas, ao contrário, aumenta à medida que o tempo passa", portanto podemos ver que essa cisão no Ego é um efeito bastante sério.

Conversão: É a expressão de um motivação recalcada num sintoma somático, que pode ser motor (paralisia, tremor, convulsão) ou sensitivo (parestesia, anestesia, dor, distúrbio de visão ou audição).

Não é a mesma coisa que somatização, na conversão a pessoa representa, através da linguagem corporal, um conflito inconsciente e na somatização há apenas uma situação de stress (que também pode ser grave).

A conversão é muito encontrada em pacientes histéricos

Deslocamento: mecanismo pelo qual é deslocada uma motivação ou emoção do seu primitivo objeto para outro substitutivo.

É bem conhecido o exemplo do sujeito que levou bronca do chefe, chegando em casa desconta na mulher que desconta no cachorro ou gato. rsrs

Quantas vezes já não fizemos algo parecido? Bom para refletir a respeito.

“Os mecanismos de defesa não representam apenas o conflito e a patologia, eles são também uma forma de adaptação. O que torna “as defesas” um aspecto doentio é sua utilização ineficaz ou então sua não adaptação às realidades internas ou externas. (Bergeret, 2006)”. http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/mecanismos-de-defesa

Espero não ter assustado alguém com esta matéria e quero esclarecer que os mecanismos de defesa são empregados por todos nós, na vida cotidiana, para proteção do Ego e conseguir estabilidade emocional.

No próximo post tem mais mecanismos. Até lá.

Imagem: noticias.universia.com.br

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domingo, 7 de julho de 2013

Cuidado como você percebe o outro, conheça o “efeito halo”

halo

No ano de 1920, Edward Thorndike, psicólogo americano, realizou um estudo sobre como os oficiais das forças armadas avaliavam seus subordinados. Chegou a interessantes conclusões. Percebeu que os oficiais tinham a tendência a atribuir várias características desejáveis ou positivas àqueles subordinados que lhes causavam boa impressão em algum quesito primeiramente. Ou seja, se o sujeito é bom nisso, vai ser bom em todo o resto.

Thorndike então chamou de efeito halo (por causa dos halos dos santos) a esta característica tão humana: o fenômeno pelo qual concluímos que, se uma pessoa faz bem alguma coisa, fará bem todas as outras — e também o contrário, se faz uma coisa mal, fará mal todas as outras.

O efeito halo pode se apresentar todos os dias em nossa vida de relações sem nos darmos conta disso. Também em situações o efeito halo pode aparecer, pois quando as avaliamos, antecipadamente construímos um cenário que dependerá de nossa percepção. Muitas vezes atribuímos uma determinada conseqüência a apenas uma causa, numa relação única e direta de causalidade quando as causas podem ser múltiplas.

O efeito halo é o motivo por trás do seguinte conselho: se você quer se sair bem na entrevista de emprego, cuide de sua apresentação pessoal. Pessoas bem apresentadas e mais atraentes têm mais chances de serem contratadas. Cruel, mas real. rsrs

Não só nas contratações, mas também nas avaliações de desempenho realizadas pelas empresas vamos encontrar frequentemente o efeito halo. Por exemplo: um funcionário que tenha chegado atrasado durante três dias no mês pode ser considerado um funcionário preguiçoso. O efeito halo impede o avaliador de considerar os motivos que levaram aos atrasos.

Pessoas atraentes, ricamente vestidas são geralmente consideradas como pessoas de sucesso, principalmente na atual conjuntura onde a imagem está tão em alta. Os mais inconscientes até acham que tais pessoas são mais inteligentes.

Lembrem que a nossa percepção é influenciada por crenças, expectativas, experiências, traços de personalidade, conteúdos inconscientes, contexto geográfico e cultural, etc. Ao percebermos o mundo exterior nós sempre fazemos uso de “filtros”. O efeito halo seria uma consequência desses filtros.

Associados ao efeito halo vêm os estereótipos tão comuns na nossa sociedade: mulher ao volante, perigo constante; “sem terra” são preguiçosos; político é tudo ladrão; loira burra; e por aí vai ... Qualquer navegada pelas redes sociais nos mostra a quantidade de estereótipos e efeitos halo que as pessoas utilizam. É só prestar atenção.

O efeito halo se manifesta até no que comemos. Não é verdade que quando você escolhe tomates, laranjas, batatas, etc. você escolhe sempre os de aparência mais bonita? O que tem a beleza a ver com a nutrição do vegetal? Pois é....

Na publicidade e propaganda, bem como em campanhas políticas os especialistas no assunto usam e abusam do efeito halo sobre a população que querem atingir. Prestem atenção nas próximas eleições.

Resumindo, o efeito halo é uma tendência que temos para simplificar, associando uma característica isolada a outras e geralmente quando não temos dados suficientes para fazer um julgamento ou avaliação acertada.

Todo o cuidado é pouco quando se trata de efeito halo e estereótipos, pois ambos podem levar a preconceito e discriminação. Atentem à sua percepção para não incorrer em maus julgamentos sobre os demais ou sobre situações.

Consciência!

Imagem: mundogump.com.br

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Hábitos viciosos da mente humana

vício mental

Continuando nossa abordagem sobre a mente humana, hoje veremos alguns maus hábitos adquiridos na forma de processar informações por intermédio da cognição.

Lembrem sempre que o ser humano é mais emocional do que racional, “no frigir dos ovos” é sempre a emoção (com raríssimas exceções) que sai ganhando na batalha entre ambas. Portanto nosso cérebro, usando a razão, pode estar processando uma informação, mas inconscientemente nossas emoções estão atuando e interferindo.

Em Psicologia tais erros de julgamento são chamados de viés cognitivo.

A seguir veremos alguns deles conforme o site http://www.jornalciencia.com/top-listas/diversos/1865-top-10-falhas-comuns-na-mente-humana

A falácia de Gambler, também chamada de falácia de jogador, é a tendência para pensar que as probabilidades futuras são alteradas por eventos passados, quando, na realidade, eles não são. Certas probabilidades, tais como a obtenção de uma “cara” quando você joga uma moeda são sempre as mesmas.

A probabilidade de obter uma “cara” é de 50%, não importa se conseguiu “coroa” nas últimas 10 tentativas. Veja um exemplo no jogo de roleta. As últimas quatro rodadas caíram no preto, tem que ser vermelho desta vez. Certo? Errado! A probabilidade de parar no vermelho ainda é de 47,37% (18 pontos vermelhos, divididos por 38 pontos no total). Isto pode soar óbvio, mas esse viés tem levado muitos jogadores a perder dinheiro, pensando que as probabilidades mudam.

