"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Uso da neurociência para vender mais

neuromarketing

Já postei aqui no blog sobre quando começou a manipulação das massas. . Há pouco tempo, visitando o site Academia.edu, descobri que a situação hoje é mais grave, pois já estão usando a neurociência para marketear e assim manipular mais o inocente consumidor.

O termo neuromarketing apareceu por volta de 2002, contudo estudos têm sido publicados somente nos últimos cinco anos.

“Por décadas, métodos de pesquisa de marketing têm por objetivo explicar e predizer a eficácia das campanhas de publicidade. Na maior parte, no entanto, técnicas convencionais falharam miseravelmente. Uma vez que as emoções são fortes mediadoras de como os consumidores processam mensagens, compreendem e modelam respostas cognitivas para mensagens de vendas (sellingmessages), este , sempre foi um desafio metodológico.

Por exemplo, os pesquisadores sempre dependeram principalmente das habilidades dos consumidores para relatar como se sentem sobre uma parte específica da publicidade, seja em uma configuração “entrevista confidencial tipo cara a cara” (face-to face), numa pesquisa ou em uma configuração de grupo como um “grupo de foco” (focus group). Infelizmente, esses métodos têm consideráveis limitações. Primeiro, eles assumem que as pessoas são efetivamente capazes para descrever seus próprios processos cognitivos, que nós sabemos, têm muitos componentes subconscientes. Em segundo lugar, inúmeros fatores motivam os participantes da pesquisa a falsear o relato de seus sentimentos, incluindo incentivos, restrições temporais ou pressão de seus pares.

Neste contexto desafiador, o surgimento de técnicas de neuroimagem ofereceu alternativas metodológicas emocionantes. Tais técnicas permitem finalmente os comerciantes sondarem o cérebro dos consumidores para obter valiosas percepções sobre os processos subconscientes, explicando por que uma mensagem eventualmente é bem-sucedida ou falha. Eles fazem isso removendo o maior problema que enfrentam na pesquisa de propaganda convencional, que é confiar que as pessoas têm a vontade e a capacidade para relatar como elas são afetadas por uma parte específica da publicidade.

Existem muitas maneiras de medir respostas fisiológicas à propaganda, mas existem apenas três métodos não-invasivos bem estabelecidos para medição e mapeamento de atividade cerebral:

EEG – Eletroencefalografia

MEG – Magnetoencefalografia

MRI – Imagem por ressonância magnética

Usando tais exames os publicitários podem descobrir se há alguma parte do comercial que os espectadores não estão prestando atenção e mudá-la de acordo com seus objetivos.

Durante algum tempo não foram muitos os marqueteiros que se interessaram por neuromarketing, principalmente por medo da reclamação do público “contra possíveis questões éticas e de privacidade introduzidas pelo uso de tecnologia de neuroimagem para fins comerciais”, mas de uns tempos para cá mais especialistas em neuro marketing estão aparecendo e atuando.

Portanto, caro leitor, comece a ter consciência de como as propagandas e a publicidade o afetam a fim de não ser tão manipulado, incluindo as propagandas políticas, pois parece que o neuromarketing já foi utilizado nas eleições de 2010 em nosso país.

Fonte: https://www.academia.edu/969189/Neuromarketing_The_New_Science_of_Consumer_Behavior

Imagem: skeptikai.com

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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Lei da Atração funciona ou ...

lei da atração

Com o advento da chamada “Nova Era” surgiu uma nova onda também, a tal de “Lei da Atração”. Muitos ganharam rios de dinheiro escrevendo livros, vendendo vídeos e dando palestras. Para esses, com certeza, a tal lei funcionou. rsrs

Agora, vamos examinar a coisa com cuidado, será que é bem como esses gurus dizem que é? Pensamentos criam a realidade?

Esses gurus nunca definem exatamente a extensão e o grau a que pensamentos criam realidade, assim uma pessoa não entendida no assunto pode concluir que os pensamentos têm uma capacidade ilimitada para criar e manifestar a nossa realidade física, o que, convenhamos, é uma falácia.

