"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

domingo, 24 de junho de 2012

Afinal, Deus é masculino? (considerações sobre o equilíbrio)

yin_yang

Definitivamente, não!

Primeiramente porque não é o ser antropomorfizado que nos ensinaram, é uma energia e, ao que tudo indica, uma energia bipolarizada, ou seja, é feminina e masculina, yin e yang.

Sei que todos fomos criados acreditando e aceitando um deus de longas barbas brancas, um ser masculino. Na Bíblia ele é chamado de Senhor e também de Pai.

Por que a bíblia retrata a Fonte de tudo que é como um ser masculino? Porque naquela época já imperava o patriarcalismo.

“Quando vocês pensam no Criador Primordial, o que ou quem vocês imaginam? Na sociedade em que vivem, foi-lhes ensinado que a energia de Deus representa a fonte e que a energia feminina representa o uso ou atividade dessa fonte. Diríamos o contrário: o feminino representa a fonte e o masculino representa como a fonte é usada.” (Terra, Bárbara Marciniak, pg. 130) Em outras palavras, o masculino é como a Fonte se manifesta – a ação (yang).

Afinal, quem é que dá à luz? Não é a mulher ou energia feminina? E não é dito que Deus nos dá à luz?

As pessoas em geral anseiam por um mundo mais pacífico e sem guerras, pois bem, o mundo não vai mudar enquanto predominar a energia masculina. A energia masculina é guerreira, combativa. Por que mais mulheres estão ocupando cargos de comando? Por que uma das pessoas mais poderosas no mundo, na direção do FMI, é uma mulher? Porque a mudança já começou, a energia feminina está lentamente ascendendo para estabelecer o equilíbrio.

A sabedoria milenar chinesa nos diz que em tudo que existe são encontradas energias complementares que se equilibram: o yin e o yang, negativo e positivo.

Durante muito tempo este equilíbrio esteve rompido, com predomínio da energia ou vibração yang. Agora, porque estamos por iniciar um novo ciclo, chegou o momento de equilibrar as polaridades.

Durante muito tempo a mulher esteve submetida ao homem. Não usou ou usou pouco a energia yang contida nela, daí sua passividade. Aqui neste post  falo mais sobre isso.

Durante muito tempo o homem só usou (salvo honrosas exceções) sua energia yang e esqueceu-se da energia feminina da qual ele também é possuidor.

Durante muito tempo homens e mulheres entraram em conflito devido às suas diferenças tão acentuadas (falta de yin nos homens, falta de yang nas mulheres).

A Tradição nos diz que no início, logo após o aparecimento da raça humana no planeta, o ser era andrógino. A própria Bíblia nos dá referência disso no Genesis: “Criou Deus, pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Bom, depois alguém que registrou essa estória, achou que não estava muito bem esclarecida a supremacia do macho e resolveu acrescentar a segunda versão onde a mulher sai da costela do homem. rsrs

“Aristófanes descreve como haveria surgido os diferentes sexos. Havia antes três seres: Andros, Gynos e Androgynos, sendo Andros entidade masculina composta de oito membros e duas cabeças, ambas masculinas, Gynos entidade feminina mas com características semelhantes, e Androgynos composto por metade masculina, metade feminina. Eles não estavam agradando os deuses, que os resolveu separar em dois, para que se tornassem menos poderosos. Seccionado Andros, originaram-se dois homens, que apesar de terem seus corpos agora separados, tinham suas almas ligadas, por isso ainda eram atraídos um pelo outro. O mesmo ocorre com os outros dois. Andros deu origem aos homens homossexuais, Gynos às lésbicas e Androgynos aos heterossexuais..” (Wikipédia)

Interessante essa ideia do Aristófanes. Gostei. rsrs

Claro que homens e mulheres continuarão com suas diferenças, mas à medida que os homens aceitarem e posteriormente se apropriarem de sua parte feminina se tornarão menos combativos e mais sensíveis (o que toda mulher quer). As mulheres, por sua vez, vão parar de encher tanto a paciência dos homens com suas frescurinhas. Quando em equilíbrio de polaridades, homem e mulher são mais capazes de entender melhor ao outro.

Quanto à situação do planeta, haverá mais tolerância, equilíbrio e paz.

Vejam as características de cada polaridade e como a associação de ambas nos torna seres mais completos.

Yin: passivo, noturno, escuro, frio, repouso, receptividade, aceitação, paciência, acolhimento, introspecção, suavidade, sensibilidade, intuição, nutrição, contração.

Yang: ativo, diurno, luminoso, quente, movimento, assertividade, espírito de luta, precisão, clareza, capacidade de tomar iniciativa, conquistar, impulsividade, raciocínio lógico, expansão.

(...) “Quando vocês reconhecem a Deusa, começam a dar valor à vida. Quando valorizam a vida, não superpovoam a Terra e não matam.” (Terra, Barbara Marciniak, pg.133)

Imagem: blamo.shadowness.com

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15 comentários:

Cidadão Araçatuba disse...

