"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Loucura contagia?

histeria coletiva

Por incrível que pareça a resposta é sim se levarmos em conta o fenômeno psicológico chamado histeria coletiva.

A histeria coletiva é um fenômeno antigo. Também é conhecida como doença psicogênica de massa. Caracteriza-se por um grupo de pessoas apresentarem sintomas, perturbações ou reações semelhantes, de forma solidária a qualquer fato, imaginário ou exagerado. É mais comum apresentar-se em pessoas que dividem o mesmo espaço físico, como empresas ou escolas, mas pode acontecer também em qualquer lugar.

Um dos casos mais conhecido, chamado de “a praga da dança”, foi o ocorrido em Estrasburgo, no ano de 1518 quando centenas de pessoas dançaram até cair de exaustão ou mesmo morrer. Começou quando uma moradora da região começou a dançar na rua, aparentemente sem motivo e sem qualquer música tocando. Em uma semana, 34 pessoas já haviam se juntado à dançarina e em menos de um mês havia mais de 400 pessoas dançando freneticamente nas ruas.

Aqui no Brasil há a história do Cine Oberdan ocorrida em abril de 1938 em São Paulo. Segundo relatos de presentes no local, um pânico tomou conta de uma das salas do cinema por conta de um grito de fogo. Houve mais de 30 mortes e após a investigação ficou constatado que nunca houve o menor sinal de incêndio no local.

Em 2010, uma escola no interior do Ceará teve suas aulas interrompidas após um caso de surto coletivo. Dezenas de alunos entre 12 e 19 anos diziam ver o espírito de um estudante que havia morrido. Os adolescentes entravam em um tipo de transe ao estar dentro da escola. O caso foi estudado por psicólogos, parapsicólogos e até um padre. Após certo tempo, assim como começou o fenômeno desapareceu.

Bem mas o que vem a ser histeria? Segundo Freud, é uma neurose que se apresenta em duas formas:

Na histeria conversiva haveria um conflito inconsciente, uma ansiedade que não consegue emergir para o consciente por mecanismos repressivos da própria mente (Superego) mas que contém uma energia que precisa se manifestar e acaba eclodindo como um sintoma físico que mantém uma relação simbólica com o conflito. Ex. Se eu sinto muita vontade de bater em meu pai, pelo ódio que sinto dele, meu braço vai ficar paralisado (afinal é “errado” odiar o pai).

Na histeria dissociativa, um estímulo é sentido de forma tão intensa que quebra a funcionalidade da própria mente, desequilibrando-a e levando a pessoa a atos dissociados da realidade que a cercam, por maior ou menor tempo. Ex. Gritar loucamente e subir na cadeira ao ver uma barata.

Então, na histeria, há uma tensão e sofrimento não verbalizados e o material recalcado vem disfarçado sob a forma de um sintoma corpóreo.

A sociedade ocidental sempre foi muito reprimida, principalmente na área sexual, portanto em cultos religiosos pessoas rodopiam, gritam, pulam, caem, riem, dançam e falam em línguas estranhas (que eles dizem que é língua dos anjos). Contudo a histeria coletiva também se manifesta em campos de futebol e shows de rock.

A histeria coletiva é uma coisa perigosa, vai desde vandalismo em manifestações públicas até linchamentos.

Precisamos ter consciência que somos seres altamente influenciáveis pelo grupo. Uns mais, outros menos, mas todos o são.

Imagem: megacurioso.com.br

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Está entediado? Descubra agora qual o seu tipo de tédio

tedio

Um mestre já disse que criamos dramas em nossas vidas porque na maior parte do tempo estamos entediados. O drama vem agitar um pouco as coisas e nos fazer sentir vivos.

Nem todo tédio é o mesmo, de acordo com um novo estudo.

“Uma equipe de pesquisadores do Canadá, Estados Unidos e Europa identificaram um tipo de tédio, chamado tédio apático, que envolve sentimentos desagradáveis de desamparo aprendido e que tem semelhanças com a depressão.

O tédio apático agora é o quinto tipo de tédio identificado por pesquisadores, que tinham detalhado outros quatro tipos de tédio em estudos anteriores. Os tipos de tédio são diferenciados tanto por um nível de excitação mental - que vão desde inquieto a calmo - e pela positividade ou negatividade associada a esse tédio.

A descoberta do quinto tipo de tédio é baseado em dados de 63 estudantes universitários e 80 estudantes do ensino médio na Alemanha. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Konstanz e da Universidade Thurgau de Formação de Professores, e foi publicada na revista Motivação e Emoção.

Confira os cinco tipos de tédio abaixo para saber que tipo de "aborrecimento" você está experienciando:

Tédio indiferente: Pessoas com esse tipo de tédio sentem-se aposentadas, indiferentes e relaxadas.

Tédio calibrado: Pessoas com este tipo de tédio se sentem inseguras e são receptivas a distrações.

Tédio investigador: Pessoas com esse tipo de tédio são inquietas e buscam ativamente uma distração ou mudança.

Tédio reagente: Pessoas com esse tipo de tédio estão motivadas a deixar a situação em que estão em uma alternativa específica.

Tédio apático: Pessoas experienciando esse tipo de tédio aprenderam a sentirem-se impotentes, semelhante à depressão.

Recentemente um estudo de Perspectivas em Ciências Psicológicas mostrou que, em geral, o tédio pode ser fixado a três coisas: 1) a incapacidade de se concentrar ou prestar atenção; 2) o conhecimento de que não podemos prestar atenção e 3) culpando a nossa incapacidade de prestar atenção em nossas circunstâncias.

Há bons e maus lados no tédio, de acordo com pesquisas anteriores. Um estudo do International Journal of Epidemiology, por exemplo, mostrou uma associação entre sentir-se entediado e ser mais propenso a morrer cedo de problemas cardíacos (embora os pesquisadores notaram que o tédio provavelmente está relacionado com fatores de risco, como beber ou fumar). Por outro lado, um estudo apresentado em um encontro da Divisão de Psicologia do Trabalho da Sociedade Britânica Psicológica mostrou que o tédio no trabalho pode facilitar a criatividade, provavelmente por causa de todo o tempo extra de sonhar acordado.” http://www.huffingtonpost.com/2013/11/18/boredom-five-kinds-apathetic_n_4297276.html?utm_hp_ref=healthy-living&ir=Healthy+Living

A despeito das conclusões dos pesquisadores sobre alguns benefícios do tédio, vamos combinar que o melhor é não senti-lo. E como conseguir isso?

Resposta óbvia: viver a vida ao invés de somente passar por ela. O ser humano acostumou-se a viver no piloto automático a maior parte do tempo. Repete diariamente, desde o levantar da cama, rotinas insignificantes, faz coisas sem prestar atenção, pensa uma coisa, mas diz outra diferente, corre de um compromisso para outro sem se dar um tempo para pensar em si próprio, cumprimenta o vizinho distraidamente (quando o faz), esquece, ao sair, de dar um beijo no cônjuge ou nos filhos, envolve-se em rituais mecânicos e sem sentido (falar sobre o tempo, fofocar de colegas, etc.), enfim ... passa pela vida.

E, quando a vida está muito chata, arruma um drama para poder, finalmente, sentir alguma coisa.

Precisamos lembrar que somos seres sencientes, o sentir faz parte de nossa natureza e é o sentimento que nos faz desfrutar a vida. Pessoas que têm uma vida rica de sentimentos dificilmente sentirão tédio.

Pensem nisso e não esqueçam também de alimentar seus cérebros com “comidas nutritivas” (cérebro ocupado não dá lugar ao tédio). Troque o Facebook ou o Twitter por um bom livro.

Imagem: noticias.universia. com.br

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sua mente está na mira de alguém

na mira

O desejo de conquista da mente humana já se evidenciava na antiguidade. De lá pra cá só tornaram-se mais requintados os métodos utilizados para consegui-lo.

Nunca a humanidade teve tanto acesso às informações sobre os mais variados assuntos. Viva a internet! Contudo quanto mais informação chega até nós, maior deve ser o cuidado em analisá-las e verificá-las, pois aumentam as chances de encontrarmos muita informação incorreta e/ou manipulada.

Todo mundo está sujeito a ser manipulado, primeiramente pela mídia, mas também por governos, políticos, mercado financeiro, publicidade, religiões, etc. Percebo muito isto na internet, as pessoas aceitando qualquer informação lá postada sem se dar ao trabalho de conferir o que leu.

Acordem! O mundo está enlouquecido, há gente de todo o tipo querendo seguidores, por ganância (pastores de igrejas-empresas), por vaidade, por lucro financeiro, por votos em eleições, para vender mais jornais ou revistas, enfim por vários motivos.