O pessoal da Nova Era baseou-se em descobertas da Física Quântica (o simples ato de observar partículas subatômicas afeta seu comportamento) para criar sua teoria. Sim, isso acontece e há quem diga que a realidade que experienciamos é um constructo. Sou inclinada a concordar com tal proposição porque nesse caso são bilhões de pessoas pensando, vendo ou percebendo da mesma maneira. Agora, uma só pessoa mentalizando que tal ou qual coisa vai acontecer já é uma outra estória.

Vou dar dois exemplos de quando a realidade é modificada de forma aparentemente ilógica.

Em 1928, William Isaac Thomas, sociólogo, formulou um teorema que ficou conhecido como o Teorema de Thomas e que diz o seguinte: “Se as pessoas definem certas situações como reais, elas são reais em suas conseqüências.” Um exemplo usual do teorema seria: se muitas pessoas seguem o falso rumor de que seu banco está "quebrando" e todos eles vão retirar seu dinheiro, o banco vai realmente .quebrar.

Esse teorema funciona bastante na política e nas finanças. O mercado de ações é o melhor exemplo, aliás, ele vive dos boatos. Contudo precisamos notar que no caso desse teorema a realidade é modificada por ações e não por pensamentos.

A profecia autorrealizável diz que, quanto mais as pessoas acreditam em uma coisa, mais elas podem influenciar no seu acontecimento. O sociólogo Robert K. Merton define em seu livro Social Theory and Social Structure: "A profecia autorrealizável é, no início, uma definição falsa da situação, que suscita um novo comportamento e assim faz com que a concepção originalmente falsa se torne verdadeira".

Quando as pessoas esperam ou acreditam que algo acontecerá, agem como se a profecia ou previsão já fosse real e assim a previsão acaba por se realizar.

A profecia autorrealizável pode ser emitida por várias pessoas ou por uma só. Neste segundo caso aproxima-se francamente da Lei da Atração. Vejamos um exemplo para melhor compreensão:

“Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte descobriram que idosos que acreditam que as pessoas mais velhas devem se sair pior nos testes de memória de fato têm notas nestes testes muito abaixo daquelas de idosos que não aderem a esses estereótipos negativos sobre o envelhecimento e a perda de memória.” (http://www.educacaofisica.com.br/index.php/voce-ef/98-saude-bem-estar/4835 )

Ou seja, a profecia autorrealizável nada mais é do que um condicionamento (consciente ou inconsciente). Se usarmos a Lei da Atração desta maneira é bem possível que ela funcione, já para acertar na loto ... rsrs

Somos seres condicionáveis, isto é um fato, portanto podemos sim moldar nossa realidade em certos aspectos. Se você acreditar que pode passar no vestibular, fizer disso um condicionamento e estudar bastante, é claro, com certeza alcançará seu objetivo.

Isso vale para outros aspectos de sua vida, agir como se já tivesse alcançado o que se propõe certamente o levará ao que almeja.

Agora, crer que pensamentos têm o poder de controlar objetos e eventos externos, como o pessoal da Nova Era diz é baboseira. Experimente dedicar todo o seu tempo livre para se imaginar ganhando na loto ... vai envelhecer esperando ganhar. rsrs

O mestre Saint Germain diz que a mente não pode criar a realidade (e ainda bem porque senão o mundo seria um caos) somente a paixão o faz.

Imagem: dicasterapeuticas.blogspot.com

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quando começou a manipulação das massas

century-of-the-self

Na última postagem expressei a opinião de que não vivemos (países ditos democráticos) uma real democracia. No post de hoje apresento em sequência um assunto que está intimamente relacionado com o que afirmei anteriormente.

Como comigo a sincronia funciona mesmo, vi na internet uma referência a um documentário que chamou-me a atenção e após assisti-lo todo (4 horas de duração ) passo a resumir aqui.

The Century of Self (o século do ego) é um premiado documentário britânico de Adam Curtis. Ele se concentra em como a obra de Sigmund Freud, Anna Freud e Edward Bernays influenciou a forma como os governos e as corporações têm analisado, tratado e controlado o povo na era da democracia de massa.