Deus é masculino Atena!
Pepeu Gomes estava errado! Rs.. Deus não é menino e menina!Brincadeiras a parte...

A capacidade de sermos e agirmos como somos traz nessese atos, essa energia e se as atitudes forem boas Deus age em nossas vidas.
Nunca pensei nele como velhinho de barba branca, principalmente depois que entendi que nossa vida de finda e que ninguém ainda provou o que acontece depois.
Acho que descobrirei pessoalmente quando chegar a minha vez!
Mas concordo que as mulheres são infinitamente melhores.E seria realmente bom que DEUS fosse menina! Basta observar as mães como muitas delas dão suas vidas pelos filhos, fazem e passam o insuportável para proporcionar a eles tudo de melhor. Quanto a Deus... Depois que descobrir volto para lhe dizer... rs...
Abração!

Atena disse...

Cidadão:
Obrigada pela parte que me toca nos elogios, rsrs mas não acho que as mulheres sejam melhores. Cada um tem seus pontos positivos e negativos. Claro que na parte de proteção as mulheres se destacam porque isso faz parte da energia feminina.
Obrigada pela visita e abração

s.rodrigues disse...

Oi Atena!
Concordo quando diz que a antropomorfização desse ser divino está de acordo com os costumes das sociedades patriarcais.
Lendo o texto linkado, também concordo que o fato de os homens forçarem a submissão das mulheres deveu-se ao medo que tinham de nós, do desconhecido que a mulher representava. Já li estudos que afirmam também que o patriarcalismo deu-se muito em função do acúmulo de posses e da necessidade de definir herdeiros do próprio homem, visto que na época considerada, um suposto matriarcalismo, as mulheres relacionavam-se com mais de um parceiro. A questão de porque a mulher se submeteu, penso que não é impossível de ser explicada em razão da necessidade de garantir a subsistência da prole; além disso, o homem quase sempre recorre ao uso da força (agressão física e sexual)para 'validar' seus argumentos...
Mas, discordo sobre um maior equilíbrio caso viesse a prevalecer uma visão mais feminina de mundo, digamos assim.
Nossa "suavidade', penso, é mais que outra coisa, uma forma de atuação em face da dominação masculina, um recurso a mais.
Sobre Yin e Yang, só vou até a parte em que somos, homens e mulheres, partes complementares de um todo, mas num sentido muito mais fisiológico e biológico.
Mas isso deve ser posto na conta de alguém que não consegue absolutamente pensar em termos de sagrado...
Um abraço e ótima semana para você.

Atena disse...

S.Rodrigues:
Sei de seu ateísmo e não lhe tiro a razão de o ser, portanto jamais vou tentar convencê-la a mudar de opinião. Contudo talvez não me tenha feito entender bem em outro aspecto: eu não quis dizer que a energia feminina deve prevalecer e sim o que deve haver é o equilíbrio entre as duas polaridades. Esse é o caminho.
beijos

Eduardo Medeiros disse...

Atena,

muito bom o texto. As mulheres estão mesmo equilibrando as coisas e isso é de fato, muito bom. Chega de tanta energia testosteroniana no planeta...heee

Deus sempre foi retratado a partir da sociedade humana: Como senhor em sociedades patriarcais, como Deusa em sociedades matriarcais. O equilíbrio é o mais interessante.

Aliás, interessante é que num antigo nome do deus Javé de Israel, "Shaday" traduzido hoje como "todo-poderoso" traz em sua raíz a ideia feminina de "seios", de acolhimento, mas essa significação se perdeu no cristianismo.

Em muitas partes do Antigo Testamento, principalmente nos profetas, Javé é retratado com carcaterísticas femininas, como um deus amoroso e afetuoso, que chora e lamenta pelo distanciamento do seu povo.

Quanto a Deus, eu procuro não dizer que ele é isso ou aquilo, pois estaria limitando-o ao nomeá-lo. Gosto do nome que o deus dos hebreus revelou a Moisés no deserto: "Eu sou o que sou". e zefini...rsss

Olha, te respondi lá no veredas sobre o comentário que fez, depois confere lá.

beijos cheios de energia yin e yang...

Luísa L. disse...

Olá Atena, bom dia!

Independentemente da consideração do conceito "deus" (tu sabes que eu sou um tanto cética), penso que nós, seres humanos, ao longo da evolução, vamos fazendo "deus" à medida das nossas próprias necessidades.

Tempos houve em que os homens e mulheres não tinham necessidade de se afirmar como fémeas ou machos (antes do domínio do patriarcado), daí deus não ter sexo, ou ter dois sexos, porque eram aceites com naturalidade as diferenças morfológicas da espécie humana.

