"No Egito as bibliotecas eram chamadas Tesouro dos remédios da alma. De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.”

(Jacques Bossuet).

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terça-feira, 27 de julho de 2010

Sua Sombra

sombra
Temos muito medo daquela parte nossa que Jung chamou de “a sombra”, a parte que também contém todos os nossos sentimentos vistos como negativos: raiva, ganância, egoísmo, orgulho, fraqueza, desdém, inveja, etc. Mas, vejam bem, se esses atributos fazem parte de nós, não adianta negá-los, eles não vão desaparecer por isso, de alguma forma irão se manifestar, se não for na nossa interação com as pessoas ("puxa vida, eu jurei que iria me controlar, mas acabei gritando e fazendo o maior escândalo..."), será no nosso corpo físico ocasionando as dores e/ou doenças.
Tudo aquilo ao qual nós resistimos - persiste!
Na tentativa de ignorar nosso lado negativo, utilizamo-nos de mecanismos de defesa que acabam por construir uma legítima máscara. Assim, por ex., o homem inseguro de sua masculinidade ou desempenho sexual irá comportar-se como o “garanhão da noite”, medindo sua capacidade pela quantidade (sempre grande) de conquistas por uma noite; tem também os casos de mulheres em posição de chefia que são os próprios “generais em comando”, na tentativa de esconder sua insegurança profissional, bem como sua inadequação para o cargo (porque ela cresceu numa sociedade machista que sempre priorizou os homens para cargos de direção).
Nós só poderemos nos amar realmente quando aceitarmos todas as nossas facetas. É difícil aceitarmos nossos defeitos? Claro que é! Todos nós queremos ser bonzinhos , afinal de contas, é isso que esperam de nós. "Mas que coisa... eu não consigo ser bonzinho o tempo todo!... "
Ahá! Eis o problema!
Já que não conseguimos manter sempre a imagem idealizada que tanto gostaríamos, o que faz com que, inúmeras vezes, nos detestemos, vamos tratar de descobrir quem realmente somos e com persistência e CARINHO ir aos poucos integrando e aceitando essas partes que não gostamos, pois com isso elas tenderão a desaparecer, pelo menos algumas, e as que permanecerem não mais causarão culpa, revolta ou negação.
Já é bem conhecida a sentença que diz: “somos três pessoas diferentes, a 1ª como nos vemos, a 2ª como os outros nos vêm e a 3ª como realmente somos”. O difícil é mudar a ótica de “como nos vemos”. As pessoas que desde cedo criaram o hábito de se analisar têm mais facilidade de mudá-la, entretanto as outras (que acham que se conhecem, mas nunca entraram para dentro de si mesmas) apresentam uma resistência enorme em mudar a visão que têm de si mesmas.
Você pode começar pela observação das pessoas que o rodeiam: familiares, amigos, colegas de estudo ou trabalho. Existe algum tipo de pessoa que, "vira e mexe", está aparecendo na sua vida? O tipo egocêntrico, o mandão, o lamuriento, o intrometido, o ganancioso, o trapaceiro, etc.? Faça essa análise em relação a várias pessoas. Pode , inclusive, ser uma pessoa pública que você não gosta. Faça uma lista de atributos para cada uma. Haverá alguns que você não aprecia, mas que não o incomodam realmente, outros, no entanto, mexem com você, o deixam indignado. Aí está o espelho! São esses que fazem parte de sua sombra e que você nega ou reprime. Essas pessoas estão aparecendo na sua vida para que você se conscientize desses atributos, os integre e aceite.

