"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Obesidade mental

obesidade

Recebi o texto por e-mail, sem identificação do autor, que trata de um assunto muito a propósito quanto aos dias atuais. Algumas partes do texto me pareceram um tanto preconceituosas, portanto não o posto aqui por inteiro, mas no geral o autor está muito certo no que diz. Vamos expandir a consciência refletindo sobre o exposto.

O prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard, publicou em 2001 o seu polêmico livro Mental Obesity, que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física decorrente de uma alimentação desregrada. É hora de refletir sobre os nossos abusos no campo da informação e do conhecimento, que parecem estar dando origem a problemas tão ou mais sérios do que a barriga proeminente.

Segundo o autor, a nossa sociedade está mais sobrecarregada de preconceitos do que de proteínas e mais intoxicada de lugares-comuns do que de hidratos de carbono. As pessoas se viciaram em estereótipos, em juízos apressados, em pensamentos tacanhos e em condenações precipitadas.

Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os "cozinheiros" desta magna fast food intelectual são os jornalistas os articulistas, os editorialistas, os romancistas, os falsos filósofos, os autores de telenovelas e mais uma infinidade de outros chamados "profissionais da informação".

Os telejornais e telenovelas estão se transformando nos hamburgers do espírito. As revistas de variedades e os livros de venda fácil são os donuts da imaginação. Os filmes se transformaram na pizza da sensatez.

Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se abusarem dos doces e chocolates. Não se entende, então, como aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, por videojogos que se aperfeiçoam em estimular a violência e por telenovelas que exploram, desmesuradamente, a sexualidade. Com uma 'alimentação intelectual' tão carregada de adrenalina, romance,violência e emoção, é possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular.

Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado "Os abutres", afirma: o jornalista alimenta-se, hoje, quase que exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos e de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.

O texto descreve como os jornalistas e comunicadores em geral se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico e chocante.

Só a parte morta e apodrecida ou distorcida da realidade é que chega aos jornais.

O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para quê ela serve. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.

Não admira que, no meio da prosperidade e da abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A cultura banalizou-se e o folclore virou "mico". A arte é fútil, paradoxal ou doentia.

Floresce, entretanto, a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria e o egoísmo. Não se trata nem de uma era em decadência, nem de uma 'idade das trevas' e nem do fim da civilização, como tantos apregoam. Trata- se, na realidade, de uma questão de obesidade que vem sendo induzida, sutilmente, no espírito e na mente humana.

O homem moderno está adiposo no raciocínio, nos gostos e nos sentimentos.

Imagem: exercite-se.com.br

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

O que não tem preço




Recebi este pps e por considerar que traz um bom assunto para reflexão quis partilhá-lo com vocês. Esteticamente também está muito bonito.

Reconheço que o horário em que todos vão para o trabalho é corrido, mas será que algumas pessoas não teriam alguns minutinhos para apreciar a boa música que lhes estava sendo oferecida de graça? E se chegassem um pouco atrasados ao trabalho, seria tão catastrófico assim? Eu até convidaria meu chefe para ir até à estação do metrô apreciar também. Afinal nada melhor do que começar o dia com música e funcionários bem dispostos produzem mais e melhor.

Vivendo neste atual mundinho caótico precisamos e devemos ter momentos como os que foram ofertados por esse artista.

A alegria da vida definitivamente não tem preço, não se compra. Reflitam sobre como estão levando suas vidas...



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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Existe maldade gratuita?

maldade

Postei há pouco tempo uma matéria sobre uma experiência que foi denominada “Efeito Lúcifer” onde descobrimos que pessoas comuns, numa situação onde podiam exercer poder arbitrário e legal sobre outras, tornaram-se cruéis torturadores.

Hoje vamos adentrar um pouco mais neste campo, o da crueldade, maldade ou perversidade, como queiram chamar. Por que estou postando sobre este tema? Porque tomando conhecimento dos noticiários atualmente percebemos que os atos ditos maus ou cruéis estão se tornando um lugar comum em distintas partes do globo. Seja em regimes totalitários (Síria, por ex.), seja em países democráticos (Brasil, onde se queimam moradores de rua). Em vista disso é útil saber os porquês das pessoas agirem assim para, se possível, prevenir.

