"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ego. O que fazer com ele?

ego

Já li muitas matérias de religiosos, gurus(?), canalizadores(?), etc. falando mal do Ego e exortando as pessoas a se livrarem dele ou o destruírem.

Nada mais fácil do que dar conselhos sem conhecimento de causa.

Quem fala mal do Ego são aqueles que estão sob o domínio dos sistemas de crenças limitantes que nos governam há tanto tempo.

Uma dessas crenças é a de que o Ego é a causa de comportamentos arrogantes, possessivos, materialistas, etc. Segundo alguns, o Ego impediria o ser humano de ser espiritualizado e se aproximar da Divindade.

Essa crença está fundamentada em uma outra criada pelas religiões: a matéria (o corpo) não é algo divino e , pelo contrário, nos afasta de Deus.

Nas religiões ocidentais estamos sempre encontrando ministros(?) de Deus nos templos, igrejas, e agora até na TV, esbravejando contra “os apetites da carne”. Estes até estão listados entre os sete pecados capitais.

Pois bem, “os apetites da carne” são também atribuídos ao campo de atuação do Ego.

Agora, diga-me: você é o seu Ego - somente?

Claro que não, somos seres bem mais complexos. O Ego é simplesmente uma parte nossa, não a nossa totalidade. Existem outras instâncias psíquicas capazes de controlar o Ego quando ele “sai fora dos trilhos”.

Sem o Ego não teríamos condições de sobreviver aqui no planetinha. O Ego carrega uma energia masculina ou yang, como queiram, e é esta que possibilita a ação e consequentemente a sobrevivência.

O Ego também possibilita o senso de identidade, sem ele não teríamos noção de quem somos. Ele permite a autonomia, o ajustamento à realidade, a responsabilidade, a independência e o tudo mais necessário para nos expressarmos como indivíduos aqui na terceira dimensão.

Os problemas surgem quando o indivíduo pensa que o Ego é tudo que existe, o que cria as atitudes autocentradas, as narcisistas ou ainda as do tipo “eu contra eles”.

Muitos, quando adultos, continuam com um Ego infantil, exigindo gratificações imediatas, necessitando de regras e normas ditadas pelos outros (é isso a que a criança está acostumada) ou mantendo os sentimentos de onipotência que costumavam ter na infância.

Esse é o Ego não saudável ou não desenvolvido.

“Enquanto não são aceitas, as limitações da esfera humana não podem ser transcendidas. Enquanto não for suficientemente desenvolvido, o Ego não pode ser liberado. Essas afirmações podem parecer contraditórias, mas são passos essenciais do caminho espiritual. Somente quando o Ego é saudável e forte podemos saber que ele não é a resposta final do ser.” (Guia do Patthwork.)

Ou seja, para podermos nos liberar do jugo do Ego primeiramente precisamos trabalhá-lo no sentido de fortalecê-lo. É então que surgem os aspectos positivos como: o discernimento, a compaixão, a responsabilidade, a capacidade de fazer escolhas conscientes e aceitar as frustrações, entre outros.

O Ego não é bom nem mau, ele só precisa ser amadurecido e educado.

Não briguem com ele. rsrs Aceitem-no, analisem-no e partam para fazer as mudanças necessárias ao seu desenvolvimento.

Imagem: valedosolencantado.blogspot.com

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Técnicas de persuasão e lavagem cerebral utilizadas pelas igrejas

lavagem

Compartilho com vocês excertos de um texto do psicólogo Dick Sutphen porque é de importância crucial para as pessoas conhecerem o que fazem com elas para assim poderem sair gradativamente da hipnose coletiva em que vivem ou como dizem alguns: da Matrix.

"Conversão" é um eufemismo para "lavagem cerebral". Qualquer estudo sobre o assunto tem necessariamente de mencionar algo sobre a Renovação Cristã na América do século XVIII. Em 1735, Jonathan Edwards descobriu as técnicas por acidente durante uma cruzada religiosa em Northampton, Massachusetts. Percebeu que induzindo culpa e tensão, os "pecadores" presentes sucumbiam e submetiam-se completamente aos seus comandos.

