"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

domingo, 11 de julho de 2010

O primeiro encontro

Após um post sobre assunto tão espinhoso e controverso, hoje vamos falar de coisas mais zen.
 montanha
Imagine você no alto de uma montanha, sentado numa grande pedra. O panorama descortinado é lindíssimo. A vista alcança muitos quilômetros de verde entremeado por outras cores da luxuriante natureza. O céu está de um azul profundo adornado por muitas nuvens brancas.
Você está encantado olhando toda aquela beleza quando ouve a voz da pessoa que está ao seu lado: “Feche os olhos. Respire fundo”
Você obedece.
Com os olhos fechados, sente o odor da mata em volta e ouve a algaravia dos pássaros. Tudo é paz.
A voz fala novamente: “Você se entrega ao serviço do Espírito? Sem medo e sem restrições?”
Imediatamente você responde mentalmente: “Sim”.
Então uma profunda emoção toma conta de todo seu ser e com os olhos da mente você vê uma luz fortíssima, branca, brilhante sair de todo o seu corpo e se projetar para fora em todas as direções. Você parece uma estrela brilhando!
A voz ao seu lado diz ternamente: “Expanda essa luz, faça-a alcançar todo o planeta.”
E como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem refletir sobre o pedido, você o faz, sem saber como. Sua luz começa a expandir, você vê os raios se alongando mais e mais até atingirem a linha do horizonte e você sabe que seus raios de luz estão banhando a Terra toda.
O amor que você sempre sentiu pelo planeta, neste momento, cresce tanto dentro do seu peito que o ar custa a entrar. Sua respiração fica difícil.
O mental, esse velho corta-barato se manifesta: “O que é isso? O que está acontecendo?” Mas uma outra voz dentro de você fala: “Não importa, é maravilhoso!”
Não se sabe quanto tempo durou esse momento de luz, de paz e de tanto amor. Provavelmente poucos minutos.
Você e sua acompanhante, após mais alguns minutos, levantam e começam a descer a montanha até onde ficou o automóvel que serviu de ajuda na subida.
Você não sente seus pés tocando o chão, está estupidificado. Não entende o que aconteceu, mas os sentimentos de paz e alegria são tão grandes que não importa, nada é tão importante quanto tais sentimentos.
E aí, amigo/a, você mal sabia que estava começando uma jornada que duraria alguns anos – a da aceitação de seu Deus interior e depois a da incorporação, que levaria outros tantos anos.
Anos de dor emocional, sofrimento psíquicos e físicos, separações, perdas de seres queridos, angústias mil, dúvidas – ah, quantas dúvidas..., mas ao mesmo tempo quantos episódios de alegria, encantamento, aventura, conhecimento de novos seres, momentos de êxtase (outros encontros como o primeiro), enfim uma vida completa e repleta.
Esta não é uma estória de ficção, ela já aconteceu com muitos que hoje caminham sobre a Terra. Claro que as circunstâncias de cada um foram diferentes. Para alguém o primeiro encontro pode ter sido enquanto tomava banho, para outro enquanto dirigia seu automóvel, para outro, ainda, ao colocar seu pequeno filho no berço para dormir.
Cada um tem sua estória particular, mas com certeza os sentimentos devem ter sido os mesmos.
Sentimentos de paz, amor, alegria, completude e principalmente o sentimento de:
Eu Sou o que Sou.

3 comentários:

Marcos Airosa disse...

Sabe que eu ja fiz isto ( em parte), em Friburgo no Pico da calêdonia. Uma experiência fora de série à 2255 mts vc só escuta o barulho do vento.sensacional. Excelente texto.bjo.

R149 3o75s disse...

Caramba,eu devo ser um "estupidificado" nato, porque vira e mexe,viajo nas paisagens da Pacha Mama,sem contar que gosto de subir nos morros,ver o nascer e o pôr-do-sol e às vezes,me perder sozinho em bosques de eucalipto ou cipreste e consigo ficar extasiado até mesmo em dias nublados e cinzas.No começo do texto,pensei que estava sendo hipnotizado;depois,achei que era alguma técnica de meditação;no final,vi que era só mais um dos meus "comuns" encontros... Que beleza!

Eduardo Medeiros disse...

Olá Atena, tudo bem? Você comentou no blog coletivo da confraria e eu vim conferir seu espaço.

Esse texto demonstra que nós somos seres para a transcendência, mesmo jamais abrindo mão da racionalidade. "Eu sou o que sou"...vou ainda além, eu sou o que você é e nós somos o universo.

Voltarei por aqui.

Querendo me conhecer, estou em

olharotempo.blogspot.com e
saladopensamento.blogspot.com

abraços