Ao indivíduo comum, normal, bem comportado parece que o mundo enlouqueceu. Será? Vejo duas possibilidades de resposta: 1) a crueldade sempre existiu, somente que agora temos amplo e imediato acesso, ou quase, aos fatos que ocorrem na sociedade planetária ou 2) mais pessoas estão “saindo dos trilhos” porque não estão aguentando as mudanças que ora ocorrem no planeta (a consciência está aumentando, e sendo ela luz, acaba trazendo à tona a escuridão que existe em cada um).

Freud atribuía a maldade à pulsões (conceito vago e difícil de entender) eu prefiro, segundo a Análise Transacional, atribuí-la à Criança Interior. Nossa criança interna é amoral, como qualquer criança pequena o é, carente de juízos de valor. Os pequenos não sabem que estão causando algum mal ao gato quando puxam o rabo dele. Os conceitos de bem e de mal vão se instalando em nossa psique conforme vamos crescendo. Na idade adulta, para alguns, ter seu objetivo alcançado transcende seus conceitos e/ou valores internalizados.

Trarei aqui algumas contribuições de um excelente trabalho (Tese de Mestrado de Marie Danielle Brülhart Donoso – Estudo psicanalítico sobre a gramática da maldade gratuita). Seus excertos serão colocados em cor e fonte diversas.

Autores citados na tese mencionada trazem diferentes abordagens à questão da crueldade. Gostei do enfoque de Hannah Arendt que considera que o mal é a absoluta falta do pensar (em profundidade). Em decorrência desse pensamento cunhou a expressão mal banal ou banalidade do mal. Ela chegou à sua conclusão a partir do estudo que realizou sobre os nazistas. Esteve presente, inclusive, nos julgamentos de Nuremberg. Esta “falta do pensar” nada mais é do que falta de reflexão ou, por extensão, falta de consciência evoluída.

Neste exemplo pode-se constatar a ausência de reflexão (depoimento de um soldado sobre os extermínios na ex-Iugoslávia): “A gente mata, e depois que a gente matou [...] temos que continuar matando sem parar, em ação sem parar, tiros sem parar, dedo no gatilho sem parar [...]. O importante é uma certa eficiência, uma coisa puramente, puramente empírica: não há muita filosofia, nem muita reflexão sobre o porque matei. É isso. (Welzer, 2007, p. 276).”

“Arendt não acredita que exista um Eichmann em cada um de nós, mas suas características é que se multiplicariam em sociedades de massa, inclinadas ao não exercício do pensamento e à falta de profundidade. (grifo meu) “Não pensar é também negar a si a responsabilidade pelos seus atos e é justamente quando não refletimos sobre o mal que podemos realizá-lo, quando anestesiamos a criticidade.” (Adilson Silva Ferraz)

Hannah Arendt dizia que “Os campos (de concentração nazistas) são a única forma de sociedade onde é possível dominar o homem inteiramente, mas conforme vimos no Experimento de Zimbardo - o Efeito Lúcifer, isso é possível em outras circunstâncias, desde que estejam presentes os elementos propiciadores.

Além do fato de não pensar, outro elemento vem propiciar o surgimento da bestialidade nos seres humanos: fazer parte de uma “massa” humana.

Heinrich Himmler num de seus discursos: Nós tínhamos o direito moral, nós tínhamos o dever em relação ao nosso povo, de matar esse povo que queria nos matar. Não é um “eu” que mata, é um “nós”. (Welzer, 2007, p. 282).”

Assim fica mais fácil, não é? Um “nós” ao invés de um “eu”.rsrs

Quando o indivíduo faz parte de um grupo, grande ou até mesmo pequeno, ocorre o que Freud se referia como abdicar do ideal de ego pelo ideal de massa ou como disse Marie Danielle: “[...] o anonimato da massa – facilita uma suspensão da repressão e um apagamento da consciência moral e do sentimento de responsabilidade.”

Novamente aí observamos a falta de reflexão e consciência evoluída, pois um indivíduo altamente consciente escolherá o caminho a agir de acordo com seus princípios éticos e não se deixará levar pela turba.