As técnicas estão sendo utilizadas ainda hoje na Renovação Cristã, mas também em cultos, treinamentos de potencial humano, reuniões de negócios e inclusive no Exército dos Estados Unidos, para não mencionar o resto. A meu ver, a maioria dos pregadores não sabe que está usando técnicas de lavagem cerebral. Edwards, no caso, simplesmente tropeçou numa que realmente funcionava, outros a copiaram, e ela continuou sendo copiada por mais de duzentos anos. Quanto mais sofisticados nosso conhecimento e tecnologia ficam, mais eficiente a conversão. Acredito fortemente que essa é uma das principais causas do aumento no fundamentalismo cristão, especialmente na sua versão televisionada, enquanto a maioria das religiões ortodoxas está definhando.

Os Cristãos podem ter sido os primeiros a utilizar com sucesso a lavagem cerebral, mas nós temos que nos voltar a Pavlov, o cientista russo, para obtermos uma explicação científica. No começo do século XX, seus estudos com animais abriram a porta para investigações em humanos. Depois da Revolução Russa, Lênin percebeu rapidamente as aplicações potenciais da pesquisa de Pavlov. Três estados distintos e progressivos de inibição transmarginal foram identificados por Pavlov. O primeiro é a fase equivalente, em que o cérebro dá idêntica resposta a estímulos fortes ou fracos. O segundo é a fase paradoxal, nela o cérebro responde mais intensamente aos estímulos fortes que aos fracos. O terceiro é a fase ultraparadoxal, onde padrões de respostas e comportamentos condicionados invertem-se de positivo para negativo ou vice-versa. Progressivamente, através de cada fase, o grau de conversão torna-se maior. Os meios para alcançá-la são muitos e extremamente variados, mas o primeiro passo a ser dado, tanto para a lavagem cerebral religiosa quanto política, é enfocar e trabalhar nas emoções do indivíduo ou grupo até que isso produza níveis anormais de raiva, medo, excitação ou tensão. Como conseqüência, essa condição impede o discernimento claro e aumenta a sugestionabilidade. Quanto mais esse estado for mantido ou intensificado, mais crescem seus efeitos. Uma vez atingida a catarse, ou "primeira fase mental", a manipulação torna-se mais fácil, e assim as programações mentais preexistentes podem ser substituídas por novos padrões de comportamento e pensamento.

... táticas de conversão e hipnose são duas coisas distintas, e as de conversão são muito mais potentes. Entretanto, normalmente as duas se encontram misturadas, mas com grandes resultados.

Como Agem os Pregadores

Apenas vá a alguma igreja e sente-se entre o meio e o fundo (preferencialmente no terceiro quarto). Alguma música repetitiva será tocada enquanto as pessoas organizam-se para começar a cerimônia. Essas músicas repetitivas, com batidas idealmente oscilando entre 45 a 72 por minuto (um ritmo próximo ao do coração humano), são muito hipnóticas e podem gerar estados alterados de consciência em uma alta porcentagem dos indivíduos, mesmo que mantenham os olhos abertos. Uma vez que as ondas cerebrais alfa sejam predominantes, você torna-se no mínimo 25 vezes mais sugestionável do que no estado beta de consciência. A música sendo a mesma para todos os eventos realizados pela igreja, ou ao menos possuindo a mesma batida, vai induzir um estado mental alterado quase imediatamente. Subconscientemente, o cérebro relembra-se de sua última experiência e responde entrando em transe automaticamente. Observe as pessoas aguardando o início da cerimônia. Muitas vão exibir sinais externos de transe: corpos relaxados e olhos levemente dilatados. Normalmente, enquanto estão sentadas em suas cadeiras, começam a balançar suas mãos no ar para frente e para trás. Abrindo o evento, provavelmente aparecerá o pastor-assistente, que costuma ser muito bem treinado na técnica da "voz cadenciada".