Reatividade é a tendência das pessoas a agir ou aparecer de forma diferente quando sabem que estão sendo observadas. Na década de 1920, uma obra em Hawthorne (uma fábrica) encomendou um estudo para analisar se os diferentes níveis de luminosidade influenciavam na produtividade do trabalhador. O que se descobriu foi incrível. Infelizmente, quando o estudo foi concluído, a produtividade voltou para os seus níveis regulares. Isto porque a mudança não foi devido aos níveis de luz, mas porque os trabalhadores estavam sendo vigiados. Isto demonstrou uma forma de reação.

Quando os indivíduos sabem que estão sendo vigiados, eles são motivados a mudar seu comportamento, para se mostrarem com uma aparência melhor. A reatividade é um problema sério em pesquisas e precisa ser controlada com experimentos cegos (quando os indivíduos envolvidos em um estudo de investigação não sabem que estão sendo analisados, de modo a não influenciar os resultados).

A profecia autorrealizável gera comportamentos que levam a resultados que confirmam perspectivas existentes. Por exemplo, se alguém acredita que se sairá péssimo na escola, ela diminui o esforço para fazer suas tarefas. Assim, acaba realmente indo mal, exatamente como pensava. Outro exemplo comum são os relacionamentos.

A pessoa acha que o seu relacionamento amoroso vai falhar, então começa a agir de modo diferente, afastando-se emocionalmente. Por causa disso, realmente é possível fazer com que o relacionamento fracasse..

Fato interessante: As recessões econômicas são profecias autorrealizáveis. Uma recessão se configura após dois trimestres de queda do Produto Interno Bruto (PIB). Sendo assim, você não pode saber que está em recessão até que esteja há pelo menos seis meses em uma. Infelizmente, ao primeiro sinal de diminuição do PIB, a mídia relata uma possível recessão, as pessoas entram pânico, gerando uma cadeia de eventos que realmente causam recessão.

O efeito halo é a possibilidade de que a avaliação de uma característica possa interferir no julgamento de outros fatores, contaminando um resultado geral. Esse viés acontece muito em avaliações de desempenho de funcionários. Por exemplo: um determinado empregado chegou atrasado para o trabalho nos últimos três dias, eu percebi isso e conclui que ele é preguiçoso.

Há muitas razões possíveis pelas quais ele possa ter chegado tarde, talvez o carro quebrou, sua babá não apareceu ou a chuva prejudicou o trânsito. O problema é que, por causa de um aspecto negativo que pode estar fora do controle do empregado, presumo que ele é um mau trabalhador.

Fato interessante: No caso da atração física, isso acontece quando as pessoas assumem que os indivíduos atraentes possuem outras qualidades socialmente desejáveis, tais como sucesso, felicidade e inteligência. Isto se torna uma profecia autorrealizável, quando as pessoas atraentes recebem tratamento privilegiado, como melhores oportunidades de trabalho e salários mais elevados.

A escalada de compromissos é a tendência das pessoas a continuar apoiando os esforços anteriormente fracassados. Com tantas decisões que as pessoas têm de tomar, é inevitável que algumas não deem certo. Claro, a única coisa lógica a fazer nesses casos é mudar essa decisão ou tentar revertê-la.

No entanto, às vezes, as pessoas sentem-se compelidas não só a ficar com a sua decisão, mas também a continuar a investir nela devido aos custos irrecuperáveis. Por exemplo, digamos que você use metade de suas economias para começar um negócio. Após seis meses, é evidente que o negócio não vai dar certo. A única coisa lógica a fazer é desistir. No entanto, devido aos custos já gastos, você se sente comprometido com o negócio e investe ainda mais dinheiro para o projeto na esperança de que a situação se reverta.

Reatância é o desejo de fazer o oposto do que alguém quer que você faça, numa necessidade de resistir a uma tentativa de alguém restringir sua liberdade de escolha. Isso é comum com adolescentes rebeldes, mas qualquer tentativa de resistir à autoridade, devido às ameaças à liberdade, é uma relutância. O indivíduo pode não ter a necessidade de executar o comportamento específico, mas o fato de que ele não pode fazê-lo o faz querer.

Fato interessante: A psicologia reversa é uma tentativa de influenciar as pessoas que utilizam reatância. Diga para alguém (especialmente crianças) para fazer o oposto do que você realmente quer e eles vão se rebelar e acabar por fazer o certo.

Mentalidade de rebanho (já visto aqui neste post) é a tendência a adotar os comportamentos da maioria, para sentir mais segurança e evitar conflitos. Em sua forma mais comum, o sujeito agrega roupas, carros, hobbies, estilos para se identificar com um grupo de pessoas.

Fato interessante: As coisas que são pouco atraentes, não parecem legais ou populares acabam ganhando seguidores devido à mentalidade de rebanho. Os exemplos incluem as calças pára-quedas, pedras de estimação, tainhas, sutiãs de cone e outras coisas mais.

Para finalizar deixo aqui as palavras de um sábio (Bodhidharma, que foi um grande mestre zen do século VI):

“Usar a mente para buscar a realidade é ignorância. Não usar a mente para buscar a realidade é conhecimento. Liberar-se mesmo das palavras é liberação. Quando a mente deixa de mover-se, penetra no nirvana. Nirvana é uma mente vazia. Qualquer um que saiba que a mente é uma ficção e está vazia de qualquer coisa real, sabe que sua própria mente existe e não existe.

Se utilizares tua mente para estudar a realidade, não entenderás nem tua mente nem a realidade. Se estudares a realidade sem utilizar a mente, entenderás ambas.

Quando compreendes, então a realidade depende de ti. Quando não compreendes, és tu quem depende da realidade. Quando a realidade depende de ti, o que não é real se converte em real. Quando és tu quem depende da realidade, o que é real se converte em falso. Quando dependes da realidade, tudo é falso. Quando a realidade depende de ti, tudo é verdade.” (http://budacuantico.blogspot.com.br/2010_11_01_archive.html )

Imagem: opoderdamente.com

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Você conhece a sua mente?

mente

Já faz algum tempo que surgiu a neurociência e ultimamente anda ativamente pesquisando e divulgando seus achados.

Acho ótimo, estávamos atrasados em relação ao conhecimento do cérebro comparando-se com o restante do corpo. Mas .... como ainda é a ciência cartesiana que domina ... os neurocientistas estão considerando o cérebro como sinônimo de mente.

Felizmente o planeta tem o seu lado oriental, com sua antiguíssima sabedoria, e é de lá que surgem vez por outra informações e conhecimentos riquíssimos que podemos somar às frias e insensatas teorias dos ocidentais.