Encontro na internet seguidores das mais variadas “estapafurdices”. Ultimamente, com o avistamento do cometa Ison, encontra-se matérias escritas e vídeos com frases alarmantes sobre o perigo que corre a humanidade, contando ainda com o acréscimo da “chegada” do tal de planeta X ou Nibiru.

As “notícias” mais estapafúrdias encontram eco em seguidores ingênuos ou desinformados. Casualmente li uma dessas que me fez rir: o governo norteamericano teria comprado quinze mil guilhotinas. Segundo os “brilhantes” autores da “notícia”, para execuções em massa de cidadãos estadunidenses. Putzgrila ... Será que não existem mais metralhadoras, que tornam bem mais rápida qualquer execução?

Pois é, e tem gente que acredita nisso!

Mas afinal, o que leva alguém a acreditar em algo que contradiz a lógica, o raciocínio dedutivo e às vezes até evidências?

Para responder a esta questão devemos lembrar que o ser humano é emocional na maior parte do tempo. Os interessados em manipular pessoas sabem que devem explorar esta característica, usando o medo como fermento de suas ideias ou informações.

O medo sempre foi utilizado pelas religiões para garantir seus fiéis, o medo do inferno, da danação eterna. Também a culpa, que é outra emoção, é bem explorada pelas igrejas, assim como a tensão emocional. Por que os pregadores gritam tanto, são tão enfáticos? Porque assim criam tensão. Sob tensão as pessoas perdem grande parte de sua capacidade de raciocínio e conforme a tensão aumenta, como em casos de tortura, o cérebro torna-se exausto e extremamente inibido, colapsando a capacidade de julgamento crítico. Daí acreditar em qualquer coisa é possível, visto que o cérebro - exausto torna-se então sugestionável.

A conquista de mentes pelas igrejas tem sido bem estudada.  “...têm maior probabilidade de conseguir êxito se puderem primeiro provocar certo grau de tensão nervosa ou despertar sentimentos de cólera ou ansiedade suficientes para assegurar a atenção inteira da pessoa e possivelmente aumentar sua sugestionabilidade. O efeito imediato de tal tratamento é, em geral, prejudicar o discernimento e aumentar a sugestionabilidade; e, embora a sugestionabilidade diminua quando a tensão é eliminada, as ideias implantadas enquanto ela dura podem permanecer.” (William Sargant)

A sugestionabilidade varia entre os indivíduos, mas dependendo das condições em que a sugestão é oferecida até os menos sugestionáveis acabarão cedendo. Está atrelada às emoções como medo, culpa, tensão, stress, etc.

 “... na atualidade, os magos negros do marketing usam e abusam do poder da sugestão para plantar idéias em nossas cabecinhas – para atiçar nossos mais escondidos desejos – e criar as necessidades mais desnecessárias, pagas em carnês em prestações a perder de vista; tudo para potencializar sua última cartada: o estresse crônico; no qual eles ganham de todos os lados; tanto na construção da armadilha quanto na mentira da cura para desmancha la ...” (Américo Canhoto)

Detentores do poder sempre usam a indução como meio de sugestionar as pessoas, sejam eles o pessoal de marketing, os governos, os políticos ou os “ministros” de Deus. Na maior parte das vezes essa indução passa despercebida.

Que fique bem claro que sugestão, lavagem cerebral, indução podem ser aplicadas a qualquer pessoa, mesmo àquelas de bom nível educacional e inteligentes, pois independem desses quesitos. Como disse anteriormente estão ligadas à emoção e não há ser humano destituído da mesma.

Certamente que o exposto até agora não explica todos os casos de aceitação de algo que contradiz a lógica e o bom senso. O ser humano é altamente complexo e podemos incluir, em alguns casos, excesso de presunção e vaidade – “eu sei tudo, sou o dono da verdade ...” A presunção é tão grande que embota o cérebro.

Quem tem consciência mais desenvolvida terá sempre muito cuidado com quaisquer informações, irá analisá-las e verificá-las para não incorrer no risco de ser manipulado por alguém que tem sua mente na mira.

Imagem: cidadeagorago.com.br

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quão grossa é nossa casca civilizada?

senhor das moscas

Há muitos anos li o livro que mais me impactou negativamente. Deixou-me muito chocada e com tendência a descrer da natureza humana: O Senhor das Moscas de William Golding (prêmio Nobel de 1983). Foi feito filme a respeito, parece que está no Youtube.

Para os que não leram, resumo brevemente: o livro trata de um grupo de meninos, com idades variadas, que sobreviveram a um acidente aéreo e se encontram numa ilha deserta do Pacífico sem a presença de nenhum adulto.

A ilha contém água e bastante caça. Inicialmente há só festejos por não terem que frequentar aulas ou obedecerem a adultos, mas logo percebem que terão de se organizar para sobreviverem. Ralph é eleito líder do grupo e orienta que deverão construir abrigos e plantar para futuramente não carecerem de comida (não sabem quanto tempo transcorrerá até serem resgatados), porém logo depois é contestado por outro elemento do grupo, chamado Jack, um adolescente desbravador, inconseqüente e cruel que propõe que se dediquem apenas à caça e às brincadeiras.

Após várias disputas, o grande grupo se divide  seguindo os dois líderes de temperamentos tão opostos: Ralph e Jack.

O restante do livro mostra os embates que passam a ocorrer entre os dois grupos e onde veremos distintos personagens encenando características humanas como bravura, lealdade, raciocínio lógico, conformismo, controle e finalmente barbárie.

É um livro pesado e sombrio que mostra sem dó a natureza humana. Contudo foi escrito logo após a segunda grande guerra e isso explica o pessimismo do autor em relação à raça humana.

Eu lembrei desse livro quando, há poucos dias, estava lendo sobre o Experimento Robbers Cave que trata da teoria RCT (Teoria do Conflito Realista).

No verão de 1954, num acampamento de escoteiros em Robbers Cave State Park, Oklahoma, o psicólogo social Muzafer Sherif reuniu 22 meninos de 12 anos, separando-os em dois grupos que não tinham ciência da existência do outro nos primeiros dias.

Ambos os grupos formaram times camaradas e unidos enquanto permaneceram separados, todavia quando posteriormente foram postos em contato para competir (um grupo contra o outro) em atividades como baseball, cabo de guerra, etc. começou a haver agressividade ao ponto de meninos terem de ser fisicamente separados  pelos adultos.

Sheerif considerou ter provado a teoria que desenvolveu mais tarde (RCT) de que o que leva grupos a ter preconceitos e estereotipias negativas é a competição por recursos desejados.

No nosso país, o exemplo mais flagrante dessa teoria são as torcidas de futebol com suas atitudes muitas vezes selvagens e totalmente irracionais.

Infelizmente o ser humano se compara com os demais pelas suas diferenças e não pelas semelhanças e se acrescentarmos o fator competição as hostilidades aumentam. Isto fica bem demonstrado no livro O Senhor das Moscas onde os dois grupos que se defrontam são bem diferentes em algumas atitudes e/ou comportamentos.

O mais impactante é que tanto no livro quanto no experimento de Sherif os meninos são de classe média alta, provenientes de famílias cristãs e de bons costumes. Como puderam chegar a cometer atos de selvageria?

Será que a casca de civilidade dos seres humanos é tão fina?

È bom refletir sobre o assunto. Lembrar que em todos nós, lá no fundo,  mora um ser das cavernas, instintivo e primitivo que nunca saberemos quando vai acordar até nos vermos em uma situação limite que vai nublar nossa razão.

Daí a importância de desenvolvermos nossa consciência para poder prevenir esse tipo de tropeço.

Imagem: www.elirodrigues.com

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Relacionamento tipo tênis ou tipo frescobol?

Idosos

Hoje, para refletir, um primor de texto de Rubem Alves sobre os relacionamentos. Leia, deguste e pense de qual tipo é o seu relacionamento ...

“Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.

Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me.

Para começar, uma afirmação de Nietzsche com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria, capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice”?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Sheerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O Império dos Sentidos”.

Por isso, quando o sexo já estava morto na cama e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites.

O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ”Eu te amo...”

Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética”.

Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua “cortada”, palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.

O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.

Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui, ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão ... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor ... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...”

Rubem Alves

Imagem: www.reporternews.com.br/

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Seja você mesmo

sheeple2

Acho que todos vocês já se deram conta que o ser humano é um conformista, ou seja, imita maneiras de vestir, falar e se comportar de outros. Contudo já se perguntaram até onde vai essa conformidade? As pessoas seriam capazes de negar os próprios sentidos só para se conformar com os demais?

Ash, um psicólogo norteamericano, resolveu realizar um experimento para demonstrar que as pessoas não se deixam afetar pela opinião das demais quando têm uma inequívoca resposta acerca de algo.

Enganou-se.