Após induzir um estado alterado de consciência, passam a ter como objetivo gerar excitação e expectativa na audiência. Comumente virá um grupo de jovens mulheres em vestidos "angelicais e puros" para cantar. Músicas Gospel são ótimas para gerar excitação e envolvimento. No meio da canção alguma delas pode ser "acometida por um espírito" e cair no chão, ou reagir como se estivesse sendo possuída pelo Espírito Santo. Isso aumenta muito eficientemente a tensão no ambiente. Nessa situação, táticas de conversão e hipnose estão sendo misturadas e, como resultado, a audiência está totalmente absorta. O ambiente vai tornando-se cada vez mais e mais tenso. Exatamente neste momento, quando o estado mental alfa foi atingido, passarão com a "cestinha de coleta". Ao fundo da igreja o pastor assistente com sua "Voz Cadenciada" provavelmente estará incitando os presentes dizendo – sempre cerca de 45 vezes por minuto – algo do tipo: "Dê a Deus... Dê a Deus... Dê a Deus... Dê a Deus...", e a audiência obedece.

A seguir aparece o pregador "fogo e enxofre" induzindo medo e tensão, falando sobre o "demônio", "ir para o inferno" ou a "proximidade do fim do mundo". No último encontro desse tipo em que fui, o pregador falava que em breve haveria apenas sangue saindo de todas as torneiras da Terra. Ele também era obcecado com o "machado sangrento do divino", que todos haviam "visto" na semana passada pendurado acima do púlpito. Não tenho dúvida de que todos o viram, o poder da sugestão aplicado a centenas de pessoas em hipnose assegura que ao menos 10 a 25 por cento delas veria qualquer coisa que ele dissesse estar lá. Na maioria desses encontros, após o "testemunho ocular", segue-se um sermão predominantemente baseado no medo. As pessoas da audiência virão ao palco para contar suas histórias. "Eu era aleijado e agora posso andar!", "Eu tinha artrite e agora ela se foi!". É um tipo de manipulação psicológica que realmente funciona. Depois de ouvir numerosos casos de curas milagrosas, as pessoas normais na platéia com problemas simples estarão convictas de que podem se curar. O lugar está carregado de medo, culpa, excitação e expectativas.

Primeira Técnica

Esteja alerta caso uma dessas organizações ofereça sessões de "manutenção" após o curso principal. Podem ser encontros semanais ou novos cursos lecionados periodicamente. Tentarão convencê-lo a participar dessa "manutenção" para manter controle sobre seus "aprendizes". Assim como souberam os Renovadores Cristãos, eles também sabem que para haver sucesso em manipulações de longo prazo é imprescindível que existam sessões de "manutenção" posteriores à conversão.

Segunda Técnica

Outra evidência de que táticas de conversão estão sendo utilizadas são as "atividades" que causam fadiga física e/ou mental. Consegue-se isso normalmente ao deixar os participantes tão ocupados por longos períodos de tempo que não têm tempo para refletir ou pensar sobre o que estão fazendo/ouvindo.

Terceira Técnica

Essa categoria, dizendo de modo simples, engloba todas as técnicas usadas para aumentar a tensão no ambiente.

Quarta Técnica

Insegurança. Eu poderia passar horas descrevendo várias técnicas usadas para gerar insegurança. A maioria dos participantes tem grande receio de que seus "treinadores" o coloquem no centro das atenções frente ao grupo. Uma das práticas mais comuns é levar os participantes a relatar seus segredos íntimos, e normalmente também são constrangidos a participar de atividades que enfatizem a "remoção de suas máscaras". Em um desses cursos, colocava-se um participante num palco de frente a todos os outros enquanto era verbalmente atacado pelos seus instrutores. Uma pesquisa feita alguns anos atrás mostrou que a fobia mais comum entre as pessoas é falar em público. Boa parte sucumbe, mas a maioria enfrenta essas situações de estresse extremo simplesmente "fugindo" mentalmente. Eles literalmente entram em alfa, o que os torna automaticamente muito mais sugestionáveis do que normalmente seriam. Essa situação representa mais um passo no caminho da conversão.

Quinta Técnica

Um outro traço típico é o uso de jargões ou neologismos que apenas tenham significado aos participantes do curso. Linguagem capciosa, depravada e/ou confusa também é usada propositalmente para causar constrangimento.

Sexta Técnica

Mais um sintoma do uso das técnicas de conversão é evitar o humor, ao menos até serem convertidos. Após isso, o divertimento e humor são altamente visados por serem símbolos da nova "felicidade" que os participantes supostamente teriam encontrado.