Fiz faculdade de Psicologia, mas só fui entender mesmo o que é a mente humana quando li o livro do Dr. David Frawley. Embora ele seja americano de nascimento, escolheu se tornar um hindu por convicção. É considerado especialista em medicina Ayurvédica e graduou-se em medicina chinesa, também é professor védico, raja yogi e astrólogo védico.

Seu entendimento da mente humana é tão excepcional porque não é limitado pelo axioma ocidental de que “o todo é a soma das partes”. Os ensinamentos orientais têm um caráter holográfico, onde as partes refletem o todo.

A mente é o principal veículo que usamos para tudo o que fazemos; no entanto, poucos sabem como usá-la ou zelar por ela, se é que alguém sabe.”

“A mente não é matéria física, mas é matéria de natureza sutil, etérea e luminosa.” (...)” o cérebro é o órgão físico por meio do qual a mente trabalha”.

Cérebro e Mente são duas realidades distintas, enquanto o cérebro é condição da mente, a mente não é necessariamente condição do cérebro.” (http://cerebroemente.weebly.com/)

Frawley nos explica que o cérebro (com suas conexões químicas e elétricas) é somente uma ferramenta usada pela mente. A mente foi projetada pela Inteligência Cósmica para permitir que a consciência tenha suas experiências. Vejam então que mente também não é a mesma coisa que consciência.

É uma capacidade nossa, como seres sencientes, e não uma parte de nosso corpo físico. A mente se manifesta através de pensamentos, sentimentos, sensações que, por sua vez, agem como gatilhos para ativar certas partes do cérebro (que os neurocientistas percebem com seus instrumentos).

Bom, alguém vai argumentar que o cientista ativando certas partes do cérebro produz sensações e/ou emoções. Ok, sensações e emoções estão ligados à parte química do corpo, tendo suas respectivas áreas cerebrais também. Eu quero ver eles provocarem pensamentos (sem emoções ou sentimentos) ...

Entender a mente e, principalmente controlá-la, é uma das mais grandiosas tarefas com que o ser humano se defronta. Afinal, é devido a ela que exultamos ou sofremos, que somos capazes de vencer obstáculos ou fracassar miseravelmente, que amamos ou odiamos, enfim é graças a ela que temos consciência de quem somos e de que estamos vivos.

“Aprender a usar de modo correto os recursos da mente não apenas resolve os nossos problemas psicológicos, mas também nos leva à compreensão superior de nós mesmos”.

Para começar a entender a mente é preciso notar que ela se desloca conforme a nossa percepção, portanto é altamente mutável e inquieta. Nossas horas de vigília são totalmente tomadas por sensações (através dos 5 sentidos), pensamentos e emoções, tudo se sucedendo velozmente, sem controle nenhum (exceto em pessoas treinadas).

Uma forma de acalmar e treinar a mente para nosso benefício é praticar meditação.

A mente também propende a reações dualistas de atração e repulsão, amor e ódio e assim por diante. (...) Para afirmar uma coisa temos de sugerir o contrário. (...) Por exemplo, se dissermos a alguém que não pense num macaco, esse alguém naturalmente pensará num macaco.”

(... )”Ela pode facilmente cair presa dos opostos, ou vir a ser vítima de sua própria tendência para mudar de ideia. Por esta razão não deveríamos tentar obrigar a mente a se voltar a nenhuma direção determinada, mas deveríamos procurar conservá-la longe de quais quer extremos”.

Estes dois parágrafos acima são de extrema importância para aprendermos a controlar a mente e merecem uma detida reflexão.

Sem os pensamentos, a mente desaparece. O problema maior é conseguirmos eliminar os pensamentos. Muitas vezes eles parecem um macaquinho doido dentro de nossa cabeça (lembrando que usamos o cérebro como ferramenta). Uma das coisas mais difíceis, para nós ocidentais, é fazer meditação (eliminando os pensamentos), mas é possível através do treino. De início a gente consegue esvaziar a mente nada mais do que um segundo, depois, aos poucos, vamos aumentando o tempo.

Outro controle que precisamos fazer é sobre a qualidade dos nossos pensamentos – o quê pensamos.

Como pensamentos são energia, eles também passam a existir, ter uma vida própria (os orientais chamam de formas-pensamento). A duração de suas vidas vai depender de quantas vezes temos o mesmo pensamento e de sua intensidade (emoção ou sentimento que o acompanha). Pensamentos fugazes e que não se repetem têm vidas (permanência) fugazes também.

Na Psicologia Clínica é comum encontramos pacientes que apresentam pensamentos recorrentes, que chamamos de obsessivos. Tais pacientes acabam se tornando vítimas de seus próprios pensamentos porque os mesmos já ganharam vida própria e teimam (e como teimam) em se apresentar novamente criando um círculo vicioso.

“Só quando mudamos nossos pensamentos mais profundos é que podemos realmente mudar e ir além dos limites impostos pela mente. Isso é muito mais do que mudar nossas ideias sobre as coisas, implica alterar nossos sentimentos e instintos mais profundos.”

Isso é nos livramos de hábitos arraigados e vícios mentais. Não é tarefa fácil, mas é realizável.

Como o assunto é muito amplo, retornarei ao mesmo em outra ocasião. Para os interessados em se conhecer melhor, recomendo o livro do Frawley.

Citações: Uma Visão Ayurvédica da Mente, Dr. David Frawley. Ed. Pensamento

Imagem: tresjoiastextos.blogspot.com

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

O que é normal?




Este texto se refere a uma mensagem que foi dada a um grupo de shaumbra, canalizada de Adamus (um mestre ascensionado) por Geofrey Hoppe.

É uma mensagem que fala sobre o que somos nós (seres criadores) e também de esperança para toda a humanidade, pois diz que a mesma poderá, assim como os shaumbra, alcançar a sua plenitude.

“Eu sou o que sou, Adamus do domínio soberano.

Tanta coisa acontecendo nos dias de hoje. Muito interessante notar que o mundo está ficando louco e que vocês estão realmente voltando ao normal. Muito interessante sobre o que é normal? 

Normal, o estado normal, é um estado de graça, um estado de ahmyo (sagrado ou divino), onde vocês têm implícita confiança em si mesmos, seja aqui ou onde quer que vão, que vocês estão apenas experimentando a alegria da vida e da criação. Isso é normal. Quando vocês podem ir a qualquer reino e experimentar como é sem sentir medo dele consumir vocês, matar vocês, roubar seu coração ou sua alma. Que a alegria da vida é ser capaz de criar qualquer coisa que vocês escolheram para criar para si mesmos e ter alegria e grande orgulho e honra de sua criação e não se preocupar que a criação é tão grande que vai machucar os outros ou machucar vocês, ser capaz de criar algo e não se preocupar que vá se transformar em um monstro ou num destruidor.