Eis como transcorreu o experimento:

Ash convocou estudantes de graduação, todos do sexo masculino. Um da cada vez, os fazia entrar numa sala onde havia mais oito pessoas sobre as quais era dito serem outros participantes. A cada um era mostrado um cartaz como a imagem abaixo e pedido a todos que respondessem qual das três linhas do lado direito tinha o mesmo tamanho que a do lado esquerdo?

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O que os participantes não sabiam era que aqueles oito dentro da sala na verdade eram cúmplices do experimentador com a orientação de dar respostas erradas e sempre primeiro eram chamados cinco ou seis antes do verdadeiro participante do experimento.

O procedimento foi repetido doze vezes com variantes da imagem acima e Ash se surpreendeu com as respostas.

“50% das pessoas deram a mesma resposta errada como os outros em mais de metade dos ensaios.

Apenas 25% dos participantes se recusaram a ser influenciados pelo falso julgamento da maioria em todas as 12 provas.

5% mantiveram-se sempre conformados com o parecer incorreto da maioria (todos nós conhecemos pessoas assim, né?)

Durante todos os ensaios, a taxa média de conformidade foi de 33%.

Intrigado sobre o porquê dos participantes terem ido junto com a maioria, Asch entrevistou-os após o experimento. Suas respostas são, provavelmente, muito familiares a todos nós:

a) Todos se sentiam ansiosos, temiam a desaprovação dos outros.

b) Muitos explicaram que viram as linhas de forma diferente do grupo, mas, em seguida sentiram que o grupo estava correto.

c) Alguns disseram que foram junto com o grupo para evitar destacar-se, ainda que soubesse que o grupo estava errado.

d) Um pequeno número de pessoas realmente disse que viram as linhas da mesma forma como o grupo.

Intrigado sobre o porquê dos participantes terem ido junto com a maioria, Asch entrevistou-os após o experimento. Suas respostas são, provavelmente, muito familiares a todos nós:

a) Todos se sentiam ansiosos, temiam a desaprovação dos outros.

b) Muitos explicaram que viram as linhas de forma diferente do grupo, mas, em seguida sentiram que o grupo estava correto.

c) Alguns disseram que foram junto com o grupo para evitar destacar-se, ainda que soubessem que o grupo estava errado.

d) Um pequeno número de pessoas realmente disse que viram as linhas da mesma forma como o grupo.” (http://www.spring.org.uk/2007/11/i-cant-believe-my-eyes-conforming-to.php)

Acho que esses resultados dão o que pensar, não é?

A necessidade do ser humano de “pertencer ao grupo” realmente é bem significativa, porém é mister ter-se cuidado para não virar um “Maria vai com as outras”, ter um mínimo de individualidade como ser pensante. Isso é ter consciência, de si e do que faz. Na adolescência uma atitude conformista é aceitável, depois ... é lamentável.

Cuide para não se tornar um “sheeple”.

Imagem: richardcorrigan.com

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terça-feira, 23 de julho de 2013

Conheça os mecanismos de defesa que usamos - I

defesa

Já postei aqui no blog sobre alguns mecanismos de defesa (mecanismos internos de proteção do Ego e de controle usados automaticamente, para enfrentar angústia, impulsos agressivos, ressentimentos, frustrações, etc.). como a negação, projeção,e transferência.

Hoje vou discorrer sobre mais alguns porque os mecanismos de defesa interferem, e muito, não só na percepção das pessoas, mas também em seus relacionamentos.

Introjeção: é um processo inconsciente pelo qual o sujeito incorpora ao eu características do exterior, pode ser de pessoas e qualidades inerentes a elas. Segundo a teoria gestáltica, é absorver, sem reflexão, ideias, normas, hábitos, valores, etc.. Seria esta a base de formação dos “eu devo”, “eu preciso”. Com este conhecimento nota-se como é importante o que os pais passam para seus filhos através de suas palavras e atitudes.

É considerado o mecanismo mais arcaico dentre aqueles que se dirigem a um objeto exterior.

Exemplos de introjeção: o garotinho que finge fazer a barba (como o pai); a menininha que usa os vestidos e sapatos da mãe; a adolescente que repete as gírias e/ou maneirismos do seu astro preferido; o adulto que repete as frases “inteligentes” do seu político favorito; o bobalhão, que após assistir a Fórmula I, vai para as ruas dirigindo na velocidade de seu ídolo.

Anulação: ações ou rituais mágicos que contestam ou desfazem uma ação anterior. Exemplos: dar um beijo no irmãozinho caçula depois de ter batido nele; fazer o sinal da cruz ou beijar a medalha de Nossa Senhora para afastar um pensamento pecaminoso;

Este mecanismo é muito utilizado na patologia chamada Transtorno Obsessivo-compulsivo, aí ela é referida como anulação retroativa.

Clivagem é um mecanismo de defesa descrito por Melanie Klein e por ela considerado como a defesa mais primitiva contra a angústia. Neste mecanismo, há uma cisão tanto a nível do ego, como ao nível do objeto primário.

O objeto visado pelas pulsões eróticas e destrutivas cinde-se num "bom" e "mau" objeto, que terão então destinos relativamente independentes no jogo das introjeções e das projeções. http://www.infopedia.pt/$clivagem-%28psicologia%29;jsessionid=RptS2j0Tcf62Q7JGZnAwOA__ Exemplo: devemos odiar o pecado e amar o pecador ou como diriam os pastores evangélicos: amar o homossexual e odiar a homossexualidade.

Segundo Freud a clivagem é "uma fenda no ego a qual nunca se cura, mas, ao contrário, aumenta à medida que o tempo passa", portanto podemos ver que essa cisão no Ego é um efeito bastante sério.

Conversão: É a expressão de um motivação recalcada num sintoma somático, que pode ser motor (paralisia, tremor, convulsão) ou sensitivo (parestesia, anestesia, dor, distúrbio de visão ou audição).

Não é a mesma coisa que somatização, na conversão a pessoa representa, através da linguagem corporal, um conflito inconsciente e na somatização há apenas uma situação de stress (que também pode ser grave).

A conversão é muito encontrada em pacientes histéricos

Deslocamento: mecanismo pelo qual é deslocada uma motivação ou emoção do seu primitivo objeto para outro substitutivo.

É bem conhecido o exemplo do sujeito que levou bronca do chefe, chegando em casa desconta na mulher que desconta no cachorro ou gato. rsrs

Quantas vezes já não fizemos algo parecido? Bom para refletir a respeito.

“Os mecanismos de defesa não representam apenas o conflito e a patologia, eles são também uma forma de adaptação. O que torna “as defesas” um aspecto doentio é sua utilização ineficaz ou então sua não adaptação às realidades internas ou externas. (Bergeret, 2006)”. http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/mecanismos-de-defesa

Espero não ter assustado alguém com esta matéria e quero esclarecer que os mecanismos de defesa são empregados por todos nós, na vida cotidiana, para proteção do Ego e conseguir estabilidade emocional.

No próximo post tem mais mecanismos. Até lá.

Imagem: noticias.universia.com.br

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terça-feira, 16 de julho de 2013

Você é gente fina?

Gente fina

Recebi este texto em forma de pps e achei oportuno partilhar com vocês porque fala de alguns comportamentos que volta e meia as pessoas esquecem como são importantes para um bom convívio.

Resumindo o texto, ele fala de alguém que já tem uma consciência mais desenvolvida.

Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça,

loira, morena, alta ou baixa.

Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.

Todos a querem por perto.

Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões quando necessário.

É simpática, mas não bobalhona.

É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos

certos e errados:

sabe transgredir sem agredir.

Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.

Ajuda-te, mas permite que

você cresça sozinho.

Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente,

não somente para agradar.

Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente:

num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia.

Gente fina não julga ninguém.

Tem opinião, apenas.

Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e,

como o próprio nome diz, não engrossa.

Gente fina não veio ao mundo para colocar areia no projeto dos outros.

Ela não pesa,

mesmo sendo gorda,

e não é leviana,

mesmo sendo magra.

Gente fina não faz fofoca,

se coloca no lugar do outro.

Gente fina é amável, honesta, verdadeira e confiável.

Gente fina... é que tinha que

virar tendência.

Se colocarmos na balança, é ELA, quem faz a diferença.

Gente fina é generosa, suas mãos tem sempre algo para oferecer.

Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera.

É o que mais se pode querer!

E eu digo assim seja.

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sábado, 18 de maio de 2013

O que é um pseudocético?

pseudocetico

Já escrevi aqui no blog sobre uma característica apresentada por pessoas de “mente fechada”: desacreditar de tudo aquilo que não vai ao encontro de suas crenças.

Outro dia encontrei num blog uma excelente matéria que trata do assunto mais detidamente. O que eu chamo de “ceticismo burro” é chamado de pseudoceticismo.

