"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Educação Proibida

educação

Este é o nome de um projeto que já está se desenrolando sob a forma de vídeos (entrevista com especialistas das áreas de educação e desenvolvimento humano) propondo uma mudança na Educação.

Confesso que fiquei encantada aos assistir aos vídeos e ouvir tantas pessoas verbalizando tudo o que penso há anos a respeito da Educação (entenda-se educação formal, a propiciada pelas escolas).

Alguns livros foram agentes de mudanças em minha vida e um deles, lido na década de 80, me trouxe uma paixão por um assunto que até então se encontrava latente em minha consciência: mudança na forma arcaica e incompetente da educação formal. Este livro é A Conspiração Aquariana, de Marilyn Ferguson. Nele eu encontrei idéias que já povoavam minha mente de forma difusa e que no livro estavam explicitadas de forma coerente.

A educação formal está baseada em premissas antigas totalmente em desacordo com os tempos atuais e, principalmente, não valorizando o sujeito de sua existência: o aluno.

Quando cursava o segundo grau me perguntava o que faria eu, futuramente, com logaritmos porque já tinha noção que as ciências exatas não eram a “minha praia”. rsrs Assim também se perguntavam algumas colegas para que serviam as aulas de desenho artístico se elas não tinham o mínimo jeito para a coisa e não gostavam do que aprendiam. E assim é toda a educação formal: recheada de conteúdos que jamais nos servirão futuramente e padronizada para todos, ignorando o simples fato de que cada um tem aptidões e vocações diferentes.

A escola nunca formou, e assim continua, para a vida prática, a vida do dia a dia. Ao término do 2° grau, a não ser que tenham feito por onde às suas próprias custas, os jovens não sabem fazer nada, não estão preparados para se encaixar no mercado de trabalho e, atualmente, nem falar ou escrever direito eles sabem.

No nosso país, as empresas estão enfrentando sérias dificuldades com mão de obra qualificada e isso deve-se exclusivamente à educação recebida pelos jovens.

E quanto ao sistema de avaliação? É efetivo? Avaliações por pontos ou conceitos arbitrários? Tenho sérias dúvidas a respeito.

Vou dar um exemplo que reflete como as coisas realmente acontecem: no meu histórico escolar constam muitas notas baixas e inclusive uma nota zero em Matemática e depois, na faculdade, tirei mais de uma nota 10, fazendo média final de 9,5. Afinal, o que reflete a realidade de meu aprendizado em Matemática, o zero ou o dez? Nem um nem outro. Continuo uma “analfabeta” nesta matéria, o que aconteceu foi que antes de chegar à faculdade eu nunca tinha tido um professor que realmente explicasse as minhas dúvidas. Eu passava horas intermináveis decorando fórmulas ininteligíveis que depois aplicava nas questões das provas, sem ter a mínima idéia do que eu estava fazendo nem para o que servia aquilo. Aff!!!

Precisamos de uma Educação que leve em conta as diferenças individuais e que tenha um currículo flexível e não engessado, pois não adianta querer enfiar goela abaixo ciências exatas, por exemplo, na cabeça de alguém que não tem essa aptidão e que futuramente não irá seguir carreira nessa área.

Na medida em que se adequar o estudo ao interesse e aptidões dos alunos teremos maior e melhor aprendizagem, alunos mais motivados e contentes em estudar, sentindo que estão aprendendo alguma coisa que lhes será útil mais tarde.

Os especialistas ouvidos nos vídeos dizem que a Educação, como a conhecemos:

- Parte do pressuposto que o professor - o que sabe, deve encher ou preencher de conhecimentos os que não sabem - os alunos.

- Sufoca as crianças com demasiadas horas sentadas em sala de aula.

- O ensino fundamentado em competição (notas, graus, conceitos) ou competências: separa, divide, cria conflitos.

- Há ensinadores, não – educadores.

- Não há democracia, flexibilidade, comunicação, liberdade, igualdade, unidade, confiança, evolução, diversidade, amor, vivências, autonomia, integração, compreensão.

O Projeto Educação Proibida propõe, entre outras coisas:

- Ensinar as crianças a serem solidárias, cooperativas, integradas.