Normal é quando vocês não precisam mais destruir energia em suas vidas, onde vocês podem apenas ser, experimentar, criar, sentir. Ah, isso é normal. Isso é quando vocês estão no comando. Isso é de onde alguns de vocês estão muito, muito perto, voltando para si mesmos.

Vocês tiveram uma longa, longa jornada neste planeta. Uma jornada que tem ensinado a vocês de várias maneiras como não amar a si mesmos, como não confiar em si mesmos, como temer o que os outros podem ter, como temer até mesmo seus próprios poderes.. Isso é anormal.  Então agora vocês retornam à normalidade. Vocês adentram numa experiência sem medo, criar sem reter. É o que está acontecendo, realmente.

Sim, o mundo está ficando um pouco mais louco agora, todos os eventos acontecendo na história da humanidade, todas as mudanças – mudanças de tecnológicas a morais, valores e crenças, mudanças no próprio tecido e fibra da humanidade.

A humanidade ainda é muito, muito mental. A humanidade ainda é preenchida com os seus aspectos (vidas passadas) A humanidade ainda segue os passos de suas encarnações passadas. Eles estão ainda no tubo de suas probabilidades, ao invés de seus potenciais. E está ok. Faz parte da sua viagem. Parte do que eles estão aprendendo, parte do que eles escolheram experienciar. E, como vocês ... um dia dirão: "não mais”.

Não mais. É hora de seguir em frente. É hora de sair desse tubo limitado de probabilidades. É hora de ir além até mesmo dessa coisa que vocês chamam encarnações – vidas após vidas – e hora de ir além do carma. Tempo para absolutamente viver. E a maior alegria de viver é conseguida aqui, fisicamente encarnados. Sim, isso faz com que seja um pouco mais difícil, porque, sim, vocês vão ter mais preocupações sobre coisas como a sua saúde, outras pessoas e o tráfego nas rodovias, problemas de incêndios em florestas, de dinheiro no mundo e todas essas outras coisas.

Mas para serem capazes de fazer isso, para serem capazes de estar aqui neste momento, voltar ao seu estado normal do ser como um criador, um professor e um aventureiro, sem ter uma agenda, sem a necessidade de manipular energias, ah, é sublime. É o que os mestres têm experimentado. É o que vocês estão começando a experimentar.

Então, vamos tomar uma respiração profunda com isso. Uma boa respiração profunda.”

Fonte: Shaumbra Monthly, Adamus – Jul/2012

Imagem: novasenergias.net

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O retorno do medo contagioso

medo contagioso

Já postei aqui sobre o medo, mas hoje vou retornar ao tema porque tenho notado que atualmente está havendo uma propagação muito grande do medo. Se navegarmos pela internet procurando assuntos como 2012, conspirações, Illuminati, Nova Ordem Mundial, erupções solares, final dos tempos, etc. encontraremos milhares, talvez milhões, de páginas.

Mesmo aqueles que dizem não crer em nada disso não estão a salvo, pois não dá para ignorar a força do inconsciente coletivo.

A humanidade sempre acreditou em profecias e infelizmente o livro mais lido até hoje (Bíblia) tem no seu capítulo final as chamadas profecias do apocalipse. E como tem gente que acredita que o que está lá é verdadeiro! Isso afeta o inconsciente coletivo, passa a fazer parte dele.

Na passagem do ano 999 para o ano 1.000, houve pânico e muitos suicídios porque as pessoas achavam que seria o fim do mundo. Bom, não aconteceu, mas o ano 2.000 trouxe novamente à baila a neura do final dos tempos e, como já estávamos em plena era tecnológica, veio mais um adereço ao apocalipse: o “bug do milênio”.

E o mundo não acabou e o bug não deu as caras. rsrs

Agora há o “fatídico” 2012. Quantas histórias e interpretações dos escritos maias já andam por aí. Claro que há alguns mais informados e de bom senso que explicam que os maias não previam o fim do mundo e sim o final de um ciclo cósmico. Mas não tem jeito, aqueles que “querem” que o mundo acabe não se convencem.

Como se não bastasse o 2012 ainda temos em curso uma grave crise financeira mundial (que mete medo nos capitalistas) e os insanos Netanyahu e Ahmadinejad trocando farpas, querendo começar uma guerra (que mete medo naqueles que acreditam numa terceira guerra mundial). Aff! Ou seja, vivemos um período de crises e incertezas e isso gera medo nas pessoas, o que somado às malditas “profecias” acaba se tornando uma bola de neve.

O psicoterapeuta americano Srinivasan Pillay, professor da Universidade de Harvard, diz que “o medo hoje é o mais central dos fatores que impedem as pessoas de viver plenamente”. Ele até escreveu um livro a respeito.

O medo pode assumir duas formas de se manifestar: como a emoção forte ante uma situação real de perigo ou como a sensação difusa de desconforto emocional, pensamentos persistentes sobre determinado assunto, medo de perder o controle de sua vida, preocupação, doenças recorrentes, tensão, etc. A isto se chama ansiedade difusa. A ansiedade faz parte do sistema de defesa do ser humano e é normal sentir ansiedade quando há a percepção de um risco iminente, seja ao físico seja ao psíquico.

Segundo pesquisadores do Laboratório de Neurociência Comportamental da PUCRJ, que estudam o assunto, a ansiedade é a manifestação patológica do medo. O medo é uma emoção básica, nós dependemos dele para a nossa sobrevivência, mas quando ele assume um caráter epidemiológico (parecendo ter um componente contagiante) torna-se altamente negativo.

O pessoal esotérico, em seus blogs e vídeos, fala muito no perigo do controle, partindo da elite mundial (leia-se Illuminati), sobre a população do planeta. Há muito, mas muito mesmo, material sobre isso na internet. O mais estranho é que esse pessoal sabe que aquilo sobre o qual fixamos nossa atenção tem mais probabilidade de se tornar real. Portanto, se não querem o suposto controle dos Illuminati por que cargas d’água falam tanto sobre o assunto e divulgam tanta informação sobre temas afins? Estariam fazendo exatamente o que os “trevosos” rsrs querem!