Tenho plena convicção de que pelo menos um terço da população mundial se enquadra no perfil que Eric Hoffer denomina "Crentes Cegos". São literalmente seguidores cegos, pessoas que querem livrar-se de seu poder. Elas procuram por respostas, significados e iluminação em coisas externas a si mesmas. Hoffer diz em seu livro "O Crente Cego" (um clássico sobre o assunto) que "essas pessoas não pretendem conseguir fortalecimento ou auto-afirmação, mas apenas fugir de si mesmas, dando o controle de suas vidas a outrem. São seguidoras não porque procuram auto-superação, mas, na verdade, porque anseiam a auto-renúncia.

Fonte: Dick Sutphen. Psychologie und Landmark Education. Tradutor: André Díspore Cancian.

Como deu para ver é um assunto sério e perigoso. Pessoas convertidas por essas técnicas deixam mais ainda de pensar com a própria cabeça do que o restante da humanidade, têm muito mais dificuldade para desenvolver a consciência. A persuasão e a lavagem cerebral são a razão de existirem fanáticos tanto políticos como religiosos. E o pior é que tais pessoas não têm a mínima idéia de que o são, quando confrontadas reagem veementemente contra a denominação de fanáticas, como também não se dão conta de que sofreram lavagem cerebral.

Imagem: investigacoessud.blogspot.com

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O que é Efeito Lúcifer? Parte 2

EfeitoLucifer2

Prosseguindo com o assunto do último post aqui veremos, segundo Philip Zimbardo, os sete processos sociais capazes de tornar uma pessoa mais suscetível a cometer algum tipo de maldade.

1. Dar o primeiro pequeno passo sem pensar: normalmente algo quase insignificante, mas que abre as portas para abusos cada vez maiores e que, quando aumentado pouco a pouco, não se percebe o resultado final. Como um choque de 15 volts.

2. Desumanização do outro: é mais fácil fazer mal a alguém quando não se vê ou não se sabe quem é essa vítima. Os prisioneiros de Stanford não se chamavam John ou Peter, mas 416 e 325.

3. Desumanização própria: quando se está anônimo numa multidão, sua maldade é diluída entre os demais. O antropólogo R. J. Watson estudou 23 culturas em seus processos de ir à guerra. Dos oito povos que iam para a batalha sem pinturas ou ornamentos específicos, apenas um tinha alto grau de violência, isto é: torturavam, mutilavam e/ou matavam seus inimigos. Mas dos outros quinze que mudavam a aparência (ou se escondiam atrás de óculos escuros espelhados e uniformes padronizados), tornando-se anônimos, doze matavam e mutilavam. Ou seja, dos que matavam e mutilavam, 12 entre 13 mudavam a aparência. Mais de 90%.

4. Difusão da responsabilidade pessoal: quando um criminoso é linchado, a culpa é da multidão e não dos socos e pontapés individuais. Mais do que a covardia do grupo, representa a diluição da culpa.

5. Obediência cega à autoridade: como demonstrado por Milgram,  a autoridade também funciona como pára-raios para atribuição de culpa de quem apenas executa ordens.

6. Adesão passiva às normas do grupo: odiar a torcida adversária faz parte do ritual de vestir o uniforme do seu time - mesmo que o seu irmão esteja do outro lado da arquibancada. Mesmo que você odeie uma pessoa que nunca viu apenas por causa das cores que ostenta.

7. Tolerância passiva à maldade através da inatividade ou indiferença: muitas vezes o indivíduo não é o responsável direto pela maldade, mas permite, inabalável, que ela seja praticada.

Quando essa cadeia de eventos ocorre numa situação que não lhe é familiar, ou seja, onde seus habituais padrões de resposta não funcionam, você está pronto para perpetrar o mal - e nem se dará conta disso. Sua personalidade e princípios morais já estarão desligados.

O autor explica que a chave para tal comportamento está na situação em que a pessoa se encontra e na enorme influência que ela tem sobre os indivíduos. O sistema formado pelo conjunto de bases acadêmica, cultural, social e política do indivíduo cria as situações que haverão de corrompê-lo.

