"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Quem é responsável pela vida do povo?

povo unido

Há muito tempo atrás o ser humano resolveu se organizar na forma de Estado. A partir daí as pessoas abdicaram do seu poder individual e o delegaram a um grupo que passou a decidir por elas; rei e seus assessores, presidente e ministros, parlamentares, etc.

Leis, regras e normas foram criadas para todos por somente alguns. E assim vivemos até hoje, alguns mandando em todos.

Bem, dirão vocês, mas isso é necessário, do contrário teríamos a anarquia.

Concordo porque esta é a realidade num mundo onde a maioria das pessoas não tem consciência.

O grande problema é que quando as pessoas não assumem a responsabilidade, simplesmente deixando que o Estado resolva tudo, esse tipo de conformismo acaba se voltando contra a própria população.

Na Espanha, por exemplo, está havendo suicídios, despejos, muita gente mal tendo o que comer com o desemprego atingindo mais de 27% da população.

Nos USA há um grupo de magnatas que comanda o país desde o início do século 20 e que é o responsável pelo aumento dos impostos desde que criaram o Federal Reserve.

Na China, existe o trabalho praticamente escravo, não há também a possibilidade de manifestar-se contra o governo sem ir para a prisão.

Aqui no Brasil, ocupamos o 85° lugar no ranking de desenvolvimento humano, precisamos de infraestrutura nos mais diversos setores, há desvio do dinheiro público desde o tempo do império...

Isso tudo é apenas uma pequeníssima amostra de todos os problemas que a humanidade enfrenta ao redor do planeta por deixar a cargo dos governos (Estado) o timão de suas vidas.

Da população total do planeta talvez não chegue a 10% o número de indivíduos que tem consciência do que acontece pelo mundo, que quando necessário vão às ruas ou à internet fazer manifestações, que enfim fazem alguma coisa para mudar o status quo.

A grande maioria está preocupada apenas com o que acontece consigo mesma e com a família. Por exemplo, aqui no Brasil, que é onde conheço melhor a situação, quantos são os que cobram atitudes de vereadores, deputados ou senadores que ajudaram a eleger?

O que fazem após um dia de trabalho? Vão tomar cerveja em algum bar ou se emburrecer assistindo televisão.

Se eu perguntar a 100 jovens quem é Luciana Gimenez sei que todos saberão responder, mas se eu perguntar quem é Christine Lagarde, figura vital para as finanças do país, quantos saberão?

O ser humano acostumou-se tanto a delegar que perdeu de vista a força e o poder que tem o povo unido.

Essa alienação do povo com respeito às atitudes do Estado deve-se principalmente a dois motivos: ignorância, com a consequente falta de consciência.

Vou lhes dar um exemplo de sobre o que estou falando: há pouco tempo, a Islândia deu demonstração do poder do povo.

Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320 mil habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.

Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu PIB (Produto Interno Bruto). O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.

A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades – pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendo e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres. (http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/25002/o+plebiscito+islandes+e+os+silencios+da+midia.shtml )

Após esse referendo a população também exigiu fazer uma nova Constituição a ser elaborada por 25 cidadãos que não tivessem nenhuma atividade partidária. O que foi feito. Durante a redação qualquer cidadão podia dar sugestões ou propor mudanças por meio da internet.

Vocês viram esta notícia na mídia? Eu não. Tomei conhecimento dela há poucos dias (a notícia é de 2010) através de um programa especial na TV.

Em um mundo onde o povo abriu mão de suas responsabilidades, a mídia ´”deita e rola” desinformando mais que informando.

Esse é um exemplo de um povo consciente e atuante. Não adianta só reclamar e falar mal dos governos, é preciso fazer alguma coisa. Isso é realmente democracia ao invés da plutocracia que existe.

Acordem. Os governos de todos os países, ou quase todos, estão nas mãos dos banqueiros, portanto suas decisões serão sempre comprometidas, o povo que se dane!

Veja, na imagem abaixo, a quantas anda a dívida/Brasil, sendo que boa parte dela é de juros e amortizações com os bancos internacionais.

clip_image002

Fonte: www.auditoriacidada.org.br/

E você o que pensa a respeito?

Imagem: robertoalmeidacsc.blogspot.com

Este blog foi criado para você, leitor. E só saberei se você está satisfeito se comentar os posts, ou então, pergunte, questione e sugira temas ou modificações.

7 comentários:

Gabriel Correia disse...

Atena, excelente post. a questão da organização social é um tema urgente e se notar, tem um pouco haver com sua ultima postagem. Perceba que em um clima de radicalismo é impossível se obter um ambiente de organização social. Se pensar em termos de Brasil, que é uma um país muito heterogenio, o radicalismo é fonte grande confusão. A Islândia é um país totalmente diverso do nosso em todos os sentidos, mas a essência da ideia pode ser aproveitada, vai demandar um esforço muito maior e se dar de uma forma própria. Que por hora é difícil de imaginar.
Mas deixa o povo reclamar que ainda é um sopro de vida.

Atena disse...

Sim, Gabriel, na Islândia o povo é bem diferente de nós, mais culto e mais politizado pelo jeito. Contudo não custa tentarmos, não é? Claro que aqui dará mais trabalho conscientizar o povo porque há muita ignorância, mas...
Não concordo com deixar reclamar, rsrs isso não leva a nada.
abraços, amigo

Eduardo Buchs disse...

Estamos 500 anos atrasados só isso.

Atena disse...

Eduardo:
Tudo isso? rsrs

Portal Teia disse...

Oi Atena.
Postagem divulgada no Portal Teia.
Os novos pedidos de divulgação devem ser feitos já no nosso novo endereço, o endereço antigo será desativado no final do mês.
Até mais Atena

http://www.portalteia.com/

Blogueiros do Brasil disse...

Orgulhosamente programei uma 'chamada' para este ótimo artigo no site agregador de conteúdo dos Blogueiros do Brasil (( http://omelhordos.blogueirosdobrasil.com/ )).

Será publicado em 15/05/2013 , no decorrer do dia.

IMPORTANTE : As visitas aparecerão no
Google Analytics e em outras ferramentas
similares como originadas na URL
http://ads.tt/ .


Abraços cordiais.

Atena disse...

Obrigada, Blogueiros.
abraços