"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

sábado, 8 de janeiro de 2011

O drama nosso de cada dia

drama
Por que a humanidade vive em constantes dramas? Conflitos nos relacionamentos, no ambiente de trabalho, com os familiares? Doenças e achaques diversos? Crises financeiras ou existenciais ou espirituais?
Raros são os momentos em que não há um drama acontecendo com alguém,
Como tão bem coloca a Análise Transacional (teoria de personalidade, de Eric Berne), nós usamos jogos psicológicos (um conjunto repetido de transações, não raro enfadonhas, embora plausíveis e com uma motivação oculta) o tempo todo e no meu caminho de expansão da consciência, através dos mestres ascensionados, me foi colocado ser o drama um desses jogos (com a diferença de não ser um jogo transacional, mas um jogo solitário).
Como psicóloga conheço bem do que é capaz a mente humana em matéria de desvarios, mas por alguma defesa inconsciente minha não conseguia aceitar que os nossos dramas, todos eles, fossem mais um dos jogos psicológicos que usamos.
Ficava me perguntando: quer dizer que procuramos o sofrimento, que vamos ao encontro dele? Eu, pessoalmente, odeio sofrer, é algo que me irrita profundamente, então continuava me analisando e procurando ver como eu tinha “criado” ou “atraído” tal ou qual drama pelo qual já tinha passado.
Foram muitos anos de auto-análise e auto-observação constante com momentos de aceitação de minha responsabilidade na criação do drama e outros de negação, negando e/ou projetando minhas mazelas, atribuindo-as a outrem ou circunstâncias externas.
Bom, aos poucos, com o crescimento de minha auto-estima, os dramas foram diminuindo e comecei a notar que, na maior parte do tempo, eu vivia em estado de paz interior, a chamada paz de espírito. Finalmente, então, admiti que meus dramas eram criados ou atraídos por mim mesma. O passo a seguir foi, quando da aproximação de um próximo drama, analisar detidamente o que estava acontecendo e o porquê. E assim o faço até hoje.
Dentre as crenças limitantes que temos, a de que a vida aqui no planeta é um mar de lágrimas, intercalado por momentos bons, é mais uma delas.
É uma crença bem introjetada em nosso psiquismo. As pessoas acham que sofrer faz parte da condição humana.
Outro dia assisti a um exemplo disso num programa televisivo onde ouvi um dos participantes dizer que ter a vida tumultuada e conflituosa é um tipo de paz de espírito. Outro disse que pessoas muito zen, com paz de espírito eram muito chatas de se conviver.
A que cúmulo chega a hipnose humana nessa Matrix em que vivemos! Estar tão acostumados com o drama, o conflito e o negativo que a pessoa fora desse contexto é considerada chata!
Claro, pois o drama acrescenta adrenalina ou como os mestres dizem: “nos faz sentir que estamos vivos”. Eles dizem que criamos o drama para afastar o tédio. E é verdade. Achamos a vida sem graça quando nada de diferente ou excitante acontece e como crianças, que fazem birra para chamar a atenção, criamos dramas para nos entreter já que, por estarmos tão afastados de nossa real e criativa essência, não conseguimos criar conscientemente eventos apaixonantes e excitantes.
A essas alturas sei perfeitamente que alguns de vocês estão sentindo como se tivessem levado um soco no estômago e outros estão balançando a cabeça e pensando: quanta besteira isso tudo, não é assim, mesmo.
Eu sei, já pensei assim também. Já usei de todas as racionalizações (sou boa nisso porque sou inteligente) possíveis e imagináveis.
Não adianta espernear, nós somos os responsáveis por tudo, absolutamente tudo o que acontece conosco, seja porque o manifestamos conscientemente ou, o que é pior, inconscientemente.
Sei que a maioria das pessoas, por não se conhecerem ou por nunca terem feito alguma terapia costumam atribuir a “culpa” de muitas das suas desgraças a fulano, beltrano, ao governo, à má sorte e alguns, religiosos, a atribuem ao “diabo” porque esse ... he he he tem as costas largas ...
Enquanto o ser humano não se conscientizar e aceitar que é o criador de sua realidade continuará sofrendo, não tendo paz de espírito, adoecendo (somatizações), sendo “vítima” e padecendo de todas as mazelas que até hoje caracterizam tão bem a existência humana.
PS. Ah, eu tenho muita paz de espírito, raramente surge algo com cara de drama na minha vida (logo analisado) e absolutamente não sou chata!
Imagem: artesromanas.blogspot.com
Este blog foi criado para você, leitor. E só saberei se você está satisfeito se comentar os posts, ou então, pergunte, questione e sugira temas ou modificações.