Um terceiro elemento encontrado na manifestação da violência ou crueldade é a segregação, o catalogar-se, e aos demais, por nação, etnia, credo, orientação sexual, etc.

Sobre o massacre de My Lai, Vietnã : “Aterrissamos em outro planeta. Ninguém tem a menor ideia do que falam. Ninguém tem o menor sentimento pelos vietnamitas. Não são seres humanos. Então, pouco importa o que você faça deles. (Welzer, 2007, p. 239).”

Vemos no noticiário: pai e filho espancados por suposição de serem gays; templos espíritas e umbandistas são atacados por religiosos de outra fé, moça agredida brutalmente por terem suposto que era prostituta, roubos seguidos de morte quando as vítimas nem sequer reagiram, assassinato de crianças numa escola por fanático islâmico e por aí vai a insana fúria dos intolerantes que não conseguem aceitar as diferenças, que se consideram donos da verdade ou baluartes de sua fé, que se supõem superiores por sua raça ou status social.

Os requintes de bestialidade mais atrozes acompanham o homem ao longo de toda sua história e a aculturação, o progresso e a ciência não proporcionaram a hegemonia da civilidade nem garantiram o primado da razão.”

A vida em sociedade impõe restrições aos nossos impulsos primitivos que quando chegam a um limiar crítico irão se descarregar, por exemplo, através da violência. Uma das formas de descarregar os impulsos primitivos seria, o que é tão comum atualmente, hostilizar minorias “diferentes”.

Enfim, não podemos dizer que exista maldade gratuita porque toda ação humana tem algum motivo por trás. . Vejamos o exemplo de um torturador que gosta do que faz, ele pode estar desrecalcando no torturado os maus tratos ou falta de amor que sofria na infância.

A psique humana é muito complexa e sempre devemos levar em conta que, muitas vezes por detrás de uma aparência polida, reside um ogro primitivo que pode emergir a qualquer momento. Esse é o ser humano nem besta, mas também nem anjo. Enquanto vivermos na dualidade assim será.

Reflitam sobre isso.

Imagem: rumoatolerancia.fflch.usp.br

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terça-feira, 27 de março de 2012

Estou cansado!

cansado

Recebi este texto por e-mail atribuído a Bill Cosby, mas, ao pesquisar, descobri ser uma variação de outro (bem mais longo) postado em seu blog por um ex-senador de Massachussets: Robert A. Hall.

Embora seja a visão de um norteamericano, muito do que cita diz respeito a todos nós, pois vivemos num mundo globalizado.

Trata-se de um texto com palavras duras e, à primeira vista, preconceituoso, politicamente incorreto e intolerante. Contudo me fez refletir, pois muito do que diz é a mais pura verdade. Aí fiquei me perguntando: será que não estamos tão hipnotizados pela mídia e pelo politicamente correto que passamos a ver fatos e situações de forma distorcida desde que se adeque à nossa autoimagem de “bonzinhos”?

Fica aqui o texto para cada um fazer a sua reflexão e chegar, ou não, a uma conclusão.

Tenho 74 anos. Exceto num breve período na década de 50 quando fiz o meu serviço militar, tenho trabalhado duro desde que eu tinha 17 anos, exceto por alguns graves desafios de saúde. Tinha 50 horas por semana e não caí doente em quase 40 anos. Tinha um salário razoável, mas eu não herdei o meu trabalho ou o meu rendimento e eu trabalhei para chegar onde estou. Dado o estado da economia, parece que a reforma foi uma má idéia. E estou cansado. Muito cansado.

Estou cansado de que me digam que eu tenho que "espalhar a riqueza" para as pessoas que não tenham a minha ética de trabalho. Estou cansado de que me digam que o governo fica com o dinheiro que eu ganho, pela força se necessário, para dá-lo a pessoas com preguiça para ganhá-lo.

Estou cansado de que digam que o Islã é uma "religião da paz", quando todos os dias eu leio dezenas de histórias de homens muçulmanos matando as suas irmãs, esposas e filhas pela "honra" da família; de tumultos de muçulmanos sobre alguma ligeira infração; de muçulmanos a assassinar cristãos e judeus porque não são"crentes"; de muçulmanos queimando escolas para meninas; de muçulmanos apedrejando adolescentes vítimas de estupro, até a morte, por serem"adúlteras"; de muçulmanos a mutilar o genital das meninas, tudo em nome de Alá, porque o Alcorão e a lei da Sharia diz para eles o fazerem.