Mas existe uma razão para acreditar em teorias conspiratórias: “Acreditar em teorias conspiratórias pode diminuir medo da morte e pode aliviar o sentimento de perda de controle, dando-lhes uma razão do por que as coisas acontecem” (http://hypescience.com/acreditar-em-teorias-conspiratorias-pode-diminuir-medo-da-morte/

É a velha história de colocar no exterior (nos outros) a responsabilidade pelo que nos acontece. Os crentes, com seu complexo de culpa embutido pelas religiões, também estão falando na Nova Ordem Mundial e nas “barbaridades” que já estão sendo e serão cometidas pela “elite”.

Quando entro nesses sites fico bestificada com as sandices que leio, mas ao mesmo tempo dou muita risada. É inacreditável a capacidade que a humanidade tem de criar histórias com aparência de verdade e acreditar piamente nelas. Aff!

Ser humano é realmente um bicho complicado! Não consegue viver cem por cento bem, sempre arranja alguma coisa para “embolar o meio de campo”.

Na pesquisa com fMRI (imageamento por ressonância magnética funcional), foi mostrado que a reação ao estímulo indutor de medo manifesta-se na amígdala, uma estrutura arredondada em forma de amêndoa, localizada abaixo do lobo temporal, portanto quando o medo e/ou a ansiedade aparecer em sua vida faça o exercício do Dr. Martim Portner explicado nesta postagem que acalmará a amígdala e deixará você tranquilo.

Por último: o mundo não vai acabar em dez/2012!!! Acreditem em mim, eu tenho uma bola de cristal que não erra!!! rsrsrs

Imagem: frasesparaface.com.br

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Tempos virtuais

tempos virtuais

Recebi por e-mail e desconheço a autoria. Vale a pena refletir sobre o que diz o autor. Sublinhados por minha conta.

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: “Qual dos dois modelos produz felicidade?”

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?” Ela respondeu: “Não, tenho aula à tarde”. Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde”. “Não”, retrucou ela, “tenho tanta coisa de manhã...” “Que tanta coisa?”, perguntei. “Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse: Tenho aula de meditação!” Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como estava o defunto?”. “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!” Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é “entretenimento”; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!” O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático.” Diante de seus olhares espantados, explico: Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:...

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz"!!!

Imagem: incommunseries.com

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Com o que ou com quem você se identifica?

identificação

Em Psicologia define-se identificação como: um processo psicológico pelo qual um sujeito assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo desse outro.

Estou trazendo este tema para reflexão porque tenho notado que nos últimos anos, após o advento do culto à imagem, está havendo muita identificação, principalmente por parte dos jovens, com figuras que aparecem na mídia.

Pode se confundir empatia com identificação, mas são diferentes. Empatia é sentir com o outro, identificação é sentir e/ou agir como o outro e pode ser uma característica doentia. Por ex: você se identifica muito com um amigo e quando ele está com dor na coluna, você também passa a sentir dor.

Na adolescência é até considerado “normal” a identificação por tratar-se de uma fase de transição, onde o ser ainda não estabeleceu sua identidade completamente, mas passada esta época a identificação pode assumir um aspecto preocupante. Aqui não me refiro à identificação “normal” (sem caráter de mecanismo psicológico) como por ex. identificar-se com outro indivíduo porque ambos são da mesma espécie: humanos.

A identificação não precisa ser necessariamente com outra pessoa/s, lembro-me com horror de um programa de TV que assisti faz tempo onde aparecia uma jovem americana que fez uma infinidade de cirurgias plásticas para ficar “igual” à Barbie.

Também é bem comum a identificação com as massas em determinadas circunstâncias. Um mestre já disse: “Alguém vai andando por uma rua, de repente se encontra com as turbas que vão protestar por algo ante o palácio do Presidente. Se não está em estado de alerta (auto-observação) identifica-se com o desfile, mescla-se com as multidões, fascina-se e a seguir vem o sonho: grita, lança pedras, faz coisas que em outras circunstâncias não faria, nem por um milhão de dólares”.

A esse fenômeno Freud dizia ser trocar o ideal de ego pelo ideal de massa e também afirmava que o irreal sempre prevalece sobre o real (este assunto dá um livro ...).

Portanto identifica-se um tripé neste tema: identificação – fascinação – sonho (o irreal). É muito fácil deixar-se levar pela fascinação. A fascinação nos remove, ainda que por instantes, da banalidade e/ou mesmice do dia a dia e aí reside o perigo de se resvalar para o sonho (o irreal).

Para ser honesta, antes de continuar, devo lembrar a todos que as religiões sempre pregaram a dissolução do indivíduo em favor do bem maior de todos (!?). Nos foi ensinado que pensar primeiro em si é egocentrismo e contrário às leis cristãs. Isto acabou por gerar “seres catatônicos, acéfalos que seguem os meandros da passividade e do conformismo”. (Fábio Cardoso Lopes) Bem, nem tanto, mas que a frase é de efeito, lá isso é ...rsrs

Exageros de lado, em muitas situações e/ou culturas encontramos exatamente isso, pessoas que se deixam levar pelos seus governantes, pelos seus pastores ou padres e finalmente pela mídia (“ser” onipresente nos dias atuais) o que as induz à identificação com aqueles que são “exemplos”. Já no seio da juventude vemos os jovens, e até crianças, identificando-se com astros da música e do futebol. Usam as mesmas roupas e penteados de seu “ídolo”, repetem as frases das pseudo-músicas tão em voga atualmente e por aí vai.

Não existe mais originalidade, todo mundo vai na “onda” do que está na moda sem parar para refletir se lhe é adequado ou não, se é saudável ou não, se é ridículo ou não.

A identificação com as massas é sempre perigosa, desde aquela com astros pop drogados a outras de caráter violento que ocorrem nas convulsões político-sociais.

Os indivíduos em vez de estarem identificando entre si, estão identificando com a totalidade social irracional. Os indivíduos têm de dar conta da falsidade de sua própria condição: ser objeto e não sujeito em uma tal realidade em que ele se amolda à dominação social.” (Dulce Regina dos Santos Pedrossian)

É impossível que alguém possa despertar a consciência se se deixar fascinar, se cair no sonho.

Imagem: tribosurbanas23.blogspot.com

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

O que não tem preço




Recebi este pps e por considerar que traz um bom assunto para reflexão quis partilhá-lo com vocês. Esteticamente também está muito bonito.

Reconheço que o horário em que todos vão para o trabalho é corrido, mas será que algumas pessoas não teriam alguns minutinhos para apreciar a boa música que lhes estava sendo oferecida de graça? E se chegassem um pouco atrasados ao trabalho, seria tão catastrófico assim? Eu até convidaria meu chefe para ir até à estação do metrô apreciar também. Afinal nada melhor do que começar o dia com música e funcionários bem dispostos produzem mais e melhor.