Vá fundo, não tenha medo do que poderá descobrir a seu respeito, afinal de contas, se você não divulgar, ninguém vai ficar sabendo...
De início pode doer, você ficar deprimido, desapontado consigo mesmo, mas com a continuidade vai ficando cada vez mais fácil, pois a cada faceta negativa aceita, você ficará mais forte e menos crítico consigo.
Analise também as situações que se apresentam na sua vida. Aquelas que se repetem estão tentando mostrar a você alguma coisa... Preste atenção!
O triste nisso tudo é que a sombra é nossa real essência e como tal também armazena as nossas características divinas: amor, criatividade, curiosidade, compaixão, honestidade e principalmente o nosso poder. Sim, o poder de seres divinos que somos.
Por último, gostaria de deixar bem claro que nós não nos amamos (realmente) porque fomos criados e educados numa sociedade que enfatiza o erro e a culpa. Não existe erro. Todas as experiências que vivenciamos é um aprendizado, portanto não temos que sentir culpa nenhuma. Eliminando a culpa, aceitando nossas facetas negativas como parte deste aprendizado na terceira dimensão acabaremos por, finalmente, nos amarmos incondicionalmente.
Verdades a Respeito da Sombra
- Nasceu junto conosco para proteger todo o material interno com o qual nós somos incapazes de lidar ou aceitar. Na infância: as humilhações. Na adolescência: as paixões, os desejos, o fluxo de energia incontrolável.
- É a inimiga do ego negativo, pois ela pode destruí-lo ou dominá-lo.
- O ego negativo diz: "Não seja autêntico, seja aceitável". "Não se exceda, seja normal". "Não faça nada novo ou diferente".
- A Sombra diz: "Olhe para dentro, vá fundo. Isto é o que você tem que encarar para ser autêntico". "É através de mim que você chega à mudança, à transformação para um ser pleno e livre".
- Seu ego negativo mente sempre. Quando você está para fazer uma bobagem, o ego diz: "Vai em frente, é isso mesmo!"
Quando você fez algo altamente elogiável, ele diz: "Você está sendo presunçoso, metido. Tem que ter humildade". Ou: "Ah, é, hoje você acertou. E das outras vezes? Foi um desastre! O acerto de hoje foi por acaso!"
- Temos de subordinar a sombra e não contê-la, ou seja, utilizar e dirigir as energias que ela conserva para nós (a energia da raiva, por exemplo).
- Fazer as pazes com a sombra não vai fazê-la desaparecer. Ela é uma parte nossa. Vai, sim, trazê-la para mais perto, ser conscientizada, portanto mais fácil de controlar.
Aceitar a sombra vai fazer com que aceitemos nossa totalidade, com isso gerando auto-estima.
Negar a Sombra é como jogar o lixo para debaixo do tapete, ele vai continuar lá.

O lado luminoso da Sombra
- O poder que fingimos não possuir.
- O amor, a intimidade, a honestidade, o caráter, a moralidade, a espiritualidade.
- A força que nos embaraça e faz termos medo de parecer arrogantes.
- Todo o "feminino" que foi negado.
- Todo o ”masculino" que foi castrado.
Ser íntegro é ser inteiro, é aceitar-se totalmente, descobrindo nos "não acertos" a oportunidade de crescimento.

domingo, 20 de junho de 2010

O tripé da tragédia humana: culpa

culpa

Chegamos ao último elemento do tripé: a culpa.

A culpa é um legado trágico das religiões.

O ser humano sempre teve contato com o Espírito (o Criador), pois nós somos parte Dele. Contudo quando se estabeleceu a primeira religião sobre a face da terra, devido ao fato da comunicação com o divino não ser cem por cento acurada, o dito cujo, futuro sacerdote ou sacerdotisa, não entendeu direito ou distorceu por conta própria o que recebia da Fonte e partiu para o estabelecimento de regras. Não sei quantas regras ou “mandamentos” havia nessa primeira religião fundada, mas com certeza as havia, sim, pois nossa história registrada o mostra desde o princípio. Essa criatura, sacerdote ou sacerdotisa, inventou que a divindade gostava disso, mas não gostava daquilo, aprovava isso, mas não aprovava aquilo e assim por diante. Aff...

De lá pra cá as regras foram aumentando e ao chegar o advento da religião judaico-cristã, com os 10 mandamentos e suas estórias de punição e ira de Deus a coisa saiu do controle.

Como se não bastasse a fúria punitiva já contida no Velho Testamento, a religião católica aumentou-a mais ainda e chegamos à Idade Média onde a Inquisição deitou e rolou. Vem depois a fúria dos protestantes, depois a das demais religiões ditas evangélicas (é de chorar o que se lê no livro Hawaii de James Michener: o que fizerem com os nativos para impor sua evangelização).

Bom, e assim chegamos aos dias de hoje onde a maior parte da população terráquea vive cheia de culpas, oriundas de suas crenças invalidantes e que contribuem enormemente com a baixa auto-estima.

Constatei na prática clínica que o pior de tudo é que as pessoas se vêm num círculo vicioso sem saída: se sentem culpadas porque fizeram algo “errado” e sabem que vão “errar” de novo porque não conseguem evitá-lo e que sentirão mais culpa ainda. Ufa! Ou seja, estão sendo simplesmente humanas, mas não conseguem aceitar isso porque está muito entranhado em seu DNA que: ERRAR É ERRADO! Durma-se com um barulho desses.