8 comentários:

CLAUDIA disse...

Amiga querida Atena!
Nossa perfeito seu texto!
Amiga eu fiz várias terapias,por ter somatizado tantas coisas em minha vida,amei,aprendi a me aceitar(porque tem pessoas que nos detonam e n´s aceitamos o que é pior).
Minha terapeuta ria muito comigo,pois eu era hiper agitada,e uma vez ela me fez uma pergunta:
O que você gostaria de fazer com tudo isso que está acontecendo:
Eu do jeito que era não tinha papa na língua respondi rapidamente:
Mandar tomar no centro da cidade!
Ela se escancarou de rir,e falou Claudia você esta um passo de muitas mudanças,e comecei a me mexer,parar com os dramas,aceitar meu lugar no mundo,erguer a cabeça,me espiritualizei,e pronto.
A última vez que voltei no consultório dela, ela me abraçou e disse:
Claudinha tenha muito orgulho de você,pois eu como terapeuta tenho pacientes que fazem terapia comigo a 10 anos e não consegue se refazer,se reconstruir e você conseguiu.
Chorei muito amiga!
Ela me ajudou muito,e eu contribui com o trabalho dela e estou aqui.
Inteiraça!
Pronta para viver sempre o melhor e sem sofrimentos e dramas mexicanos,kkkk!
Parabéns amiga,nossa acabei de fazer uma terapia contigo,adorei.
Bjos em seu coração com cheirinho de Jasmin.

Atena disse...

Cacau:
Que maravilha que você conseguiu essa vitória. Não é bom depois que a gente se "refaz"? rsrs
Parabéns a você também.
Obrigada pela visita e trocentos beijos pra você

Cidadâo Araçatuba disse...

O duro é essa tal "conscientização" não é? É tão mais fácil culpar a vida, a sorte, os outros pelos nossos problemas, nossas falhas, nossas imperfeições! Ó tô chegando lá!
Muito obrigado pela visitinha e pelo comentário!

PS: Ela é uma graça,sabe daquelas vózinhas? Daquelas bem mãezonas? Essa é a Dna Zoraide!

Luciana disse...

me lembro da primeira vez que me deparei com a ideia de que nós criamos todas as circuntancias das nossas vidas.

Imediatamente pensei: é então sou uma pessima criadora. srsrsrs

Mas no meu caminho estou percebendo que não é que eu fosse péssima criadora. é que eu mesma não tinha consciência dos meus sentimentos, das minhas crenças.

Quando conseguia vê-los eu percebi que minha vida estava totalmente de acordo com minhas crenças inconscientes. Então é minha tarefa é essa questionar e mudar crenças.

Atena disse...

Olá Cidadão Araçatuba:
Realmente, conscientização é um processo demorado e difícil porque é mais fácil fazer o que você disse no comentário. É da natureza humana um pouco de preguiça. rsrs
abração

Atena disse...

Florzinha:
Com certeza devemos questionar e mudar nossas crenças se quisermos ter uma vida melhor e mais fácil. É uma tarefa que não acaba nunca, pois sempre a gente encontra uma que ainda não se tinha percebido. Elas são uma praga mesmo. rsrs
Contudo você já está no caminho certo.
beijos

Douglas Flores disse...

Caaaraca, muito bom teu blog e engraçado em algumas partes! Tô te seguindo já, se puder visite e siga o meu, será bem vindo: www.odeuscontemporaneo.blogspot.com

Atena disse...

Douglas:
Já fui lá no seu blog. Fiquei agradavelmente surpresa.
Estou prestigiando-o.
abraços