No Experimento de Stanford, os papéis de guardas e prisioneiros faziam parte do repertório dos voluntários. Assim que os sorteios foram realizados, cada um encaixou-se ao seu papel automaticamente, de acordo com os estereótipos pré-concebidos.

Para mudar uma pessoa, prossegue, você tem que mudar a situação. E se quer mudar a situação, precisa entender em que parte do sistema está o poder. É necessário identificar e remover do ambiente o elemento dessa equação determinante para que o voluntário assuma o seu papel de guarda sádico - e mantenha-se nele.

Nos mais de trinta anos durante os quais estudou o tema, sua pergunta básica era: o que faz as pessoas agirem de forma errada? Suas conclusões são espantosas, ainda que simples e intrigantes, porque banais.

Imagine que alguém lhe pergunte: "vamos eletrocutar alguém hoje?" Dez anos antes de Zimbardo, Stanley Milgram provou que, uma vez colocados nas condições apropriadas, 65% dos voluntários fritariam pessoas inocentes, as quais nunca viram mais gordas.

Milgram estudou, no entanto, o poder de uma autoridade individual. Zimbardo avaliou, por sua vez, a influência de uma instituição. Trata-se, no final das contas, de um estudo sobre o poder da instituição. E a maioria de nós está dentro de uma instituição a maior parte do tempo.

Fonte: http://www.naopossoevitar.com.br/2009/07/experimentos-em-psicologia-phil-zimbardo-e-o-efeito-lucifer.html

Discordo em parte da conclusão de Zimbardo quanto à instituição ser a causa determinante. Pessoas que tenham a consciência desenvolvida não deixarão extravasar seu lado sombrio, independente de quão forte seja a influência do grupo ou de uma instituição. A “maldade” só virá à tona ou ocorrerá como manifestação da “hipnose” em que vive a maior parte da humanidade e da falta de consciência mais expandida.

Na medida em que desenvolvemos nossa consciência o lado sombra começa a ser administrado, diminuindo e por fim extinguindo essa capacidade tão humana de fazer mal ao outro e também a si mesmo.

Imagem: http://www.naopossoevitar.com.br/

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O que é Efeito Lúcifer? Parte 1

EfeitoLucifer

Postei aqui dia 19/12/11 um vídeo excelente sobre a sombra que todo ser humano carrega. Para atestar sua existência hoje compartilho com vocês uma experiência de laboratório conduzida pelo psicólogo Philip Zimbardo.

Em 1971 Zimbardo estava pronto para ver sua teoria sobre a maldade na prática: em 14 de agosto teve início um dos mais controversos Experimentos em Psicologia feitos até hoje: o Estudo da Prisão de Stanford.

Com um anúncio no jornal, Zimbardo e sua equipe amealharam 75 candidatos para uma pesquisa onde seriam estudadas as condições dentro de uma prisão. Através de testes físicos e avaliações psicológicas, eles escolheram os 24 voluntários, dentre os mais saudáveis do grupo, que receberiam US$ 15,00 por dia de participação.

Um cara-ou-coroa dividiu o grupo entre guardas e prisioneiros, colocando-os dentro ou fora das grades de uma cadeia cenográfica montada no subsolo da própria universidade. Depois do sorteio, os voluntários eram instruídos a aguardar em casa o início do experimento.

Sem qualquer outro aviso, os prisioneiros eram buscados em suas casas pela própria polícia de Palo Alto, na Califórnia. Sob a "acusação" de assalto à mão armada, eles eram levados à delegacia algemados em carros-patrulha para serem fichados, tirar as impressões digitais e as fotos características.

Já na cadeia, os prisioneiros eram chamados apenas por números bordados em suas roupas - iniciando seu processo de despersonalização, a que retornaremos mais tarde. Todos usavam uniformes apertados, gorros de lã e eram obrigados a carregar bolas infláveis a maior parte do tempo, para que se sentissem desconfortáveis. Uma corrente atada a um dos tornozelos lembrava-os, constantemente, sua condição de prisioneiro.

Aos guardas foram fornecidos bastões de madeira, roupas características e óculos escuros espelhados, para que evitassem contato visual direto com os prisioneiros.

