"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

quarta-feira, 7 de março de 2012

Você está disposto a abrir mão de ... pela sustentabilidade do planeta?

onda verde

Encontrei esta pérola de texto e compartilho com vocês para darem uma pensadinha ... rsrs

Na fila do mercado o caixa diz a uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram bem-vindos ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Realmente, meu filho, não havia essa onda verde no meu tempo. ”O empregado então respondeu: “Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente”. A senhora foi embora e eu sai dali matutando no que tinha ouvido.

E cheguei a conclusão que a coisa não era bem assim como o rapaz pensava. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerantes e cerveja eram devolvidas à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes do reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas dezenas ou centenas de vezes, sei lá.

E hoje o que se vê são milhares e milhares de latinhas de cerveja e refrigerante entupindo bueiros e degradando rios e mares e levando centenas de anos para se decompor e até que isso aconteça causando mortes e toda sorte de tragédias nas famílias (está inserido aí o astronômico consumo de álcool da atual geração).

Realmente, a geração da senhora não se preocupava com o meio ambiente. Subia-se as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e escritórios, movimentando o corpo, e não esperava-se o elevador, como a maioria dos jovens faz, no colégio ou no prédio onde mora, para ir do térreo ao primeiro andar. Caminhava-se até o comércio, ao invés de se usar o carro de 300 cavalos de potência, cada vez que se precisa ir à padaria da esquina.

O rapaz estava certo, a geração da senhora não se preocupou com o meio ambiente. Até então, as fraldas eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis (descartáveis apenas no nome, pois também levam décadas para se degradar).

Roupas secas: a secagem era feita não nessas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica (energias puras) é que realmente secavam as roupas que tinham sido antes dos irmãos mais velhos e não roupas compradas apenas pela febre do consumismo desenfreado.

Mas é verdade, não havia preocupação com o meio ambiente no passado. Naquela época, tinha-se somente uma TV ou rádio em casa e não uma TV e tantas parafernálias eletrônicas em cada cômodo da casa, gerando, para isso, um imenso consumo de energia.

Energia essa que para ser obtida irá produzir desmatamento, ruptura do equilíbrio ecológico, desvio de rios (basta ver o que acontece hoje em Belo Monte), extinção de animais e poluição da atmosfera num ciclo infinito (veja a tragédia da Usina Nucelar de Fukushima no Japão e a de Chernobyl, na Rússia).

E toda essa parafernália, com materiais altamente poluentes, onde será depositada, depois que estragar? Até quando a terra aguentará abrigar em seu seio tanto lixo? Na cozinha, batia-se tudo com as mãos, pois não havia aparelhos elétricos, que fazem esse processo como agora. Quando embalava-se um pacote frágil para o correio, usava-se jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets como hoje, que duram cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos, não se usava motor à gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama movimentado pelos músculos. O exercício era extraordinário e não se precisava ir a uma academia e usar esteiras que também consomem energia (e nem vou falar nos anabolizantes).

E já que falei em anabolizantes, nem vou dizer que no tempo de juventude daquela doce senhora seus amigos não se utilizavam de cocaína, maconha, ecxtasy, heroína, crack, anfetaminas, LSD e por ai vai. Porque eram mais resolvidos consigo mesmo e não precisavam da proteção da droga para poder enfrentarem o mundo.

Mas você, meu rapaz, tem razão: não havia preocupação com o meio ambiente. Bebia-se diretamente da fonte, quando vinha a sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos e rios e somente se acabarão lá pelo ano (pasmem) 2400. Afiava-se a navalha, as tesouras e as facas, ao invés de jogá-las fora como hoje, só porque ficam sem corte, ajudando a aumentar os aterros sanitários com seus materiais plásticos poluentes.

As comidas eram naturais e sabia-se de onde vinha, não como hoje repletas de agrotóxicos, substâncias químicas e sal, contribuindo para o alto índice de colesterol e obesidade infantis, sem contar a desgraça dos refrigerantes e os alimentos geneticamente modificados.

Bem, meu caro rapaz, eu poderia ficar aqui citando exemplos que não acabam mais, no entanto, cansaria o leitor e contribuiria para o desconvívio familiar e a desagregação das relações interpessoais, pois no tempo da sublime senhora conversava-se, interagia-se, prosava-se, estreitava-se os laços de amizade e afeto cara-a-cara, pessoalmente, prazerosamente.

E não se vivia o tempo do silêncio familiar, da distância entre pais e filhos, entre marido e mulher, cada um preocupado com sua novela, seu filme, seu facebook, twiter, orkut e todas essas rede sociais.