Estou cansado de que me digam que em nome da "tolerância para com outras culturas" devemos deixar a Arábia Saudita e outros países árabes usarem o nosso dinheiro do petróleo para financiar mesquitas e escolas madrassa islâmicas para pregar o ódio na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, enquanto que nenhum desses países está autorizado a fundar uma sinagoga, igreja ou escola religiosa na Arábia Saudita ou qualquer outro país árabe, para ensinar amor e tolerância.

Estou cansado de que me digam para eu baixar o meu padrão de vida para lutar contra o aquecimento global, o qual não é sequer permitido debater...

Estou cansado de que me digam que os toxicodependentes têm uma doença e eu tenho que ajudar no apoio e tratá-los, pagar pelos danos que eles fazem. Terá sido um germe gigante saindo correndo de um beco escuro que os agarrou e os encheu de pó branco pelos narizes ou enfiou uma agulha em seus braços enquanto eles tentavam combatê-lo?!

Estou cansado de ouvir ricos atletas, artistas e políticos, de todos os partidos, falarem sobre os seus erros inocentes, erros estúpidos ou erros da juventude, quando todos sabemos que o que eles realmente pensam é que o seu único erro foi terem sido apanhados.

Estou realmente cansado de pessoas que não assumem a responsabilidade pelas suas vidas e ações. (sublinhado meu) Estou cansado de ouvi-los culpar o governo, a discriminação, a economia e a falta de equidade social - de fato, eles não durariam muito mais numa sociedade de verdadeira equidade social...

Eu também estou cansado e farto de ver homens e mulheres jovens e adolescentes serem "doca" de tatuagens e pregos na face, tornando-se não-empregáveis, e reivindicando dinheiro do governo, como se de um direito se tratasse.

Sim, estou muito cansado. Mas também estou feliz por ter 74 anos porque não vou ter de ver o mundo nojento que essas pessoas estão preparando. Eu só estou triste por minha neta e os seus filhos.

Graças a Deus, estou no caminho de saída e não no caminho de entrada...

Imagem: achopouco.blogspot.com

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quarta-feira, 21 de março de 2012

Você sabe o que o motiva?