Nas instruções que lhes deu um dia antes do experimento, Zimbardo alertou-os que não poderiam machucar os presos. Disse-lhes: "Vocês podem criar nos prisioneiros a sensação de tédio, algum grau de medo e o sentimento arbitrário de que suas vidas são controladas por nós, pelo sistema e que eles não têm qualquer privacidade. Vamos tirar suas individualidades em vários níveis. Geralmente isso tudo leva à sensação de impotência, ou seja, nessa situação nós teremos todo o poder, enquanto eles não terão nenhum".

Um dos guardas foi designado Diretor da Prisão, enquanto que o próprio Zimbardo era o Superintendente. Mesmo sob sua supervisão, o experimento fugiu ao controle rapidamente. Ali ele pôde compreender o que acontecia a pessoas boas quando colocadas numa situação ruim.

Numa irracional escalada de brutalidade, os guardas tornaram-se sádicos algozes daqueles que, dias antes, eram apenas seus colegas de universidade. Eles forçavam os detentos a exercícios repetidos, sem motivo aparente. Proibiam os prisioneiros de sair das celas para suas necessidades fisiológicas e os impediam de esvaziar suas latrinas, causando rápida deterioração nas condições sanitárias do presídio.

Em 36 horas o primeiro preso teve um colapso nervoso, chorando, gritando e com o raciocínio totalmente perturbado, precisando ser removido imediatamente.

Os guardas tornaram-se cada vez mais cruéis com o desenrolar do experimento. Às vezes retiravam os colchões das celas como forma de punição, forçando os presos a dormir diretamente no concreto. Outros eram obrigados, ainda, a andar nus pela prisão.

Certa vez, o prisioneiro 416 recusou a alimentação oferecida e foi trancado num armário apertado carinhosamente batizado de solitária. Para enervar os presos e criar conflitos internos, os guardas disseram que só soltariam o colega isolado se os demais entregassem seus lençóis. Todos se recusaram.

Tão estranha quanto a crueldade cultivada pelos guardas era a passividade demonstrada pelos prisioneiros. Zimbardo explicou que eles internalizaram seus papéis a tal ponto, que sofriam passivamente o tratamento sádico, covarde e humilhante que lhes era imposto. Quando algum deles pedia para sair, era submetido ao "comitê de liberdade condicional", onde seu caso era "julgado".

Invariavelmente o pedido de condicional era negado (caso fosse aceito, ele sairia sem receber o pagamento por sua participação) e, por incrível que pareça, o prisioneiro aceitava candidamente a decisão e voltava à prisão. Ele parecia esquecer-se de que estava ali por sua própria vontade e, assim sendo, poderia ir embora no momento que bem entendesse, independentemente da decisão de qualquer comitê fajuto.

Imerso no seu papel, Zimbardo parecia não se dar conta do que acontecia com seu experimento. Mais de cinquenta pessoas já haviam visitado as instalações da "prisão", até que uma delas - e apenas uma delas! - chamou sua atenção para o tipo de atrocidades que se cometia ali. Disse, ainda, que o próprio Zimbardo, mesmo parecendo alheio, era responsável pelo que acontecia com aqueles rapazes.

Como que despertado de seu torpor, Zimbardo encerrou o experimento na manhã seguinte. Era ainda o sexto dia, de um total previsto de quatorze.

A maioria dos guardas mostrou-se desapontada com o prematuro encerramento das atividades. Muitos dos prisioneiros estavam psicologicamente abalados. Cinco tiveram colapsos nervosos.

Zimbardo explica, assim, que a maldade é uma questão de poder. É o exercício de poder para intencionalmente infligir a alguém o mal psicológico ou físico. Ele identifica os sete processos sociais capazes de tornar uma pessoa mais suscetível a cometer algum tipo de maldade. (próximo post)

Fonte: http://www.naopossoevitar.com.br/2009/07/experimentos-em-psicologia-phil-zimbardo-e-o-efeito-lucifer.html

Zimbardo chamou de EFEITO LÚCIFER à estranha e onipresente força que eventualmente nos faz cruzar a tênue fronteira entre “o bem e o mal”.