Vejamos então o que diz a matéria mencionada:

“Os pseudocéticos são pessoas que tem uma crença profunda, um dogma, uma ideologia preferida, e que por conta disso rejeita de imediato qualquer coisa que vá a contestar essa visão de mundo predileta. Não é uma questão de fatos, nem de ciência. Não estão preocupados com a verdade, ou pelo que seja justo. O pseudocético quer apenas manter a sua ideologia a qualquer custo, como se sua vida dependesse disso. É como um torcedor fanático, não importa o quanto o jogador do outro time é talentoso, inteligente, ou carismático, não... o adversário é simplesmente classificado como “inimigo”, e deve ser hostilizado. Ponto final...

Marcello Truzzi [Sociólogo, professor universitário dos EUA] define o que é um Pseudocético, como identificá-lo, e refutá-lo.

Uma vez que "ceticismo" corretamente se refere à dúvida em lugar da negação, não-crença em lugar de crença, críticos que tomam a posição negativa em lugar da agnóstica, mas ainda se chamam "céticos", são de fato pseudo-céticos e têm, creio eu, ganhado uma falsa vantagem usurpando esse rótulo. Em Ciência, o ônus da prova recai no alegador; e quanto mais extraordinária uma alegação, mais pesado é o ônus da prova exigido.

Em sua análise, Marcello Truzzi argumentou que os pseudocéticos apresentam a seguinte conduta

(1) - A tendência de negar, ao invés de duvidar.

(2) - Utilização de padrões de rigor acima do razoável na avaliação do objeto de sua crítica.

(3) - A realização de julgamentos sem uma investigação completa e conclusiva.

(4) - Tendência ao descrédito, ao invés da investigação.

(5) - Uso do ridículo ou de ataques pessoais.

(6) - A apresentação de evidências insuficientes.

(7) - A tentativa de desqualificar proponentes de novas idéias taxando-os pejorativamente de “pseudo-cientistas”, “promotores” ou “praticantes de ciência patológica”.

(8) - Partir do pressuposto de que suas críticas não tem o ônus da prova, e que suas argumentações não precisam estar suportadas por evidências.

(9) - A apresentação de contra-provas não fundamentadas ou baseadas apenas em plausibilidade, ao invés de se basearem em evidências empíricas.

(10) - A sugestão de que evidências inconvincentes são suficientes para se assumir que uma teoria é falsa.

(11) - A tendência de desqualificar “toda e qualquer” evidência.”

(http://seteantigoshepta.blogspot.com.br/2009/08/pseudoceticos-reconheca-os-arme-se.html)

Um dos mais conhecidos pseudocéticos atuais é Richard Dawkins (o Rottweiler de Darwin rsrs) que depois de batalhar ferrenhamente por sua crença na Teoria da Evolução finalmente admitiu o conceito de Design Inteligente.

Muitas vezes os pseudocéticos utilizam-se de fontes não concludentes para defender suas ideias/crenças. O afã em provar seus pontos de vista acaba por impedi-los de refletir mais profundamente na validade ou confiabilidade das suas fontes de argumentos.

Acompanhando um debate entre ateus e um crente cristão, chamou-me a atenção a citação, pelos ateus, de provas de sua alegação baseadas em conteúdos históricos (livros). O crente dá a bíblia como prova. Nenhum deles parece que parou para pensar que pelo fato de um autor ser célebre não significa que tenha sido honesto (conscientemente ou não) em suas obras.

História não é ciência (concreta), grande parte dela é relatada pelo lado vencedor em alguma disputa, bélica ou não. Quanto à bíblia, sabe-se que é um livro que teve alterações devidas às traduções e interpretações de várias pessoas ao longo do tempo.

Eu aprendi na escola que o “homem das cavernas” vestia-se de peles, pois bem, já adulta descobri em um livro de um pesquisador independente que: O homem pré-histórico usava como todos os homens civilizados do Ocidente: chapéu, casaco, calças, sapatos. Este fato é incontestável porque está provado pelos desenhos gravados nas lajes da biblioteca sequestrada no Museu do Homem, em Paris”. (O Livro dos Segredos Traídos, Robert Charroux)

Para dar um exemplo bem simples, de nossa história oficial, durante 48 anos o Barão do Serro Azul foi considerado traidor já que Os seus atos foram banidos da história oficial do estado do Paraná, documentos foram arrancados, referências apagadas, e qualquer discussão sobre a execução sumária dele e seus companheiros era evitada(Wikipédia). Só em 1942 é que um livro foi editado contando o que aconteceu realmente lá em 1894 e hoje o Barão é considerado “herói da pátria”.

Portanto, não podemos confiar cegamente no que dizem os historiadores, eles também são seres humanos e como tal sujeitos a erros, enganações, meias verdades, além de usarem e abusarem das inferências e não ficarem restritos só aos fatos.

Há os que só aceitam o que a ciência diz, como se esta fosse sinônimo de verdade. Já há aqueles que juram que o homem não pisou na lua... Aff!

Refletir sempre e com consciência. Ter mente aberta. Este é o caminho para evoluir.

Imagem: www.caritasinveritate.teo.br

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

A crescente polarização na sociedade humana

conflito190

De uns tempos para cá nota-se uma crescente polarização na sociedade humana. As pessoas estão ficando cada vez mais radicais, assumindo suas ferrenhas posições a favor ou contra determinados assuntos. Também as atitudes estão ficando extremadas.

Parece que o meio termo, o caminho do meio preconizado pelo Buda, desapareceu do comportamento e atitudes humanas.

Lembro que à época da “guerra fria” existia esse comportamento, contudo voltado somente a um tema: a rivalidade entre norteamericanos e soviéticos, a polaridade imperialismo versus comunismo.

Atualmente qualquer tema se presta para as pessoas digladiarem e assumirem posições extremistas. A velha dualidade - bem contra o mal assume várias formas, com seus apologistas sempre se esquecendo que um e outro são relativos. O que é mau para X pode ser considerado bom para Y e vive versa.

Vivemos atualmente num mundo onde, devido à globalização, encontra-se exclusão versus inclusão, concentração da riqueza versus a expansão da pobreza, exacerbação do consumo versus falta do básico para viver. É tudo oito ou oitenta.

A mudança de ciclo que estamos atravessando tem trazido muitas incertezas, dúvidas e questionamentos a todos. Até há pouco (21/12/2012) havia na cabeça de muitos o temor de que o mundo fosse acabar. Medo aumenta a ansiedade e ambos estão associados à elevação de adrenalina no corpo e isso diminui ou afeta a razão, assim, crimes por motivos absolutamente banais começam a acontecer como o assassinato do cliente no restaurante por uma diferença de apenas sete reais na conta.

Aqui no nosso país encontro opiniões exacerbadas e radicais por parte de “esquerdistas fanáticos e direitistas viscerais: dois perfeitos idiotas”, como disse Frei Betto.

Uma frase de um desses radicais mentecaptos (Reinaldo Azevedo) ficou famosa quando da morte de Oscar Niemayer: "Metade gênio e metade idiota”. Essa frase, para mim, exemplificou brilhantemente a irracionalidade dos extremistas.

A direita conservadora ataca e só enxerga o lado negativo da gestão petista, enquanto que a esquerda defende ditaduras como Cuba. Nenhum dos lados (com raras e honrosas exceções) enxerga os méritos, que existem, na primeira bem como os deméritos, que também existem, na segunda.

Outro tema que anda “quente” é o fanatismo ligado a crenças: religiosos versus ateus, xiitas versus sunitas ou crentes de algumas religiões hostilizando os crentes de outras, como pode se ver neste exemplo: A quantidade de denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República cresceu mais de sete vezes em 2012, quando comparada com a estatística de 2011.” (http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/01/21/denuncias-de-intolerancia-religiosa-crescem-mais-de-600-em-2012.htm?cmpid=cgp-cotidiano-news )

Na Europa e Oriente Médio, muçulmanos versus cristãos dão a tônica nas manchetes. Pra todo lado nota-se os extremos assumindo a dianteira e, muitas vezes, a intolerância se fazendo presente.

Mais do que nunca é momento de se usar a razão e o bom senso, mas cada vez mais as pessoas estão usando a emoção, na sua manifestação mais negativa: o extremismo ou radicalismo.

Recentemente, devido a uma entrevista de Marília Gabriela divulgada na rede, pude constatar a virulência da argumentação de um cidadão de má fé e que atinge a milhares de pessoas porque se apresenta na televisão. É tudo de que não precisamos nos dias atuais: alguém estimulando o circo a pegar fogo. Isso contagia porque as cabeças ocas que o ouvem, já que não possuem discernimento, saem repetindo as sandices do seu “guru”.