PirâmideMaslow
Em se tratando de seres humanos nada é simples e nada é definitivo. Não se pode colocar rótulos ou fazer generalizações apressadas. A Psicologia já avançou muito no estudo da psique humana, mas ainda não tem e talvez nunca tenha a última palavra. Grande parte dos teóricos desta ciência não consideram a relevância do aspecto espiritual sobre o comportamento humano. Aí já se constata uma significante lacuna no seu estudo.
Primeiro vamos partir do princípio de que todo o comportamento humano é motivado e ... os motivos são frequentemente inconscientes. Mas o que motiva o comportamento e as atitudes humanas? Vários fatores e aqui vou citar alguns sem a pretensão de esgotar o assunto, até porque já foi constatado que conforme a humanidade evolui diferentes necessidades e motivações aparecem.
Afinal, o que é motivação? Em palavras bem simples é o que explica os porquês das pessoas escolherem uma ação. Por que esta e não aquela? Por que insistem numa determinada ação que até, muitas vezes, lhes resulta danosa ou penosa?
“O ser humano reage não só a objetos e pessoas do ambiente exterior como também ao seu próprio corpo, a seus pensamentos e sentimentos. Ao fazê-lo desenvolve cognições sobre o eu, como um objeto central e valioso. Surgem necessidades e objetivos importantes que se ligam à elevação e à defesa do eu.” (Krech, Crutchfield e Ballachey em O indivíduo na sociedade)
O ser humano é impulsionado por duas forças principais: a) buscar o prazer, satisfação e b) evitar o desprazer, desconforto, etc. o que equivale a dizer que é impulsionado por necessidades, desejos, objetivos.
Já é bem conhecida a Pirâmide de Maslow que classifica as necessidades humanas numa escala ascendente começando pelas mais básicas ou fisiológicas. A seguir, a necessidade de segurança, após a de afiliação ou participação, no quarto nível vem a necessidade de autoestima, prestígio e finalizando vem a necessidade de autorrealização.
Analisando esta pirâmide percebemos que a partir do terceiro nível algumas variáveis determinam diferenças entre as pessoas quanto à existência ou não da necessidade. Por ex: uma pessoa que mal ganha o suficiente para se manter dificilmente irá se motivar para a autorrealização (que pressupõe já estarem satisfeitas as necessidades dos níveis anteriores).
As necessidades variam conforme o país em que a pessoa vive, sua escolaridade, nível socioeconômico, capacidade cognitiva, questões emocionais, etc.
Vejam que interessantes as conclusões a que Maslow chegou quanto aos indivíduos auto-realizados:
- Percebem a realidade de modo preciso;
- Aceitam-se a si próprios, aos outros e ao mundo;
- São espontâneos e despretensiosos;
- Centram-se mais nos problemas do que em si próprios;
- Valorizam a solidão;
- São autônomos;
- Reagem com respeito aos mistérios da vida;
- Têm experiências fortes;
- Identificam-se com a Humanidade;
- Têm relativamente poucos amigos, mas os levam a sério;
- Partilham valores democráticos;
- Têm um forte sentido ético;
- Têm sentido de humor sem hostilidade;
- São criativos;
- Resistem à enculturação.
Murray, psicólogo americano, também se dedicou ao estudo das necessidades humanas e estabeleceu a seguinte lista:
- Submissão
- Realização
- Afiliação
- Agressão
- Autonomia
- Contra-reação (vencer pelo esforço próprio)
- Defesa
- Deferência
- Domínio
- Exibição (causar boa impressão)
- Autodefesa física
- Autodefesa psíquica
- Altruísmo
- Ordem
- Entretenimento
- Rejeição (afastar-se de algo negativo)
- Sensibilidade
- Sexo
- Apoio
- Conhecimento
- Aquisição
- Retenção
- Construção
- Cuidar
- Ser cuidado
- Brincar
Ultimamente, os teóricos, que estão sempre pesquisando, fizeram descobertas significativas sobre a motivação. Ex:
“Em experimentos que uniram ressonância magnética, exames de neurorradiologia e mapeamento de ondas cerebrais, o professor de psicologia da Universidade de Michigan Kent Berridge fez o achado mais significativo dos últimos 50 anos sobre nossa motivação. Ele descobriu que nosso cérebro tem dois sistemas de recompensa — um que nos leva a querer e outro que nos leva a gostar. Costuma ser uma operação conjunta: sua mente sente vontade de alguma coisa e, depois, prazer por conquistá-la. Essa venda casada sempre ocultou o fato de termos dois sistemas diferentes — mas que podem ser flagrados quando não estão em sintonia. Quando se usam drogas ou em situações de ansiedade e estresse, o “querer” é turbinado e provoca a busca de uma recompensa mesmo que você não esteja tão a fim dela. Ou seja, você se motiva para conseguir algo que quer, mas não gosta.
Essa descoberta explica, na pressão do vestibular, alguém gostar de arquitetura mas estar cheio de gás para fazer medicina. Explica por que aquele emprego pelo qual você lutou é decepcionante de uma maneira que você nem sabe explicar, depois que conseguiu a vaga. E por que nenhuma empresa faliu seguindo o consagrado esquema de recompensas e punições: afinal, o cérebro dos funcionários quer esse esquema, só não parou para pensar se gosta dele.” (http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI236569-17773,00-O+QUE+NOS+MOTIVA.html)
Nos ambientes corporativos, cada vez mais está se valorizando o empowerment, a autonomia e a independência dos funcionários para mantê-los motivados e assim assegurar boa produtividade. Mas que fique bem claro: ninguém motiva ninguém. Não existe heteromotivação e sim automotivação. O que se pode fazer é criar condições que propiciam a automotivação.
Finalizando, assistam ao vídeo a seguir porque o mesmo é bem esclarecedor e muito didático.
Imagem: pt.wikipedia.org
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