O Século do Ego faz perguntas profundas sobre as raízes e os métodos do consumismo moderno, democracia representativa, marketing e suas implicações. Ele também questiona a maneira moderna de vermos a nós mesmos, as atitudes em relação à moda e à  superficialidade.

Edward Bernays (sobrinho de Freud), considerado pela revista Life Magazine como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX e considerado o pai da ciência chamada Relações Públicas, foi a primeia pessoa (após 1ª Grande Guerra) a usar as ideias de Freud sobre a mente para manipular as massas.

Com base nas ideias de seu tio, ele ensinou aos empresários americanos como podiam fazer com que as pessoas desejassem coisas das quais não necessitavam. Estava nascendo a ideia política de “como contolar as massas”: satisfazendo os desejos inconscientes das pessoas para torná-las felizes e dóceis. Era o pontapé inicial da era do consumismo.

Logo de início Bernays já demonstrou ser um baita marqueteiro pois criou o termo Relações Públicas substituindo a palavra propaganda já que esta estava mal vista por causa de seu uso pelos alemães.

A certa altura se perguntou se poderia ganhar dinheiro manipulando o inconsciente das pessoas e como assessor de um grande industrial do fumo lançou-se à sua primeira tarefa: convencer as mulheres a fumar em público (um tabu na sociedade da época). Convencido de que o cigarro é um símbolo fálico com idéias de poder, independência e liberdade embutidos nele, percebeu que poderia fazer com que o cigarro fosse adotado pelas mulheres como um desafio ao poder masculino. Com uma certeira e espalhafatosa jogada de marketing o conseguiu, aumentando incrivelmente as vendas de cigarro para o seu contratante.

Até então a publicidade se focava nas necessidades do povo e era dirigida ao seu lado racional. Bernays iria mudar essa ótica, pois já que seu tio tinha dito que o homem é controlado por impulsos irracionais, ele percebeu que poderia influenciar as pessoas apelando para o seu lado inconsciente e desenvolveu técnicas de persuasão a partir desses impulsos. É o que vemos acontecer até os dias atuais na publicidade e propaganda.

Além dos grandes empresários, Bernays sempre esteve muito ligado aos governos dos EUA. Em 1917 foi contratado pelo então presidente Woodrow Wilson para criar uma campanha para influenciar os americanos a apoiar a entrada de seu país na primeira guerra mundial. Em seis meses um imenso repúdio ao povo alemão estava instalado na América.

Em 1930, um banqueiro da Lehman Brothers, considerando que seu banco estava faturando pouco, decidiu: nós precisamos mudar a cultura americana da necessidade para o desejo, as pessoas têm de ser treinadas para desejar novas coisas. O encarregado de mudar tal mentalidade foi Bernays. Este, então, criou uma campanha para convencer as pessoas a pegar empréstimos para comprar ações (o que mais tarde teria suas consequências no crash da bolsa de 29).

Em 1929 Hoover é eleito e diz para seus assessores em RP (Bernays já havia feito vários discípulos) que deveriam transformar as pessoas em “máquinas de felicidade em constante movimento” ou “máquinas-chave para o progressso econômico”. Estava sendo criada uma nova maneira de como dirigir a democracia de massas, sua chave era o consumismo per si.

As ideias de Matthew Lipman (filósofo americano influente na época) e Bernays contaminaram a democracia e a transformaram num paliativo – “se continuar-se a estimular o lado irracional dos humanos, a elite pode continuar fazendo o que quiser” (as massas não têm capacidade racional para governar-se, pois são comandadas por impulspos primitivos).

A ideia de democracia para Bernays era manter as relações de poder metendo-se na vida psicológica das pessoas quando isso fosse necessário. Incutiu no povo a crença de que não poderia haver democracia sem o capitalismo - “a democracia se reduz de uma cidadania ativa para um consumidor passivo”.

As barbáries nazistas constatadas durante a Segunda Grande Guerra levaram os governantes americanos a voltar à ideia de que as massas são controladas por inconscientes perigosas forças destruidoras. O governo americano, grandes corporações e a CIA uniram-se para desenvolver técnicas que controlassem a mente do povo americano porque temiam que o lado humano irracional poderia tomar conta do povo e repetir o comportamento dos alemães durante a guerra.