- Envolver a emoção, o como o aluno se sente aprendendo ou estudando.

- Enxergar o aluno não como receptor de conteúdos e sim como ser humano.

- A Educação tem que se adaptar às mudanças que estão acontecendo no planeta (sociais, tecnológicas, etc.).

- Revisar tudo o que não nos acrescentou na nossa Educação.

- O aluno deve sentir-se construtor da própria vida.

- Promover o desenvolvimento de uma educação integral que respeite os processos de desenvolvimento e seja centrada no aluno.

- Comunicar aos jovens, pais e docentes sobre a importância que tem a educação nas nossas vidas e fomentar mudanças de consciência sobre as formas de educar.

Enfim, é um projeto fantástico e torço para que seja difundido o mais rápido possível, pois as novas crianças são diferentes e não aceitam mais este ensino arcaico, chato e desmotivador que existe.

Leia mais na barra lateral.

Imagem: pertencente ao vídeo La Educación Prohibida

Este blog foi criado para você, leitor. E só saberei se você está satisfeito se comentar os posts, ou então, pergunte, questione e sugira temas ou modificações.

6 comentários:

José S. Pereira disse...

É um desafio e tanto. Primeiro, pela complexidade do assunto. E, pior ainda, pela resistência encontrada na área. Por mais paradoxal que possa parecer, educadores (mal formados) são opositores ferrenhos e qualquer mudança proposta, já que implicaria em que eles próprios sentassem no banco de alunos novamente. E isso assusta.

Mas será inevitável, em algum ponto dessa trajetória, uma sensível mudança de rumos. Não é preciso esperar mais décadas para sabermos o quanto capengamos nessa área.

Abraços

Atena disse...

José:
Não é que você tem razão? Já notei também como os educadores são resistentes. É, pode ser insegurança ... Também noto isso em cientistas em geral.
Aceitar o novo é difícil para muitos, precisa haver muita segurança de quem se é.
Espero que esteja com a razão ao dizer que é inevitável a mudança. I hope so.
abraços

Cidadão Araçatuba disse...

Projeto fantástico pela forma como você expôs, irei conhecê-lo pelo link colocado.
Penso da mesma forma, chegando a me perguntar várias vezes, A educação no Brasil forma ou deforma?
Mas sabe Atena, a EDUCAÇÃO formal tiraria a graninha dos parlamentares,ministros,diretores,etc.
As pessoas educadas pelas suas habilidades,(que seria o ideal) e mesmo pelas suas inteligências (emocional,espacial, etc...) ficariam mais aptas a perceber e enxergar o "jogo de cartas marcadas", você não acha?
Grande Abraço e obrigado por compartilhar.

Atena disse...

Cidadão:
Estou sempre repetindo que o maior mal da humanidade é a ignorância. Só que, como você disse, quem é mais educado e mais informado adquire condições de enxergar as mutretas e os desmandos.
O que a humanidade precisa é aumentar a consciência sobre os desmandos dos governos, sejam federais, estaduais ou municipais.
Um povo culto não aceitaria o que acontece em sua cidade, por exemplo.
Obrigada apela participação.
abraços

MAURICIO DE OLIVEIRA disse...

nâo é um comentário, é um desafio, represento uma assossiaçâo de bairro, na minha cidade,Brumadinho MG,vou usar nossa ong(Amosec), para introduzir o projeto protagonista juvenil usando as tecnicas do maravilhoso projeto educaçâo proibida, este é o desafio começo sozinho agora, e formarei um exercito de novos jovens empreendedores e solidários, preciso de mais dados alguém pode me ajudar?email:mauricio.oliveira.biodiversidade@gmail.com

Atena disse...

Mauricio:
Você não faz ideia do contente que fiquei ao ler o que escreveu. É isso!
Alguém precisa começar, por em prática esta maravilhosa ideia de uma educação diferente e sábia. Uma educação que com certeza fará a diferença para o mundo, que trará mais cooperação e não violência.
Visite o blog: http://edupreciso.blogspot.com/
Foi minha contribuição ao projeto.
abraços