Nas minhas leituras, pela internet, observo como as pessoas interpretam mal o que leem ou mesmo distorcem o que o outro quis dizer (inclusive vejo isto aqui nos comentários). Isso feito, passam a xingar o outro de forma grosseira, jogando o: “ou você está comigo ou contra mim”. Tudo se torna ofensa pessoal, não há distanciamento, não há reflexão, parte-se logo para o ataque.

Observo como, no geral, as pessoas não conseguem debater um tema de forma racional. Vejo principalmente dois tipos debatendo: o mais culto, onde se observa uma boa bagagem de leitura, e o iletrado. O primeiro começa despejando seu conhecimento em cima do outro, fazendo muitas citações dos autores que já leu. O segundo, por não poder contra-argumentar por falta de conhecimento parte logo para as ofensas pessoais. Aí o primeiro, ao invés de manter a postura já que tem mais cultura, deixa-se cair ao nível do outro e também apela para as ofensas.

Ó céus, onde anda a razão? O mais engraçado é que os letrados assumem ser altamente racionais. E o são, nas suas argumentações, mas nos xingamentos.... aí eles perdem toda a sua racionalidade.

Pessoal, façam um exame de consciência e observem se não estão se incluindo nessa turma que citei. Lembrem, quanto mais consciência uma pessoa tem, mais distanciamento ela consegue ter em qualquer discussão ou debate.

A excessiva polarização só leva a um desfecho: conflito!

O mundo atual já está tão repleto de problemas, ainda querem criar mais um ....?

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Mulher ainda é um ser inferior?

afegã

Hoje vamos refletir um pouco sobre o porquê de a mulher ocupar um segundo plano em muitas partes do mundo. O texto abaixo demonstra que o assunto é antigo.

Recebi este texto por e-mail e não posso garantir a veracidade das afirmações, mas do que observamos até hoje em sociedades ainda patriarcais, faz todo o sentido.

“Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e, durante o período em que durar, é lícito a ele (ao marido) contrair novo matrimônio”. (Código de Hamurabi - Constituição Nacional da Babilônia, século XVII A.C.)

“Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai, ao se casar de seu marido, se este morrer, de seus filhos e se não os tiver, de seu soberano. Uma mulher nunca deve governar a si própria”. (Leis de Manu - Livro Sagrado da Índia)

“A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe: Senhor, que desejais que eu faça?” (Zaratustra - filósofo persa, século VII a.C)

“A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior.” (Aristóteles - filósofo, século IV A.C.)

Até tu, Aristóteles! Que decepção!

“E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe.” (Gênesis – Bíblia, 2:22)

Primeiro, em Gênesis 1:27, é dito que: ... à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou. Ou seja, coerentemente, pois como o  Criador tem de ter as duas energias, feminina e masculina, o ser humano assim também foi criado, depois algum misógino resolveu criar a estória da costela para estabelecer a superioridade masculina. Aff!

“Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se quiserem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos.” (São Paulo - apóstolo cristão, ano 67 D.C.)

“Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dai às mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher.” (Alcorão - livro sagrado dos muçulmanos, canalizado por Maomé no século VI)

Agora eu entendo porque nos países muçulmanos as mulheres estupradas são chicoteadas enquanto o criminoso não sofre nada. Ou porque o marido descontente com sua mulher corta-lhe o nariz.

“Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar ousado”. (Le Ménagier de Paris - Tratado de conduta moral e costumes da França, século XIV)

“As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios.” (Henrique VII - rei da Inglaterra, século XVI)

Éramos comparadas a lunáticos e retardados...

“O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia.” (Lutero - reformador protestante, século XVI)

“Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado.” (Constituição Nacional Inglesa - lei do século XVIII)

Siliconadas: atenção, podem ter seus casamentos anulados! rsrs

Então, o que acharam destas pérolas machistas e ignorantes? Esta é a nossa herança cultural.

Como ainda hoje a mulher é tratada como inferior em muitos países, é urgente que as pessoas tomem consciência disso e também procurem conscientizar os ignorantes.

Imagem: portalintegracao.com

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Machismo e a violência contra a mulher

machismo

A violência contra a mulher vem aumentando pelo mundo. Parece que voltamos aos tempos da Idade Antiga. Só que naquela época não havia o grau de consciência humana que existe hoje. Então, o que está acontecendo?

Abaixo compartilho com vocês o resumo de um vídeo de Jackson Katz intitulado Tough Guise (aparência dura ou rude) que explica um lado dos motivos da violência contra as mulheres tendo como origem o machismo. O vídeo refere-se aos norteamericanos, mas não encontro diferenças entre lá e aqui ou qualquer outra parte do mundo no tocante ao assunto em pauta.

"O Mágico de Oz é citado como uma metáfora de como os homens usam uma máscara que é um disfarce de ser valentão - uma aparência dura.

Katz perguntou a jovens o que significava ser do sexo masculino e teve respostas como: forte, corpulento, independente, no controle, poderoso, atlético, duro, resistente. E, quando os homens não se conformam ao papel, eles são chamados, nerd, emocional, pederasta, bicha. Muita pressão em conformidade com o papel - inclusive e especialmente nos homens de cor.

Meios de comunicação são cruciais para o constrangimento dos homens, vendo masculinidade violenta como a norma cultural. Há uma conexão crescente na sociedade entre ser um homem e ser violento (há muitas estatísticas sobre os homens como sendo os violentos, 85% dos assassinatos são por homens, 95% da violência doméstica é por homens, 99% dos estupros na prisão são homens, etc

Meninos abusados tendem a crescer para assumir esse papel.

O que está acontecendo?

Parte I – Compreendendo a masculinidade violenta

Os homens perpetram 90% da violência na sociedade e esta (a mídia especialmente) tende a focar os grupos subordinados, não os dominantes. A visibilidade da masculinidade é jogada fora – a mídia diz que é "crianças matando crianças" - não meninos matando meninos e meninas. Exemplos do New York Times, etc. suportam isso.

Katz diz que se você não o disser, vai deixar de fora elemento importante na discussão subsequente e observa que quando as mulheres são violentas, quase sempre é uma parte importante da história (exemplos são Lorena Bobbit, que cortou o pênis do marido e do filme, Thelma e Louise). Katz diz que temos de torná-lo visível. Fazendo com que a masculinidade violenta seja visível é o primeiro passo para ver como ela funciona na cultura.

Katz diz que a imagem dos homens e da masculinidade tem mudado ao longo dos últimos 50 anos, com homens mais corpulentos e agressivos (ex. Superman, Batman, estatuetas de Star Wars, GI Joe - com bíceps aumentando, nos anos 70, de 12 polegadas para as atuais 26 polegadas. Também muitas mudanças de rostos nas telas de cinema com caras durões como Boggie, Connery, Eastwood, Stallone ou Schwarzenegger - com atos mais agressivos e armas maiores.

As mulheres mudaram exatamente o oposto - a maioria delas para uma aparência mais esguia.

As imagens não são um acidente — homens brancos heterossexuais são, na maior parte, responsáveis pelo conteúdo que é produzido. Katz diz que o desenvolvimento tem contexto histórico que se consubstancia como reação à ameaça ao poder cultural, social, econômico (realizado principalmente por homens brancos) por movimentos como o dos direitos civis, o movimento de mulheres e o movimento de homossexuais.

Katz também cita o aumento da celebração da violência nos esportes, jogos de ação e filmes de terror. Ele conecta isto a uma reação masculina contra ganhos econômicos e sociais das mulheres e à libertação gay. Violência prejudica as vítimas, claro, mas ela envia uma mensagem que é melhor os homens não tentarem qualquer novo tipo de masculinidade também.

O sentimento anti-guerra durante a guerra do Vietnã deu origem à alegação de que nós tínhamos perdido nosso orgulho masculino e representa a atitude machista que o movimento anti-guerra era o problema (ex. Rambo). Katz usa exemplos de "Rocky", Ronald Reagan e John Wayne para o incremento do “papel de durão”.

Ele cita a "Pose Impassível" de Richard Myers (general de 4 estrelas que planejou e executou a invasão do Iraque em 2003) como suporte de como a aparência dura adotada pelos homens acontece por causa da pressão social e cultural - vindo até nós através da mídia de massa. Ele diz que estruturas sociais e econômicas sistematicamente mudaram a realidade, deixando apenas a pose. Citando exemplos de mídia, Katz diz que não deve ser nenhum enigma quando rapazes brancos estão agindo como pretos, desde que isto também é um ato e eles também podem assumir uma pose preta urbana.

Assim, masculinidade é uma pose, uma performance, aprendida em nossa sociedade e cultura e ensinada em grande parte pelos meios de comunicação (exercendo a função de professor). Temos de nos perguntar como e por que isso acontece, as consequências e o que pode ser feito.