Gigantesco experimento social para controlar a vida mental interior do povo americano foi criado, o programa “Saúde Mental da Nação” (lei aprovada pelo presidente Truman em 1946).

Centenas de psicanalistas foram treinados para aplicar as ideias de Anna Freud. Ela acreditava que era possível ensinar às pessoas como controlar as irracionais forças internas. Havia realizado a terapia de algumas crianças e considerou que seu método era válido (há que ensinar às crianças a ajustar-se às regras da sociedade), o que foi desmistificado posteriormente, mas, infelizmente, anos mais tarde.

No final da década de 1950 a CIA investiu milhões de dólares nos departamentos de psicologia das universidades americanas,financiando secretamente experimentos para controlar as forças internas das pessoas. Destacou-se nesta época Ewen Cameron que, como outros tantos psicanalistas, acreditava que dentro do ser humano residiam forças que ameaçavam a sociedade. Acreditava também que era possível eliminar da memória dos indivíduos tudo aquilo, que no seu critério, não era positivo à sociedade. Com este objetivo submeteu seus pacientes a doses maciças de eletrochoques, consumo de LSD e outras drogas procurando apagar a memória deles e posteriormente incluir nessa “tabula rasa” novos conteúdos, novos comportamentos. O resultado de suas experiências foi um completo desastre, pois deu origem a uma dezena de pessoas desmemoriadas de sua vida prévia e somente com a habilidade de repetir frases como: “estou contente comigo mesmo”.

Outros experimentos financiados pela CIA também resultaram num fracasso. Os estudiosos envolvidos finalmente começaram a se dar conta do quão difícil era comprender e controlar os mecanismos da mente humana.

Em 1978 um grupo de economistas e psicólogos da Stanford Research University decidiram encontrar uma maneira de ler, medir e cumprir os desejos dos novos imprevisíveis consumidores (os que queriam a autoexpressão). Foi criado então o “marketing por estilo de vida”.

Novos instrumentos de pesquisa psicológica do consumidor foram criados (os chamados grupos de discussão – focus groups) para explorar os sentimentos dos grupos divididos pelo “estilo de vida”. Posteriormente as empresas passam a fabricar produtos que permitam aos componentes desses grupos expressar o que consideram sua individualidade. A geração que uma vez já tinha se revoltado contra o consumismo, agora se rende ao mesmo porque o ajuda a ser a si mesmo (filosofia do eu centrado em si próprio).

Resumindo, no documentário é constatado que para criar-se uma sociedade estável é preciso reconhecer que o cidadão comum compensa suas frustrações gastando em auto-gratificações (consumo de produtos).

Dois exemplos da influência de Bernays:

- Achava que em vez de tentar dinminuir o medo das pessoas em relação ao comunismo este devia ser induzido e incentivado porque, desencadeando medos irracionais, faria americanos leais ao Estado e ao capitalismo de maneira a tornar-se uma arma na “guerra fria”.

- Seu papel no golpe de Estado da Guatemala em 1953, que culminou com a derrubada do presidente Jacobo Arbenz, eleito com a promessa de promover a reforma agrária em terras da United Fruit Company. Por meio dos jornais, Bernays foi capaz de aumentar o apoio da população ao golpe e à invasão do exército norteamericano, porém não pôde evitar a guerra civil que durou 36 anos e resultou em mais de um milhão de guatemaltecos mortos. (http://www.ip.usp.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1927:v3n1a09-a-engenharia-do-consentimento&catid=340&Itemid=91)

Bernays nunca realmente acreditou que a democracia podia funcionar.

O restante do documentário ainda mostra as influências das ideias freudianas em outros eventos, tanto nos USA como na Europa desde a época da Primeira Guerra Mundial, mostrando magistralmente como tem funcionado a manipulação das massas seja pelos políticos ou pelas empresas visando o consumo.

E então? Continuaremos sendo massa de manobra? Até quando?

Há que expandir a consciência para que a manipulação acabe!

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=HjzMHt2s4cI&feature=fvwrel

Imagem: eakd.wordpress.com

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