Vivendo neste atual mundinho caótico precisamos e devemos ter momentos como os que foram ofertados por esse artista.

A alegria da vida definitivamente não tem preço, não se compra. Reflitam sobre como estão levando suas vidas...



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quarta-feira, 14 de março de 2012

Mentalidade de rebanho explicada

sheeple

Em mais de um post já comentei aqui sobre uma característica humana que é decorrente da consciência pouco desenvolvida: deixar-se influenciar pelos demais, ficar repetindo o que os outros dizem sem ter comprovação ou, resumindo, deixar-se comandar pela matrix (sistemas de crenças vigentes).

Quando não se está desperto de maya (a ilusão que é a nossa realidade) é comum isso acontecer com as pessoas. Como se não bastasse desconhecermos a “real” realidade, ainda existe o fato de o ser humano ser emocional. Existem aqueles mais racionais, mas quando o parafuso aperta, somos todos comandados pelas emoções. As pessoas não se dão conta disso, a coisa funciona inconscientemente.

Nos Estados Unidos, esse “Maria vai com as outras” arranjou um nome bem apropriado: sheeple (mistura de sheep – ovelha com people – pessoa). Achei muito engraçado, pois o povo desse país é um exemplo típico do que estamos falando. rsrs

O povo americano é bastante imaturo e naive (ingênuo), mas, pelo que tenho tido de informações de lá, parece que estão acordando...

Já aqui no Brasil não é a ingenuidade a responsável, mas a ignorância. Falta muita educação ao nosso povo e os governos, que poderiam dar um jeito nisso, até agora lavaram as mãos. Não que isto esgote os motivos para tal comportamento, com seres humanos nada é simples.

Bem, mas vejam a matéria que fala sobre a experiência conduzida pelo Professor Jens Krause da Universidade Leeds.

Estudo comprova que 95% das pessoas são sheeple

O estudo mostrou que é preciso somente uma minoria de 5 por cento para influenciar a direção de uma multidão e que os outros 95 por cento acompanham sem terem noção do que está acontecendo.

Os cientistas na Universidade de Leeds conduziram pesquisas que comprovam a tendência que muitos têm de agir como rebanho, inconscientemente seguindo a multidão como se eles não possuíssem uma mente capaz de raciocinar. Enquanto esta tendência pode ter seus usos em algumas situações, tais como o planejamento de fluxo de pedestres em áreas ocupadas, ela não inspira nada de esperança para a humanidade. O estudo mostrou que uma minoria de apenas cinco por cento influencia a direção da multidão - e que os outros 95 por cento seguem sem sequer perceber o que está acontecendo.

O Professor Krause realizou uma série de experimentos em que grupos de voluntários andavam aleatoriamente num grande salão. Dentro do grupo, alguns receberam instruções sobre onde andar. Os participantes não podiam se comunicar ou influenciar alguém intencionalmente. As conclusões em todos os casos revelaram que os indivíduos informados foram seguidos pelos outros formando uma estrutura de organização snake-like (como uma cobra) ou rebanho de ovelhas, faça a sua escolha.

“Nós todos já passamos por situações onde fomos “varridos” juntos por uma multidão, disse o Professor Krause. Mas o que é interessante sobre esta pesquisa é que nossos participantes acabaram por tomar uma decisão de consenso, apesar do fato de que eles não estavam autorizados a falar ou fazer gestos um para o outro. Na maioria dos casos os participantes não perceberam que estavam sendo conduzidos por outras pessoas. Assustador. Somos sheeple já que podemos permitir que algumas pessoas "informadas" nos conduzam ao redor sem saber o que está acontecendo? Infelizmente faz sentido. Quantos caem em golpes de todos os tipos por causa de amigos ou fontes "informadas" em esquemas de pirâmides ou golpes religiosos e/ou políticos? Nós parecemos acreditar sobre qualquer coisa ou tolerar cegamente desde que a mensagem seja entregue com suficiente credibilidade social.”

Como ser você mesmo? Há algumas coisas que você pode fazer não só para evitar viver como um sheeple, mas desfrutar de uma vida plena, próspera e emocionante para começo de conversa. Aqui estão alguns dos fundamentos que os sheeple tendem a perder.

Determine o que você quer na vida. Por mais de 25 anos ensinando Programação Neuro Lingüística, eu fiz a milhares de pessoas a pergunta: o que você quer? E fiquei espantado com a incrivelmente baixa percentagem de pessoas que podem responder a ela. Quais são seus principais objetivos? Em que direção você está norteado? Onde você quer estar em cinco anos? A resposta mais comum: não sei. Vamos ver o que acontece. Talvez um em cada dez pode responder com segurança e especificidade. São os que falam assim:

- Meus principais objetivos agora são ..........

- Em cinco anos minha vida será diferente nas seguintes específicas maneiras .........

- Os obstáculos principais no meu caminho são os seguintes........

- As habilidades que preciso desenvolver para alcançar meus objetivos são as seguintes...

Ninguém pode prever o futuro, mas algumas coisas nos servem melhor para intencionalmente perseguir um futuro escolhido do que esperar para "ver o que acontece." Se você não escolher suas metas, sua família, amigos, comunidade e cultura farão isso por você (consciente ou inconscientemente). Isso é chamado de status-quo. Não surpreendentemente, o status quo não é tão inspirador.

Aprenda a tomar decisões intencionais, completas. Muitas das nossas decisões não são bem consideradas. Na PNL, aprendemos que as decisões e a motivação são simplesmente compostos de fenômenos visuais, auditivos e cinestésicos (sensação orientada). Estes são os blocos de construção dos processos mentais. (Discordo solenemente. Não é só isso. A PNL afirmando isso, baseia seu conhecimento na priorização de aspectos físicos ou fisiológicos)

Más decisões, decisões impulsivas e decisões lamentáveis muitas vezes estão carentes de um bloco de construção. Tomamos decisões de impulso sem discutir coisas (faltando o auditivo). Tomamos decisões emocionais sem considerar outras opções (faltando visual e auditivo). Ou somos travados em loops mentais sem nenhuma saída (interminável diálogo interno com nenhum sentimento em direção à ação).

Em todos estes casos, porque nos falta a base para decisões sólidas, somos vulneráveis aos caprichos dos outros. Se não tivermos a capacidade de discutir e analisar as decisões, aceitamos a análise de alguém como se fosse um evangelho. Se nós tendemos a tomar decisões emocionais, podemos ser vítimas de quem pode bombear-nos de encontro a um estado emocional. Se nós não levamos nossos pensamentos à conclusão com um sentimento de segurança, nós podemos apenas fazer o que os outros estão fazendo simplesmente para sair do loop interno sem fim.