Reflitam a respeito. Todos nós temos nossa parte sombria!

Imagem: http://www.naopossoevitar.com.br

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O mundo está mudando

Avaaz

Uma das características do ser humano é que ele é também um ser político-social. Este texto vindo da Avaaz contribui para expandir (aqueles que necessitam ) a consciência nessas áreas.

Ajude você também a mudar o mundo, assinando e/ou contribuindo financeiramente com a Avaaz.

Algo grande está acontecendo. Da Praça Tahrir à Wall St., de jornalistas cidadãos vertiginosamente corajosos na Síria a milhões de cidadãos que vencem campanha após campanha online, a democracia está em movimento. Não a democracia sensacionalista para a mídia, a democracia corrupta ou das eleições a cada quatro anos. Algo muito, muito mais profundo. Lá no fundo de nós mesmos estamos nos dando conta do nosso próprio poder para construir o mundo que sonhamos.

A marcha da democracia está varrendo o mundo, e em cada lugar em que ela está surgindo, a Avaaz está lá.

A Avaaz está com a bola toda, com 10,5 milhões de pessoas e crescendo rapidamente. Além disso, também estamos aprofundando nosso ativismo -- e com a combinação de números profundos e enormes, estamos ganhando, uma vez atrás da outra.

Não estamos apenas entregando efetivamente as petições, estamos estabelecendo esconderijos e rotas de infiltração para proteger os movimentos democráticos, desafiando corporações com ações judiciais ou convocando todos os seus acionistas, doando milhões para equipar os defensores de direitos humanos com a tecnologia mais recente, e entregando com impacto as vozes da nossa comunidade direta e pessoalmente aos presidentes, bilionários, embaixadores e ministros.

Está funcionando -- leia abaixo para saber como.

NA LINHA DE FRENTE DA PRIMAVERA ÁRABE

A Avaaz tem estado no centro das lutas pela democracia no mundo árabe. Com US$ 1,5 milhões de financiamento feito por meio de pequenas doações de nossos membros, rompemos a censura que os ditadores tentaram impor quando expulsaram a mídia internacional - treinamos um grande número de jornalistas cidadãos e os provemos com tecnologia de alta ponta para divulgar informação. Os principais editores da BBC, CNN e Al Jazeera nos disseram que, em casos como o da Síria, a Avaaz tem sido a fonte de 30% de toda a cobertura de suas notícias!

O PODER DAS PESSOAS VS A MÁFIA DE MURDOCH

Um membro da Avaaz veste a cabeça gigante de Murdoch num protesto em frente do Parlamento britânico. De Londres à Los Angeles, o Murdoch gigante apareceu em protestos em todo o mundo

Pegamos o barão da mídia mais poderoso e perigoso do mundo, Rupert Murdoch, e vencemos.

Foi o maior negócio da carreira de Murdoch, aumentando o seu império de mídia global em 50% através da aquisição de uma enorme empresa baseada no Reino Unido - a BSkyB. Todos disseram que não poderiam pará-lo, mas os membros da Avaaz pensaram diferente, enviando 668.784 mensagens e fazendo 30.000 telefonemas para os membros do Parlamento Britânico, ações para chamar a atenção da mídia, bem como duas pesquisas de opinião que mostraram uma oposição pública maciça a Murdoch.

O PROTESTO GLOBAL QUE SALVOU A AMAZÔNIA

Os líderes da marcha terminaram seus discursos apontando para a bandeira da Avaaz e afirmando: "Temos o apoio de todo o mundo!" Meio milhão de nós se juntaram a mais de 1.000 manifestantes indígenas para exigir que o presidente boliviano, Evo Morales, suspendesse a construção de uma rodovia que cortaria o coração da Amazônia.

A pressão funcionou! Depois da nossa campanha, Morales cancelou a construção, revogou a decisão que concederia permissão para o projeto e se comprometeu a proteger o impactado TIPNIS - parque nacional e território indígena - a jóia da coroa da Amazônia boliviana, para sempre! Vamos fazer ele cumprir essa promesa.

VITÓRIA SOBRE AS BOMBAS DE FRAGMENTAÇÃO!