Os jovens exercitavam os músculos do cérebro porque precisavam estudar e não tinham tudo de mão beijada dado pelo Google. E o resultado são esses milhões de jovens alienados e analfabetos mentais circulando por aí. Realmente, a senhora estava errada, quem dera que você também pudesse errar como ela e ouvisse do seu filho um dia a frase: “Pô, pai, como era bom viver no seu tempo. Você sim era maneiro e tirava onda, a onda era verde, pai, não era essa onda preta de hoje”. Naquele tempo...

Ludmila Stuart - Jornalista

Fonte: jornalsobretudo.com

Este blog foi criado para você, leitor. E só saberei se você está satisfeito se comentar os posts, ou então, pergunte, questione e sugira temas ou modificações.

20 comentários:

José S. Pereira disse...

É Atena. Quando a riqueza fez mal. Ou melhor, a ostentação e o descontrole.

No meu tempo, lembro dessas coisas todas. E também dos sacos de papel no mercado. Ninguém fazia compras para o mês (coisa americana demais), não existiam os hipermercados, nem nada disso.

Bom, as vezes, fico imaginando as tribos de indígenas, quando chegaram os colonizadores brancos. Bugigangas, brinquedinhos, moral, Deus, pecados e virtudes... E de repente, a mata desmatada, os animais caçados e os peixes pescados além da necessidade, a cachaça consumida e o suicídio.

Amiga, a geração dos anos 80 foi meio indígena também. E adotaram um padrão de vida insano, vendido por colonizadores do mercantilismo.

Fiz um novo perfil (loucura por causa de mais uma briga pelo ranking e que me inspirou a rir um pouco), que me recriei como personagem fake do Zé, remetido aos ano 70. E na vida REAL. Nossa, to desenvolvendo os post e rindo muito, lembrando daquele mundo. Ele era redondo. Tinha muita coisa ruim. Mas a doideira era menor. Tinha a realidade para equilibrar as coisas.

Beijos

Blog Teia disse...

Olá Atena
Realmente nossa geração não se preocupou muito com nosso meio ambiente mas acredito que ainda dá tempo de reverter essa situação,é só cada um fazer sua parte.
Post divulgado no blog Teia.
Até mais

Atena disse...

Alfredo:
Sempre é tempo, basta haver consciência, não é?
Obrigada e abraços

Atena disse...

José, meu escritor preferido, rsrs
Então não somos saudosistas?
Às vezes acho que sou. Mas..... cheia de razão! rsrs
O que mais me deixa triste e também penalizada dessas novas gerações é que não foi só o consumismo exacerbado que chegou, foi também a solidão, a violência, os desencontros afetivos e por aí vai.
E também a incoerência, como o texto mostra, pois fala-se tanto em sustentabilidade, mas ninguém quer abrir mão dos excessos (principalmente tecnológicos) que lhes são tão caros. Já postei sobre isso aqui.
Gracias pela visita e beijos

Luísa L. disse...

Olá Atena!

Apesar de ainda não ser tão velhinha assim, ainda me recordo de algumas coisas e hábitos do tempo dessa senhora. Curioso, lembrei-me do estendal do meu quintal, cheio de fraldas branquinhas da minha irmã recém nascida! E o leite... era eu que o ia buscar, numa vasilha própria, a casa da leiteira, Dª Rosa.

Na verdade o rapaz tem razão, os meus pais e eu própria não nos preocupávamos com a ecologia... simplesmente porque não era necessário!

Beijos!

Beth Muniz disse...

Tenho cá as minhas dúvidas sobre se a atual geração se preocupa mesmo com o meio ambiente, mais que as gerações anteriores.
Os motivos: os relacionados por você.
Outro dia me perguntaram se eu não ia trocar o meu carro por um novo. Afinal, hoje se deve trocar de carro todos os anos, nem que para isto se entupa de dívidas. Pode?!
O que respondi? Nada! Não perco o meu tempo com perguntas imbecis e invasivas, de pessoas idiotas.. kakakaka
Beijo Atena.

Atena disse...

Cara Luisa:
Acertou na mosca! Embora não se tivesse todo o conforto e facilidades atuais (não abro mão de uma máquina de lavar roupas rs)a gente poluía muitíssimo menos o planeta. E a mente também. rsrs
Já que você falou no leite, lembro que quando criança a gente recebia o leiteiro na porta de casa. Levávamos a ele nossa vasilha e ele despejava o leite da sua (com capacidade de 1 litro).
Não havia embalagens a descartar e com a vantagem do leite ser de verdade - da vaca. rsrs Não essa água leitosa que se compra atualmente nas embalagens pack e outras.
Beijos

Atena disse...

Beth:
Concordo com você, tenho minhas dúvidas também. Acho que os atos não condizem com os discursos.
O problema é que o ser humano vicia muito facilmente no que é prazeroso. Aí fica difícil pedir para essa moçada atual desistir dos seus dois celulares (ficar só com um) e quatro ou mais TVs em casa.
Eu sempre tive só um aparelho de TV em casa. Às vezes a gurizada reclamava, mas havia a vantagem, ausente atualmente, da família assistir TV reunida. Tempos em que a família ERA a célula mater da sociedade. Aff!
beijos, querida

Cidadão Araçatuba disse...