As pessoas conectam intrinsecamente culpa com erro. Não se dão conta de que é o modo como percebemos o erro que gera a culpa.

Errar não está errado, errar é uma forma de termos uma chance de aprender algo, experienciar algo que pode vislumbrar a oportunidade de mudança.

O ser humano está aqui na Terra para criar e experienciar. Mas este é um papo para futuro post.

Muitos dirão que não fazem parte deste bloco: o dos culpados. Então digo que dêem uma olhada com mais cuidado nas suas doenças. Somatização é uma forma bem comum de mascarar a culpa.

Coloco aqui trechos de um texto muito bom sobre culpa. Infelizmente não sei a origem para passar a vocês.

“Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústias, está um sentimento, o mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o sentimento de culpa. O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por alguém não ter sido como deveria ter sido, é uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveria ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: "Não deveria...".

A culpa é a frustração pela distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido. Nela consiste a base para a auto-tortura. Na culpa, dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim, e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra. Dentro de nós processa-se um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é o juiz e o Eu real, concreto, humano, é o réu. O Eu ideal sempre faz exigências impossíveis e perfeccionistas. Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo, estamos absolutamente sem saída. Como o pensamento nos exige algo impossível, nunca o nosso Eu real poderá atendê-lo. Este é um ponto fundamental.

... Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de culpa. A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é a tristeza por não sermos Deus, por não sermos infalíveis; é um profundo sentimento de orgulho e onipotência; é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição; é um desejo frustrado; é o contato direto com a realidade humana, em contraste com as suas intenções perfeccionistas, com os seus pensamentos megalomaníacos a respeito de si mesmo. E o mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude!” (Culpa, a busca da perfeição - Antônio Roberto Soares)

Pessoal, comigo foram anos de terapia para acabar com as minhas culpas, mas valeu cada centavo e cada minuto empregado. E vocês? Vão para o túmulo com as suas? Pensem nisso.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O tripé da tragédia humana: ignorância, medo e culpa

Sobre esta base está construída a epopéia humana e que dá origem a outro tripé: violência ou morte, sexo e poder. Mas este é para futuros posts.
Então vamos por partes, como diria Jack O Estripador.
Hoje vamos falar sobre a ignorância, mas não no sentido pejorativo e sim com o sentido etimológico: falta ou privação do conhecimento.
A cada encarnação no planeta ignoramos quem somos e de onde viemos porque não lembramos de nossas outras vidas e nem do que experienciamos nas outras realidades não físicas devido ao véu que as bloqueiam.
Portanto ignoramos nossa história total e ignoramos a respeito da Fonte que nos criou.
Conforme vamos crescendo, vamos aprendendo a interagir com o meio ambiente, mas em muitos há uma constante insatisfação, um certo vazio que tentamos preencher de diversas formas: excesso de trabalho ou de diversão, álcool, drogas, relacionamentos amorosos, etc. Alguns poucos têm mais sucesso nesse preenchimento, aqueles cujo trabalho é criativo ou que se dedicam a qualquer forma de arte. Ou seja, aqueles que exercem a nossa função básica que é criar.
Já na adolescência ou como adultos a maior parte da humanidade simplesmente sobrevive – não vive! Não se expande. Não cria.
Como ignoramos que somos todos parte de um Todo maior, alguns matam ou prejudicam de alguma forma os seus semelhantes.
Se a maioria da população não fosse ignorante, nós aqui no Brasil, por exemplo, não teríamos tantas leis. Elas são criadas não porque é um país de malandros ou de corruptos, mas sim porque ignoramos de onde viemos e o que somos. Aí o que acontece? Abdicamos de nossa liberdade pessoal e entregamos ao Governo o comando de nossas vidas.
À medida que o ser humano for expandindo a sua consciência não haverá necessidade de tantas leis e regras porque o conhecimento de nossa origem, da magnificência do Universo e da grandiosidade de cada ser fará com que os humanos deixem de matar, roubar, torturar, trair, enganar, etc.
Como ignoramos que essa vida é apenas uma passagem, que algo muito maior existe para nós, a maioria leva seus dias batalhando furiosamente pelo pão de cada dia, não tendo sequer a noção de que podemos manifestar algo material do qual necessitamos (Sai Baba faz isso).
Enfim, a maioria ignora que enquanto bate boca com o vizinho por uma picuinha, nesse exato momento um planeta ou estrela está sendo criado por um ser exatamente igual a nós, apenas não estando em corpo físico, e que pode perfeitamente ser uma outra parte nossa, já que somos todos multidimensionais.