Deus muda de sexo e tem necessidade de afirmação, tanto do ponto de vista masculino como feminino, nos primórdios dos patriarcado. Aí existem deusas aos montes e outros tantos deuses, com funções específicas na nova sociedade que então começava a desenvolver-se: com a sedentarização, as mulheres cuidam das terras, os homens defendem as terras e caçam. Daí que os deuses machos estejam fundamentalmente relacionados com a guerra e derivados e as deusas com a fertilidade (sua própria e da terra). Obviamente há exceções.

Com a chegada das grandes civilizações (desde a Mesopotâmia até à Grécia), deus tem tendência a tornar-se definitivamente macho. Mesmo antes do monoteísmo. Veja-se a adoração do Sol (macho), como deus principal, em diversas civilizações antigas, incluindo o antigo Egipto a dada altura da História.

Depois com as religiões Abraamicas, ele torna-se definitivamente macho. O patriarcado está implantado e é necessário adaptar deus e os deuses às novas necessidades.

Os povos orientais, penso eu (pois não tenho grandes conhecimentos sobre eles), foram menos influenciados pela cultura helénica, daí preservarem um conceito filosófico muito mais equilibrado e natural. Na minha opinião (excluindo a existência ou não de deus, mesmo enquanto "força", pois o tal deus da bíblia é, para mim, uma história idêntica à grega, ou nórdica, ou outra qualquer), homem e mulher são naturalmente diferentes, pois um é macho e outro é fêmea. Eles complementam-se enquanto preservadores da espécie, tal como qualquer ser vivo. São as sociedades, ao longo dos tempos, que foram criando as discriminações e diferenças de contribuição social.

Bem, acho até que me desviei um bocadinho, mas os teus temas são sempre super interessantes!

Beijos!

Luciana disse...

Como sempre muito bom o texto!!

Para tudo é preciso equilíbrio. Se uma energia se sobrepõe a outra o resultado nunca será satisfatorio.

Eu sempre lembro do pathwork pois tem uma canalização que fala sobre esse equilibrio que para que qualquer ação de certo é preciso um equilibrio entre o masculino e o feminino.

è preciso o feminino na hora da inspiração, digamos assim.. e o masculino na hora de materializar a coisa.. Não sei se expliquei direito.. mas é mais ou menos isso..

Atena disse...

Edu:
Concordo com o que disse sobre o deus vulgar representar as sociedades humanas.
Também concordo com o Eu sou o que sou, esse é o "meu" Criador (não gosto do termo deus).
Continuo aprendendo com você sobre as escrituras, interessante o que disse sobre a palavra shaday. Realmente os textos que compõem a bíblia foram muito deturpados.
abração, meu caro

Atena disse...

Luisa:
Bom, eu penso assim, como tudo que existe é energia, se existe um Criador ele, necessariamente, também será energia e como tal terá ambas as polaridades.

Sim, vamos construindo deuses à medida de nossas necessidades, o que considero deveras interessante. rsrs Todavia houve uma época da história humana quando os deuses eram “de carne e osso” (com a quantidade de evidências arqueológicas sobre os extraterrestres é impossível negar a passada deles por aqui) e ditavam suas própria regras.

Quanto ao deus do A.T. considero-o abominável, cruel e sanguinário e já lhe disse quem eu acho que ele era. rsrs

Do pouco que sei sobre os deuses orientais, também encontrei machismo, embora não tanto quanto nas crenças judaico cristãs.

Que bom que os textos daqui lhe são interessantes. Agradeço o apoio.
Beijos

Atena disse...

Luciana, minha florzinha, que bom vê-la por aqui.
Você entendeu corretamente sim, ao inspirar estamos inalando a Fonte, o Tudo que É e ao expirarmos manifestamos a, ação, como falei no texto.
beijos

Sissym disse...

Atena, não sei se fui educada, religiosamente, sentindo, percebendo e acreditando que Ele seja de ordem masculina. Acontece que Deus pode ser a Deusa tambem. Quando cresci, passei a ver assim. Por isso, Ele pode ser Yin ou Yang.

Beijos

Atena disse...

Fadinha:
Que bom que você consegue ver os dois aspectos da Divindade, isso é para poucos.
beijos e obrigada pela visita

Blog Teia disse...

OI Atena.
Post divulgado no agregador Teia.
Até mais

Gabriel Correia disse...

Oi Atena, Estou eu aqui novamente para encher sua bola. Sinceramente seu blog, posts e pasmem com comentários, e bons, são uma grata surpresa para mim, blogueiro novato que se angustiou com o vazio da blogosfera. quero deixar claro não tenho nada contra nada, mas um pouquinho de vida inteligente também é legal. poxa pelo amor da mãe do guarda...aleluia. Um abração.

Atena disse...

Gabriel;
Você é ótimo.rsrs
Eu também fico pasma com o vazio e as baboseiras que há não só na blogosfera, mas na web em geral.
Sou de um tempo em que na escola a gente aprendia a pensar, daí este blog ser pensante e procurando estimular a reflexão.
abraços e volte sempre