Incrivelmente, não ensinamos as habilidades de fixação de metas e tomada de decisão em nosso sistema educacional. Essas ajudam a formar a base do real caráter e individualidade - e nos protegem da dependência das idéias ou opiniões dos outros. Tomar as suas decisões com todos os seus blocos de construção no lugar e com um conjunto claro de objetivos em mente. Isto irá mantê-lo fora do reino do sheeple. Mas não tome minha palavra para isso. Pense bem.”

Fonte: http://www.naturalnews.com/034676_sheeple_study_psychology.html#ixzz1jqjo20yM

Imagem: holytaco.com

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não confunda necessidade com desejo

bolsa Hermes
Estamos numa é poca onde desejos pululam em nossa cabeça. Vivemos completamente rodeados por propagandas nos convencendo a adquirir “trocentas” coisas que dizem necessitarmos. Será?

Vejamos primeiramente o que dizem, os especialistas no assunto, sobre as necessidades.
Henry Murray (psicólogo), um dos primeiros a pesquisar a respeito, classificou as necessidades humanas em:

- primárias ou viscerogênicas (necessidades biológicas como sede, fome ou sono)

- secundárias ou psicogênicas (derivadas de uma necessidade primária ou inerentes ao psiquismo humano)

Então as necessidades referem-se aos aspectos básicos da condição humana (pessoais, psicológicos, sociais). Ponto!

O reconhecimento ou conscientização de uma necessidade vem da comparação entre uma situação real, presente no momento, e uma situação ideal ou benéfica ao indivíduo. Se estou em jejum há 12 horas a necessidade que se apresenta é a de comida. Se estiver com frio é a de agasalho, se me sinto solitária aparece a necessidade de companhia (afiliação) e assim por diante.

As necessidades estão vinculadas não só à preservação da condição humana como também à nossa evolução. No passado não precisávamos de telefone celular, hoje muitos não vivem sem ele (confesso que eu não sei mais viver sem o “tio Google”). rsrs Ou seja, conforme vamos evoluindo as necessidades aumentam ou ... o que pensamos ser necessidades.

Aí é que está a armadilha: confunde-se necessidade com desejo.

Um bosquímano não necessita de um aparelho de TV, até porque ele não tem acesso à rede elétrica, mas não o tendo ele se encontra afastado e ignorante do mundo “civilizado”, sem chances de poder escolher entre permanecer em sua situação ou almejar algo diferente.

Então digamos que nos dias atuais uma TV é uma necessidade, mas ... é preciso, realmente, que o aparelho seja um flat último modelo? Ou isso é um desejo de ter sempre as últimas novidades eletrônicas ou para competir com o vizinho, colegas, etc.?

Nós precisamos, realmente, ter uma geladeira que forneça cubinhos de gelo na porta (gelo portátil, segundo os fabricantes)?

Uma criança precisa, realmente, ter seu quarto abarrotado de brinquedos ao ponto de não haver espaço para movimentação?

Uma bolsa Hermès (preços que podem variar de R$ 1.700,00 a R$ 100.000,00) não cumpre a mesma função que qualquer outra bolsa?

E por último, é necessário, realmente, ter torneiras de ouro em casa? Não riam porque elas existem, sim.

Bem, isso tudo são desejos e não estou dizendo que há algo de errado neles, mas é preciso que se tenha consciência disso para não cair em extremos de, por exemplo, ser “um Maria vai com as outras”.

Existe um risco com relação aos desejos que é a distorção dos motivos, o que é destrutivo para o ser humano, pode levar à depressão, frustração e até crimes. Quando se deseja uma coisa por ela mesma isso pode não ser problema algum (exceção: megalomania), mas quando se deseja algo como meio de obter um fim ... aí reside a distorção e consequentemente o problema. Digamos que você deseja ser promovido, não pela satisfação de ter sua capacidade reconhecida, mas sim porque quer se “vingar” daquele colega chato ou o exemplo que já dei do último modelo de TV: para disputar status com alguém.

Esse é o perigo. Algumas filosofias e religiões orientais preconizam a total eliminação dos desejos para alcançar o Nirvana ou a iluminação. Acreditam ser uma orientação de Buda. Como Buda alcançou a sua iluminação não acredito que ele tenha dito isso, mas ... cada um, cada um... rsrs

Consciência, essa é palavra. Na medida em que expandimos nossa consciência vamos vendo que muito do que queremos não são realmente necessidades, mas desejos que podem ser saudáveis, não nos causar mal algum ... ou não.

Para ilustrar, eis a seguir algumas das necessidades psicogênicas listadas por Murray:


Realização (vencer obstáculos e atingir um alto padrão)
Afiliação (fazer amizades, ligar-se afetivamente a alguém)
Autonomia (resistir à coerção e à restrição)
Autodefesa (evitar a humilhação, fugir de situações embaraçosas)
Apoio (ter suas necessidades satisfeitas pela ajuda simpática das pessoas)
Exibição (deixar uma boa impressão, causar admiração)
Rejeição (separar-se de uma influência negativa)

Imagem: todaoferta.uol.com.br


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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mulheres descartáveis

mulheres

“Michel Houellebecq é um escritor francês de péssima reputação entre as mulheres. Escreveu Partículas Elementares, livro em que lança mão de uma ciência duvidosa (a sociobiologia) para defender uma tese controversa: a de que a revolução sexual liquidou as chances de felicidade feminina.

O livro sugere que as mulheres se tornaram objetos de prazer descartáveis, que perderam o amparo que as estruturas tradicionais costumavam oferecer. Envelhecem, perdem o atrativo e a função reprodutiva e vivem à mercê dos filhos, cada vez menos respeitosos. É pessimista a não poder mais. Quem quiser ter contato com uma versão adocicada do livro pode pegar o filme nas locadoras, com o mesmo nome.

Desde a primeira vez em que tive contato com as idéias de Houllebecq elas me deixaram um gosto esquisito na boca. Por me considerar profundamente feminista, briguei silenciosamente com elas. Por ser, como o autor, um tanto pessimista, não consegui me livrar inteiramente da impressão de que as mulheres, de alguma forma, estão sendo enganadas pela história: no momento da sua maior conquista, no momento da liberdade e da igualdade de direitos, muitas se descobrem de mãos e vidas vazias.

Na semana passada aconteceram duas coisas que reforçaram meu pessimismo.