Nossa enorme petição foi entregue por uma vítima das bombas de fragmentação para o representante francês da conferência. Três anos atrás, a Avaaz mobilizou seus membros para pressionar a proibição global sobre bombas de fragmentação, salvando milhares de crianças. Este ano, os EUA discretamente fizeram um lobby com outras nações para assinar uma nova lei que teria permitido o seu uso novamente! Nossa poderosa petição de 600.000 assinaturas ajudou a pressionar 50 países a se oporem aos planos dos EUA.

Muitos delegados usaram a nossa petição para fortalecer seus argumentos nas negociações. Nossa poderosa bandeira, colocada fora da sala de conferência - em conjunto com 1000 folhetos que a equipe da Avaaz colou por todo o centro de conferências - foi um lembrete inconfundível para os negociadores sobre a oposição que enfrentariam ao voltar para casa. A iniciativa dos EUA falhou -- juntos ajudamos a salvar a vida de milhares de civis inocentes.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: MANTENDO A ESPERANÇA VIVA

Mais de 800.000 membros da Avaaz lutaram para salvar o Protocolo de Quioto na conferência climática da África do Sul.

Nos momentos críticos das conversações sobre o clima em Durban, mais de 800.000 de nos ajudaram a salvar o acordo climático da ONU de um grupo de poluidores determinados a acabar com o tratado. Nossa equipe na África do Sul entregou dia após dia nossa mensagem através de ações contundentes como este anúncio no Financial Times -- lançado no último dia das tensas negociações. Apesar da pressão maciça dos assassinos do planeta apoiados pelo petróleo, como os EUA e Canadá, um acordo foi feito para salvar o vital Protocolo de Quioto e nos dar a oportunidade de lutar pela continuação das negociações climáticas.

SALVE A INTERNET - GRANDE PROGRESSO!

A ativista da Avaaz, Maria Paz Cambronero, entrega a nossa petição para altos funcionários da Casa Branca. Em dias, mais de 1 milhão de nós em todo o mundo assinaram uma petição se opondo a um projeto de lei escandaloso que daria ao governo dos EUA o direito de desligar qualquer site - alvos como o WikiLeaks, YouTube, e o próprio site da Avaaz!

A equipe do Presidente Obama respondeu, e a Avaaz organizou uma reunião de 1 hora com altos funcionários da Casa Branca para entregar a petição.

OPONDO-SE À CORRUPÇÃO NA ÍNDIA

A campanha anti-corrupção da Avaaz na Índia foi a campanha mais viral da história da Internet! Em apenas 36 horas, mais de 700.000 indianos se juntaram à petição para apoiar uma forte lei anti-corrupção chamada Jan Lokpal! Nós fizemos marchas em todo o país, erguemos contundentes outdoors em toda a Índia e lançamos uma pesquisa independente que mostrou que a maioria dos eleitores indianos queriam um Lokpal ambicioso.

ITÁLIA - A VITÓRIA PARA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Membros da Avaaz e a ativista da Avaaz Giulia Innocenzi protestam contra os limites à liberdade de expressão. Durante seus últimos meses no poder, o Primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, tentou amordaçar a democracia, permitindo que o governo paralisasse os sites da Internet por um capricho. Nossa comunidade lutou e venceu!

Membros italianos enviaram 200 mil e-mails e inundaram o Facebook e Twitter com mensagens. Nós mobilizamos contundentes manifestações públicas cobertas pela mídia e arquivamos a lei para sempre! Agora a democracia italiana está livre de Berlusconi - e estamos seguindo em frente!

Essas são apenas algumas das vitórias que conseguimos alcançar nas últimas semanas. Desde o seu nascimento, há 5 anos, a Avaaz já lançou mais de 1000 campanhas! E, na medida em que nossa comunidade cresce e aprofunda nosso comprometimento, estamos vencendo em mais campanhas. Se continuarmos nesse ritmo, e continuarmos a acreditar e ter esperança na mudança e em um ao outro, qualquer coisa é possível.

Com esperança,

Ricken, Dalia, Allison, Ari, Emma, Wissam, Wen-Hua, Ian, Alice, Luis e todo o time da Avaaz.

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