Poluia-se também no tempo da velha senhora.
Talvez mais pela falta de informação do que pela ganância.
Se toda essa tecnologia desagrega, desinforma e faz aumentar a poluição quanto tempo seria necessário para divulgar um bom texto como esse à moda antiga? O que precisamos mudar diante de tanta tecnologia Atena á o BIOS. Bicho Ignorante que Opera o Sistema rs...
Grande Abraço obrigado por compartilhar esse ótimo texto.
Abração!

Atena disse...

Cidadão:
Está perfeita a sua colocação. Eu sou fã da tecnologia, não é ela que polui o planeta, mas seu mau uso e mau descarte.
Ah, valeu a gargalhada que me proporcionou com sua Bios.
beijos

MARIANGELA BARRETO disse...

Oi Atena,

texto maravilhoso, reportou-me antigas lembranças de uma época onde tudo funcionava sem a teia tecnologica e seus paradoxos..
Fui criada no interior,não tinhamos supermercados,
comprávamos os alimentos nos pequenos comercios d bairro, o frango era criado no quintal,tinhamos ovos e horta,pois é!que diferença dos tempos atuais!!realmente não havia esta preocupação frenetica com o meio ambiente, mas não havia desperdicio, nem destruição da natureza,pelo contrario. Gradativamente,a partir de algum momento tudo mudou, o mundo mudou...e chegamos a situação atual onde o avanço tecnologico é fantástico,mas temos mazelas humanas da pior espécie...
pois é isso, amiga.."assim caminha a humanidade"!!!
beijão enorme!

Atena disse...

Oi, Mariangela:
quando li este texto também lembrei-me da minha infância, quando o leite chegava, com o leiteiro, na porta da gente. rsrs
Sou fã da tecnologia, principalmente para o serviço doméstico ela ajudou muito às mulheres. O problema são os abusos e maus usos.
É, assim caminha a humanidade, aos trancos e barrancos. rsrs
beijocas mil

Anônimo disse...

Fico feliz que seu blog está em constante evolução .

Atena disse...

Anônimo:
Agradeço a gentileza.
Da próxima vez deixe seu nome ou nickname se quiser.

Yolanda Hollaender disse...

Nossos avós já diziam que na época deles tudo era diferente...
Penso que tudo era mais difícil e sacrificado, porém os valores eram outros - o respeito e a honestidade eram genuínos.
Nossos jovens têm tudo para serem felizes, mas formam suas "tribos" e vivem em seus mundinhos fechados...
Mas, como em tudo há esperança, ainda acredito num mundo melhor.
Meu forte abraço,
Yolanda

Atena disse...

Yolanda:
Minha querida, era tudo mais difícil mesmo, mas a vida também era mais saudável.
Como você, acredito que estamos caminhando para um mundo melhor. Devagar, mas sempre. rsrs
beijos e obrigada pela visita

Vera Alvarenga ... disse...

Ah! eu me lembro sim, das garrafas de vidro do leite na casa dos meus pais.E da feira livre na esquina.Do carrinho de feira inclusive.Meus filhos usavam fraldas de pano, mas acho bom demais as que vieram descartáveis e pude comprar para o mais novo, só para viagens (artigo de luxo!). Sou prática, gosto das facilidades sim, mas o grande perigo é a gente vender a alma ao diabo e ficar com tempo livre demais para sentir solidão. No meu tempo de adolescente eu e meu pai às vezes conversávamos sobre fantásticas viagens para o centro da terra. Hoje, a gente viaja pra lá, cada um no seu computador, mas não temos tempo de compartilhar a aventura da viagem.
Adorei este texto! Gosto muito do que facilita a vida das mulheres, dos homens, pena é que tudo e todos se tornaram descartáveis demais. Beijos.Vera.

Atena disse...

Eu também sou a favor de tudo o que facilita a nossa vida.
O problema, em quase tudo é assim, está no exagero e/ou descontrole.
Viva a tecnologia, desde que bem usada.
Obrigada pela visita e beijos

Sissym disse...

Querida amiga, eu vim lhe parabenizar porque hoje é o Dia do Blogueiro! E com isso eu tive a oportunidade de conhecer voce.
Tudo de bom! Eu desejo sucesso com este seu lindo trabalho.

Beijocas

Atena disse...

Fadinha linda:
Muitíssimo obrigada.Para mim também foi um prazer conhecer você.
eu nem estava sabendo que hoje é o nosso dia, estava tão envolvida com outros assuntos...
beijos