Primeiro, publicamos aqui na ÉPOCA uma reportagem perturbadora sobre infelicidade feminina. Desde 1972, ano após ano, um percentual cada vez maior de mulheres se diz infeliz com a própria vida, enquanto um número cada vez maior de homens se diz feliz com a deles. Quando a pesquisa começou, logo depois da revolução social e sexual dos anos 60, as mulheres eram muito mais felizes e esperançosas do que os homens. Agora a situação se inverteu. Pior: as mulheres ficam cada vez mais tristes à medida que envelhecem, enquanto os homens ficam mais satisfeitos.

Outra coisa que me deixou pessimista foi a conversa com uma amiga querida que já passou dos 40, tem filhos pequenos, nenhum marido e acabou de romper um namoro importante. Ela está desolada, tomada pela sensação de que as dores de amor são cada vez maiores, o tempo de recuperação é cada vez mais longo e a paixão, que viria a enterrar a dor passada, é cada vez mais rara. Os filhos dão trabalho, a vida é dura e ela já não se sente atraente como costumava ser. Eu tentei animá-la o quanto pude, mas saí da conversa mais pesado do que entrei. Pensei no livro de Houllebecq.

Hesito em escrever o que planejei escrever agora. Faltam palavras e a convicção profunda. O sentido do que eu quero dizer me parece francamente conservador, ainda assim talvez seja a coisa certa a ser dita. Talvez. Considerando, então, que as dúvidas podem ser melhores que as certezas, avancemos.

Pode ser que a revolução dos costumes tenha traído as mulheres, como sugere Houllebecq. Digo isso e me lembro, imediatamente, de mulheres bem-sucedidas e livres que eu conheço. Elas tocaram sua vida sem se lixar para preconceitos e para a tutela dos homens. Criaram seus filhos de forma não convencional. Tiveram maridos, mas nunca foram prisioneiras de casamentos. São filhas dos anos 60. Agora estão chegando aos 50 ou 60 no controle das próprias vidas. Têm dinheiro, prestígio social e familiar e – não menos importante – estão acompanhadas. São felizes, me parece. Mas talvez sejam exceções: personalidades exuberantes, talentos privilegiados que teriam dado certo em qualquer época e qualquer ambiente.

A maioria das mulheres acima de 40 que eu conheço não é assim. A maioria é gente normal, que viveu as liberdades herdadas dos anos 60 e 70 como teria vivido o conservadorismo anterior, com naturalidade. Não eram revolucionárias. Elas acreditaram na ideia da época de que poderiam ser sexualmente livres, economicamente independentes e que tinham pleno direito à felicidade. E não foi bem assim que aconteceu. O sexo escasseia quando se deixa de ser jovem e bonita. A independência econômica ainda é uma miragem para homens e mulheres. E a felicidade, agora se sabe, não é sinônimo de liberdade e igualdade. Talvez seja o contrário, o que seria muito humano.

Parte dos problemas femininos se deve ao comportamento dos homens. Antigamente, eles ficavam no casamento, ainda que não ficassem necessariamente em casa. Manter os filhos era obrigação primordial do pai. Agora os homens vão embora e frequentemente deixam às mulheres a tarefa de criar os filhos. E está tudo bem. Não dão dinheiro suficiente e nem atenção suficiente. E está tudo bem. Na cultura de “vamos ser felizes”, herdada dos anos 60, que se espalhou por todas as classes sociais, a obrigação essencial de cada um é com a própria felicidade. A noção de dever e de obrigação vai se esgarçando até não significar coisa nenhuma. Lealdade (sobretudo sexual e afetiva) é uma palavra anacrônica. Vem junto com “traição” na lista daquelas que se usa entre parênteses.

É claro que a culpa pela infelicidade feminina não é dos homens. Nas últimas décadas as mulheres puderem fazer escolhas. Elas decidiram com quem e como gostariam de viver. Quantas vezes iriam casar ou se separar. Quando e em que circunstância seriam mães (esquecendo, por um segundo, que o aborto ainda é crime no Brasil). Se deixaram de perseguir a própria carreira (ou o sonho) com a dedicação que ela (ou ele) merecia, isso foi escolha, não imposição. Pelo menos na classe média. Se perseguiram a carreira e agora se sentem sozinhas, também isso foi resultado de escolha. O segundo filho, o casamento tedioso, a solidão apavorante: tudo decorre das escolhas. O amor que arrebata também. A família feliz também. A estabilidade. A luta na trincheira do lar. O que não é escolha é azar, como o abandono. Ou sorte, que também existe.

Assim tem vivido a minha geração. Ela fez e faz escolhas dentro daquilo que Brecht chamava de “o tempo que nos foi dado viver”. E eu acho que esse tempo tem beneficiado mais os homens que as mulheres. E, dentre as mulheres, tem beneficiado mais aquelas que fizeram opções mais conservadoras. Ainda é arriscado para as mulheres viver com a liberdade dos homens. O custo dos erros e dos azares não é o mesmo. E, ao longo do tempo, vai se tornando mais alto para as mulheres. Esse é o tema de Houllebecq. Homens não engravidam e raramente ficam com os filhos. Homens viajam mais leve pela vida e pelo mundo do trabalho. Homens (ainda) não dependem tão fundamentalmente da juventude e da beleza. Usufruem mais do mundo e por mais tempo. Estão mais bem aparelhados para viver o “cada-um-pra-si” do planeta egoísmo.

A que isso nos leva? A uma segunda revolução dos costumes, eu acho. Na primeira, quarenta anos atrás, homens e mulheres ficaram “iguais”. Na segunda, talvez a gente descubra que as mulheres – as mães dos nossos filhos – precisam de um grau adicional de proteção social, de lealdade afetiva e de celebração nas suas funções tradicionais. Sem hierarquias. Sem “ordem natural” masculina. Gente com poder igual, mas com necessidades diferentes.

Em 1875, descrevendo uma utopia, Karl Marx escreveu que a sociedade ideal deveria dar às pessoas de acordo com as suas necessidades e receber delas de acordo com a sua capacidade. Talvez muitas mulheres estejam dando mais do que deveriam e recebendo menos do que precisam, em vários terrenos. Talvez por isso as pesquisas mostrem que elas estão cada vez mais tristes. Talvez por isso a minha amiga esteja destroçada. A simpática barbárie de costumes em que vivemos nos últimos anos pode não ser um bom ambiente para moças de família. Ou para as moças construírem direito suas famílias.”

Ivan Martins – Revista Época – 21/10/2009

Dá o que pensar, não é? Meninas, reflitam mais nas suas escolhas!!!

Imagem: ligeiramentemegera.blogspot.com

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