Parte II – Masculinidade Violenta

Esta seção explora a construção da masculinidade violenta, a conexão à violência e sugere algumas respostas.

Katz conecta a violência a uma sociedade americana, ele afirma, que ela constrói a masculinidade em torno de dominação e violência. Este segmento apresenta as consequências sociais da pose: tiroteios nas escolas, construindo a masculinidade violenta, violência sexualizada, invulnerabilidade , mas também oferece esperança.

O século XX foi o mais sangrento na história, com muita postura e criticismo dos gay. Katz diz que será exigido um tipo diferente de coragem para sair do papel de durão. Os homens são pressionados para isso, assim a sociedade pode continuar a fazer progressos. A coragem deve ser vista como o ato de oposição a assumir a pose de durão e a mudança vai ser difícil porque a masculinidade violenta é uma norma cultural na América e vinculada a instituições sociais, políticas e institucionais.

Algumas soluções possíveis:

1) Katz diz que temos que mudar o "ambiente cultural" (cita George Gerbner em Telas da Morte, filme sobre a violência e o papel da mídia). Para começar, homens devem ter "coragem" para trabalhar com mulheres e demonstrar isso livremente. Eles precisam ver um retrato mais honesto da vulnerabilidade masculina. Então, também poderão participar com outros - como alianças gay/hetero, mas a mudança deve acontecer em um nível pessoal e institucional (meios de comunicação são instituições, juntamente com escolas, etc.).

2) Garotas e mulheres devem mostrar que elas valorizam homens que rejeitam o disfarce de durão.

3) As pessoas devem trabalhar para quebrar a mídia controlada por homens ricos, brancos que controlam as histórias existentes e incluir mais histórias sobre homens como seres humanos não presos pelo disfarce da aparência de durões.”

Fonte: http://hope.journ.wwu.edu/tpilgrim/j190/toughguise.vidsum.html

Estatísticas

Nos EUA, 17,6% das mulheres sofreram algum tipo de violação. 21,6% eram menores de 12 anos de idade quando foram estupradas, e 32,4% estavam entre as idades de 12 e 17. Muitas destas ações foram executadas por alguém conhecido da vítima. Alguém é violentada no país a cada dois minutos.

55.000 mulheres e crianças são traficadas anualmente nos Estados Unidos da América.

4 milhões de mulheres e meninas são traficadas anualmente no mundo, enquanto um milhão de meninas entram no comércio sexual.

Dados brasileiros - Pesquisa Ibope:

Aproximadamente uma em cada três mulheres pesquisadas em São Paulo e Pernambuco diz já ter sofrido algum tipo de violência cometida pelo parceiro. Uma em cada cinco brasileiras declara espontaneamente já ter sofrido algum tipo de violência por parte de um homem.

A cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem no Brasil.

A violência sexual antes dos 15 anos foi relatada por 12% das mulheres em São Paulo e 9% na Zona da Mata em Pernambuco.

De 1980 a 2010, foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres no Brasil, 43,5 mil só na última década.

Machismo (46%) e alcoolismo (31%) são apontados como principais fatores que contribuem para a violência. 94% conhecem a Lei Maria da Penha, mas apenas 13% sabem seu conteúdo. (Instituto Avon)

O que você leitor pode fazer para melhorar essa situação? Reflita sobre isso.

Imagem: batanoticias.com.br

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domingo, 3 de junho de 2012

Malhação de Judas dos dias atuais

xuxa

O Google me trouxe 125.000 resultados sobre o assunto “Xuxa e suas declarações no Fantástico”. Eta país pobre! Pobre de espírito!

O mundo atravessa uma crise econômica sem precedentes, o Oriente Médio pode ter deflagrada uma guerra de proporções catastróficas a qualquer momento, no Brasil temos uma CPI em curso sobre mais um dos desmandos dos homens da política e ... as pessoas deste país perdendo tempo em discutir, opinar e julgar se a Xuxa fez bem em lavar sua roupa suja no Fantástico, se mentiu, se foi dissimulada ou se foi sincera .

Que que é isso, gente? Falta do que fazer?

Eu entendo que a moça é uma figura pública e chamou a atenção pelo inusitado de sua declaração sobre ter sofrido abusos sexuais quando criança, mas daí a fazer esse sucesso todo????

Vejam algumas “pérolas” que coletei na internet:

Apelativa: a guerra pela audiência de domingo proporcionou ao telespectador um espetáculo desagradável – 45,96% (resultado do quizz do UOL)

“Quando entram em decadência começam a "lembrar" de muitos fatos importantes. Proposta de casamento de Michael Jackson (???), agora abuso sexual. Aguardem na próxima semana outra "lembrança". Xuxa já era.” (comentário no Portal UOL)

“Para mim ela está querendo aparecer. Está horrivelmente velha. Não consegui ver a história até o fim por me parecer fabricada pela Globo. Muito chato.” (comentário no Portal UOL)

“... suas declarações são políticas no mais alto grau, pois alinhou-se com a agenda do marxismo cultural, cuja meta é a destruição da família tradicional”. (Nivaldo Cordeiro, vídeo no Youtube)

“É quase certo que as famosas cenas de pedofilia explícita do filme "Amor, estranho amor", estrelado por Xuxa, em 1982, serão explicadas agora - após suas declarações no programa Fantástico deste domingo (20) - pelo abuso que Xuxa sofreu na infância.” (Cristian Derosa, jornalista)

Agora, usando a massa cinzenta e sem emocionalismos, vamos fazer algumas considerações:

- Dois dias após o depoimento da Xuxa a Secretaria de Direitos Humanos registrou 220 mil ligações denunciando abuso infantil. Então tenha sido “golpe” ou não, o depoimento funcionou positivamente para as vítimas de abuso.

- Xuxa, “horrivelmente velha”? Quem dera 90 % das mulheres da idade dela tivessem sua aparência.!!!

- Alinhada com a “agenda do marxismo cultural”? Que eu saiba ela é uma legítima representante do capitalismo consumista.

- Cenas de pedofilia em seu filme Amor, estranho amor? Que eu saiba pedofilia é ato sexual cometido por um adulto com uma criança ou adolescente. Pois bem, na época da filmagem Xuxa tinha 16 nos e a “criança” suposta vítima (não vi o filme) tinha 12 anos, portanto eram ambos adolescentes, com pequena diferença de idade. Onde então está o ato pedofílico?

Citei muito pouco das barbaridades que andei lendo na Internet. É lamentável. Mas o que é tudo isso? Inveja e da grossa!!!

Não estou aqui para defender a Xuxa, ela que arque com as conseqüências de sua fama, mas fico muito p. da vida com gente invejosa e mau caráter que não aguenta ver alguém ter beleza, dinheiro e fama ou com paranóicos que ficam encontrando motivações ocultas em tudo.

Será que esse povo invejoso não se dá conta do quão difícil é ser famoso? O preço que é preciso pagar? Amy Winehouse que o diga ... ou será preciso a Xuxa também se suicidar para então se tornar simpática aos maledicentes?

Fui convidada por um leitor do blog a dar minha opinião no Facebook sobre o assunto e eis o que escrevi:

Como existe gente que não tem nada útil pra fazer! Aff! Assisti ao vídeo na internet e sequer passou pela minha cabeça saber se a Xuxa estava falando a verdade, meia verdade ou o que mais. Não me interessa. O fato dela ser uma pessoa pública não me dá o direito de achar que a conheço para emitir julgamentos. Quem se interessa pela vida alheia ao ponto de gastar seu tempo com isso, provavelmente, carece de uma vida pessoal interessante ou rica, fica projetando suas fantasias nas vidas das celebridades. Eu realmente não tenho muita paciência com xeretas, fofoqueiros e opiniosos.” rsrs

Pois bem, a inconsciência das pessoas é tão grande que uma outra comentadora (acho que vestindo a carapuça) escreveu o seguinte:

“Acho que pelo fato dela ser uma pessoa pública é que muda tudo. Não vivemos isolados preocupados somente com o nosso umbigo. O depoimento de uma pessoa desta pode repercutir na vida de muitas crianças e adolescentes e como educadora acho que devo "gastar meu tempo" ouvindo para poder ver como isto vai aparecer lá com o grupo de adolescentes que atendo. Isto não quer dizer que a minha vida não seja muito interessante e não estou mais na fase de fantasiar sobre a vida de artistas, mas eu não vivo meu mundinho e nada mais! Gostando ou não, a vida dos artistas da TV são referências para as crianças e adolescentes que estão formando suas personalidades. Cabe a nós, adultos mediar as informações para minimizar danos.

Concordo que as vidas de celebridades televisivas são referências para os adolescentes, mas pela repercussão que houve parece que os adultos também estão muito “ligadinhos” nas vidas das celebridades... provavelmente essa pessoa nem se deu conta que vestiu a carapuça, pois do contrário não teria feito suas ressalvas.

Pessoal, é por essas e por outras que eu fico aqui enchendo a paciência de vocês estimulando-os a desenvolverem suas consciências!

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Tempos virtuais

tempos virtuais

Recebi por e-mail e desconheço a autoria. Vale a pena refletir sobre o que diz o autor. Sublinhados por minha conta.

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: “Qual dos dois modelos produz felicidade?”

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?” Ela respondeu: “Não, tenho aula à tarde”. Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde”. “Não”, retrucou ela, “tenho tanta coisa de manhã...” “Que tanta coisa?”, perguntei. “Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse: Tenho aula de meditação!” Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como estava o defunto?”. “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!” Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é “entretenimento”; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!” O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático.” Diante de seus olhares espantados, explico: Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:...

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz"!!!

Imagem: incommunseries.com

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Com o que ou com quem você se identifica?

identificação

Em Psicologia define-se identificação como: um processo psicológico pelo qual um sujeito assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo desse outro.

Estou trazendo este tema para reflexão porque tenho notado que nos últimos anos, após o advento do culto à imagem, está havendo muita identificação, principalmente por parte dos jovens, com figuras que aparecem na mídia.

Pode se confundir empatia com identificação, mas são diferentes. Empatia é sentir com o outro, identificação é sentir e/ou agir como o outro e pode ser uma característica doentia. Por ex: você se identifica muito com um amigo e quando ele está com dor na coluna, você também passa a sentir dor.

Na adolescência é até considerado “normal” a identificação por tratar-se de uma fase de transição, onde o ser ainda não estabeleceu sua identidade completamente, mas passada esta época a identificação pode assumir um aspecto preocupante. Aqui não me refiro à identificação “normal” (sem caráter de mecanismo psicológico) como por ex. identificar-se com outro indivíduo porque ambos são da mesma espécie: humanos.

A identificação não precisa ser necessariamente com outra pessoa/s, lembro-me com horror de um programa de TV que assisti faz tempo onde aparecia uma jovem americana que fez uma infinidade de cirurgias plásticas para ficar “igual” à Barbie.

Também é bem comum a identificação com as massas em determinadas circunstâncias. Um mestre já disse: “Alguém vai andando por uma rua, de repente se encontra com as turbas que vão protestar por algo ante o palácio do Presidente. Se não está em estado de alerta (auto-observação) identifica-se com o desfile, mescla-se com as multidões, fascina-se e a seguir vem o sonho: grita, lança pedras, faz coisas que em outras circunstâncias não faria, nem por um milhão de dólares”.

A esse fenômeno Freud dizia ser trocar o ideal de ego pelo ideal de massa e também afirmava que o irreal sempre prevalece sobre o real (este assunto dá um livro ...).

Portanto identifica-se um tripé neste tema: identificação – fascinação – sonho (o irreal). É muito fácil deixar-se levar pela fascinação. A fascinação nos remove, ainda que por instantes, da banalidade e/ou mesmice do dia a dia e aí reside o perigo de se resvalar para o sonho (o irreal).

Para ser honesta, antes de continuar, devo lembrar a todos que as religiões sempre pregaram a dissolução do indivíduo em favor do bem maior de todos (!?). Nos foi ensinado que pensar primeiro em si é egocentrismo e contrário às leis cristãs. Isto acabou por gerar “seres catatônicos, acéfalos que seguem os meandros da passividade e do conformismo”. (Fábio Cardoso Lopes) Bem, nem tanto, mas que a frase é de efeito, lá isso é ...rsrs

Exageros de lado, em muitas situações e/ou culturas encontramos exatamente isso, pessoas que se deixam levar pelos seus governantes, pelos seus pastores ou padres e finalmente pela mídia (“ser” onipresente nos dias atuais) o que as induz à identificação com aqueles que são “exemplos”. Já no seio da juventude vemos os jovens, e até crianças, identificando-se com astros da música e do futebol. Usam as mesmas roupas e penteados de seu “ídolo”, repetem as frases das pseudo-músicas tão em voga atualmente e por aí vai.

Não existe mais originalidade, todo mundo vai na “onda” do que está na moda sem parar para refletir se lhe é adequado ou não, se é saudável ou não, se é ridículo ou não.

A identificação com as massas é sempre perigosa, desde aquela com astros pop drogados a outras de caráter violento que ocorrem nas convulsões político-sociais.

Os indivíduos em vez de estarem identificando entre si, estão identificando com a totalidade social irracional. Os indivíduos têm de dar conta da falsidade de sua própria condição: ser objeto e não sujeito em uma tal realidade em que ele se amolda à dominação social.” (Dulce Regina dos Santos Pedrossian)

É impossível que alguém possa despertar a consciência se se deixar fascinar, se cair no sonho.

Imagem: tribosurbanas23.blogspot.com

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Obesidade mental

obesidade

Recebi o texto por e-mail, sem identificação do autor, que trata de um assunto muito a propósito quanto aos dias atuais. Algumas partes do texto me pareceram um tanto preconceituosas, portanto não o posto aqui por inteiro, mas no geral o autor está muito certo no que diz. Vamos expandir a consciência refletindo sobre o exposto.

O prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard, publicou em 2001 o seu polêmico livro Mental Obesity, que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física decorrente de uma alimentação desregrada. É hora de refletir sobre os nossos abusos no campo da informação e do conhecimento, que parecem estar dando origem a problemas tão ou mais sérios do que a barriga proeminente.

Segundo o autor, a nossa sociedade está mais sobrecarregada de preconceitos do que de proteínas e mais intoxicada de lugares-comuns do que de hidratos de carbono. As pessoas se viciaram em estereótipos, em juízos apressados, em pensamentos tacanhos e em condenações precipitadas.

Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os "cozinheiros" desta magna fast food intelectual são os jornalistas os articulistas, os editorialistas, os romancistas, os falsos filósofos, os autores de telenovelas e mais uma infinidade de outros chamados "profissionais da informação".

Os telejornais e telenovelas estão se transformando nos hamburgers do espírito. As revistas de variedades e os livros de venda fácil são os donuts da imaginação. Os filmes se transformaram na pizza da sensatez.

Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se abusarem dos doces e chocolates. Não se entende, então, como aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, por videojogos que se aperfeiçoam em estimular a violência e por telenovelas que exploram, desmesuradamente, a sexualidade. Com uma 'alimentação intelectual' tão carregada de adrenalina, romance,violência e emoção, é possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular.

Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado "Os abutres", afirma: o jornalista alimenta-se, hoje, quase que exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos e de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.

O texto descreve como os jornalistas e comunicadores em geral se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico e chocante.

Só a parte morta e apodrecida ou distorcida da realidade é que chega aos jornais.

O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para quê ela serve. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.

Não admira que, no meio da prosperidade e da abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A cultura banalizou-se e o folclore virou "mico". A arte é fútil, paradoxal ou doentia.

Floresce, entretanto, a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria e o egoísmo. Não se trata nem de uma era em decadência, nem de uma 'idade das trevas' e nem do fim da civilização, como tantos apregoam. Trata- se, na realidade, de uma questão de obesidade que vem sendo induzida, sutilmente, no espírito e na mente humana.

O homem moderno está adiposo no raciocínio, nos gostos e nos sentimentos.

Imagem: exercite-se.com.br

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

O que não tem preço




Recebi este pps e por considerar que traz um bom assunto para reflexão quis partilhá-lo com vocês. Esteticamente também está muito bonito.

Reconheço que o horário em que todos vão para o trabalho é corrido, mas será que algumas pessoas não teriam alguns minutinhos para apreciar a boa música que lhes estava sendo oferecida de graça? E se chegassem um pouco atrasados ao trabalho, seria tão catastrófico assim? Eu até convidaria meu chefe para ir até à estação do metrô apreciar também. Afinal nada melhor do que começar o dia com música e funcionários bem dispostos produzem mais e melhor.

Vivendo neste atual mundinho caótico precisamos e devemos ter momentos como os que foram ofertados por esse artista.

A alegria da vida definitivamente não tem preço, não se compra. Reflitam sobre como estão levando suas vidas...



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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não confunda necessidade com desejo

bolsa Hermes
Estamos numa é poca onde desejos pululam em nossa cabeça. Vivemos completamente rodeados por propagandas nos convencendo a adquirir “trocentas” coisas que dizem necessitarmos. Será?

Vejamos primeiramente o que dizem, os especialistas no assunto, sobre as necessidades.
Henry Murray (psicólogo), um dos primeiros a pesquisar a respeito, classificou as necessidades humanas em:

- primárias ou viscerogênicas (necessidades biológicas como sede, fome ou sono)

- secundárias ou psicogênicas (derivadas de uma necessidade primária ou inerentes ao psiquismo humano)

Então as necessidades referem-se aos aspectos básicos da condição humana (pessoais, psicológicos, sociais). Ponto!

O reconhecimento ou conscientização de uma necessidade vem da comparação entre uma situação real, presente no momento, e uma situação ideal ou benéfica ao indivíduo. Se estou em jejum há 12 horas a necessidade que se apresenta é a de comida. Se estiver com frio é a de agasalho, se me sinto solitária aparece a necessidade de companhia (afiliação) e assim por diante.

As necessidades estão vinculadas não só à preservação da condição humana como também à nossa evolução. No passado não precisávamos de telefone celular, hoje muitos não vivem sem ele (confesso que eu não sei mais viver sem o “tio Google”). rsrs Ou seja, conforme vamos evoluindo as necessidades aumentam ou ... o que pensamos ser necessidades.

Aí é que está a armadilha: confunde-se necessidade com desejo.

Um bosquímano não necessita de um aparelho de TV, até porque ele não tem acesso à rede elétrica, mas não o tendo ele se encontra afastado e ignorante do mundo “civilizado”, sem chances de poder escolher entre permanecer em sua situação ou almejar algo diferente.

Então digamos que nos dias atuais uma TV é uma necessidade, mas ... é preciso, realmente, que o aparelho seja um flat último modelo? Ou isso é um desejo de ter sempre as últimas novidades eletrônicas ou para competir com o vizinho, colegas, etc.?

Nós precisamos, realmente, ter uma geladeira que forneça cubinhos de gelo na porta (gelo portátil, segundo os fabricantes)?

Uma criança precisa, realmente, ter seu quarto abarrotado de brinquedos ao ponto de não haver espaço para movimentação?

Uma bolsa Hermès (preços que podem variar de R$ 1.700,00 a R$ 100.000,00) não cumpre a mesma função que qualquer outra bolsa?

E por último, é necessário, realmente, ter torneiras de ouro em casa? Não riam porque elas existem, sim.

Bem, isso tudo são desejos e não estou dizendo que há algo de errado neles, mas é preciso que se tenha consciência disso para não cair em extremos de, por exemplo, ser “um Maria vai com as outras”.

Existe um risco com relação aos desejos que é a distorção dos motivos, o que é destrutivo para o ser humano, pode levar à depressão, frustração e até crimes. Quando se deseja uma coisa por ela mesma isso pode não ser problema algum (exceção: megalomania), mas quando se deseja algo como meio de obter um fim ... aí reside a distorção e consequentemente o problema. Digamos que você deseja ser promovido, não pela satisfação de ter sua capacidade reconhecida, mas sim porque quer se “vingar” daquele colega chato ou o exemplo que já dei do último modelo de TV: para disputar status com alguém.

Esse é o perigo. Algumas filosofias e religiões orientais preconizam a total eliminação dos desejos para alcançar o Nirvana ou a iluminação. Acreditam ser uma orientação de Buda. Como Buda alcançou a sua iluminação não acredito que ele tenha dito isso, mas ... cada um, cada um... rsrs

Consciência, essa é palavra. Na medida em que expandimos nossa consciência vamos vendo que muito do que queremos não são realmente necessidades, mas desejos que podem ser saudáveis, não nos causar mal algum ... ou não.

Para ilustrar, eis a seguir algumas das necessidades psicogênicas listadas por Murray:


Realização (vencer obstáculos e atingir um alto padrão)
Afiliação (fazer amizades, ligar-se afetivamente a alguém)
Autonomia (resistir à coerção e à restrição)
Autodefesa (evitar a humilhação, fugir de situações embaraçosas)
Apoio (ter suas necessidades satisfeitas pela ajuda simpática das pessoas)
Exibição (deixar uma boa impressão, causar admiração)
Rejeição (separar-se de uma influência negativa)

Imagem: todaoferta.uol.com.br


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Como age nossa Criança Interna

bolo

Já postei aqui sobre a Criança Interior e sobre os Estados de Ego que todos nós apresentamos segundo a teoria de personalidade chamada Análise Transacional.

Hoje vamos aprofundar um pouco sobre a nossa parte Criança. No post linkado já expliquei o que é a Criança interna, agora vamos ver como ela atua.

A Análise Transacional nos diz que a Criança interna ou interior se subdivide em três partes distintas:

Criança Adaptada (rebelde, submissa ou opositora)

Pequeno Professor (sensitividade e criatividade)

Criança Natural (instintos, alegria de viver, prazer)

A Criança Adaptada é um aspecto da personalidade onde foram registrados nossos sentimentos em relação às condutas de nossos pais (ou substitutos), principalmente em relação a nós, durante a primeira infância (até mais ou menos 8 anos). É nessa fase em que somos “programados” ou como diria Pavlov, condicionados.

A infância é um período da vida humana em que ao mesmo tempo “onde tudo parecem flores”, há brincadeiras e alegria, também há muita frustração porque os pequenos não têm entendimento cognitivo do que se passa. Por mais inteligente que a criança seja seu cérebro não tem ainda suficientes informações para realizar as conexões necessárias ao entendimento de uma situação específica. Isso vai acontecendo aos poucos, conforme os anos passam, até chegar à idade onde o HD interno já tem uma gama enorme de informações que podem ser linkadas entre si (a memória) permitindo então ao indivíduo ter compreensão do assunto, fazer inferências, análises, etc.

Na infância, então, o que existe são reações aos estímulos externos fundamentadas em sensações e sentimentos. Daí ocorrerem muitas frustrações e sentimentos de rejeição e/ou abandono.

É importante ressaltar que toda criança quer e precisa do apoio e segurança que os pais proporcionam e elas também vão percebendo que nem sempre o conseguem, já que muitas vezes são repreendidas ou castigadas por algo que tenham feito.

Então os pequenos vão se adaptando ao status quo que os rodeia. Cada um se adapta à sua maneira, mas segundo a extensa observação dos teóricos da Análise Transacional, existem três tipos bem distintos de adaptação decorrentes da própria índole da criança e do comportamento dos pais com ela. São eles:

Criança Submissa – é aquela que faz tudo o que os pais dizem ou ordenam. São dóceis e passivas, orientadas por medo e culpa. Futuramente, a não ser que algo as faça mudar (psicoterapia, por exemplo) serão aqueles adultos a quem a voz popular chama de “bunda mole”.

Criança Opositora – com esse tipo atua predominantemente o comportamento parental dúbio, ou seja, um dos pais atua com os filhos de uma forma e o outro de forma oposta. Pode também ser uma única figura parental que tem atitudes do tipo: “faz o que eu digo, mas não faz o que eu faço”. Ou ainda: repreende a criança com um sorriso (mensagem dúbia que gera confusão na cabecinha da criança).

Criança Rebelde – Faz “o que lhe dá na telha”, o que quer fazer e não o que lhe mandam. É mais saudável (psicologicamente falando) do que os outros dois tipos, pois seu comportamento é mais adequado à sua faixa etária.

Vejam um exemplo de atuação dos três tipos. A mãe coloca em cima da mesa um bolo que acabou de tirar do forno e diz ao filho: “não mexa no bolo, é para comer mais tarde”.

A Criança Submissa atende prontamente e não o toca. A Criança Opositora vai esperar a mãe sair da cozinha para pegar um pedaço do bolo, já a Criança Rebelde pegará um pedaço se estiver com vontade, não o fará só para contrariar a mãe.

O PEQUENO PROFESSOR seria considerado a parte adulta da Criança Interna, é o somatório de nossa criatividade, astúcia, curiosidade, desejos de explorar, de experimentar, ou seja, de conhecer. Esta também é aquela parte dos pequerruchos que atua captando intuitiva ou empaticamente as emoções e atitudes dos adultos, o que substituí, provavelmente, sua falta de entendimento cognitivo.

A CRIANÇA NATURAL é o primeiro nível que aparece logo após o nascimento. É a nossa parte instintiva ou animal, a constituição genética herdada. É a alegria, o prazer puro e simples, a diversão como também pode ser o choro, a raiva e a agressividade. Essa é a parte responsável pelo mecanismo de enfrentamento ou fuga em situações de perigo.

Que fique bem claro que estas partes do ego agem na infância, mas também vão continuar agindo durante toda a vida do indivíduo, seja de forma sadia, psicologicamente, ou não.

Quando interagimos como os demais podemos usar um dos nossos Estados de Ego, dois ou mesmo os três (Pai, Adulto e Criança) por isso é que são tão complicadas as relações humanas. rsrs

Imagem: http://www.flickr.com/photos/lhattori/767660015/sizes/m/in/photostream/

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