terça-feira, 27 de julho de 2010
Sua Sombra
Tudo aquilo ao qual nós resistimos - persiste!
Na tentativa de ignorar nosso lado negativo, utilizamo-nos de mecanismos de defesa que acabam por construir uma legítima máscara. Assim, por ex., o homem inseguro de sua masculinidade ou desempenho sexual irá comportar-se como o “garanhão da noite”, medindo sua capacidade pela quantidade (sempre grande) de conquistas por uma noite; tem também os casos de mulheres em posição de chefia que são os próprios “generais em comando”, na tentativa de esconder sua insegurança profissional, bem como sua inadequação para o cargo (porque ela cresceu numa sociedade machista que sempre priorizou os homens para cargos de direção).
Nós só poderemos nos amar realmente quando aceitarmos todas as nossas facetas. É difícil aceitarmos nossos defeitos? Claro que é! Todos nós queremos ser bonzinhos , afinal de contas, é isso que esperam de nós. "Mas que coisa... eu não consigo ser bonzinho o tempo todo!... "
Ahá! Eis o problema!
Já que não conseguimos manter sempre a imagem idealizada que tanto gostaríamos, o que faz com que, inúmeras vezes, nos detestemos, vamos tratar de descobrir quem realmente somos e com persistência e CARINHO ir aos poucos integrando e aceitando essas partes que não gostamos, pois com isso elas tenderão a desaparecer, pelo menos algumas, e as que permanecerem não mais causarão culpa, revolta ou negação.
Já é bem conhecida a sentença que diz: “somos três pessoas diferentes, a 1ª como nos vemos, a 2ª como os outros nos vêm e a 3ª como realmente somos”. O difícil é mudar a ótica de “como nos vemos”. As pessoas que desde cedo criaram o hábito de se analisar têm mais facilidade de mudá-la, entretanto as outras (que acham que se conhecem, mas nunca entraram para dentro de si mesmas) apresentam uma resistência enorme em mudar a visão que têm de si mesmas.
Você pode começar pela observação das pessoas que o rodeiam: familiares, amigos, colegas de estudo ou trabalho. Existe algum tipo de pessoa que, "vira e mexe", está aparecendo na sua vida? O tipo egocêntrico, o mandão, o lamuriento, o intrometido, o ganancioso, o trapaceiro, etc.? Faça essa análise em relação a várias pessoas. Pode , inclusive, ser uma pessoa pública que você não gosta. Faça uma lista de atributos para cada uma. Haverá alguns que você não aprecia, mas que não o incomodam realmente, outros, no entanto, mexem com você, o deixam indignado. Aí está o espelho! São esses que fazem parte de sua sombra e que você nega ou reprime. Essas pessoas estão aparecendo na sua vida para que você se conscientize desses atributos, os integre e aceite.
Vá fundo, não tenha medo do que poderá descobrir a seu respeito, afinal de contas, se você não divulgar, ninguém vai ficar sabendo...
De início pode doer, você ficar deprimido, desapontado consigo mesmo, mas com a continuidade vai ficando cada vez mais fácil, pois a cada faceta negativa aceita, você ficará mais forte e menos crítico consigo.
Analise também as situações que se apresentam na sua vida. Aquelas que se repetem estão tentando mostrar a você alguma coisa... Preste atenção!
O triste nisso tudo é que a sombra é nossa real essência e como tal também armazena as nossas características divinas: amor, criatividade, curiosidade, compaixão, honestidade e principalmente o nosso poder. Sim, o poder de seres divinos que somos.
Por último, gostaria de deixar bem claro que nós não nos amamos (realmente) porque fomos criados e educados numa sociedade que enfatiza o erro e a culpa. Não existe erro. Todas as experiências que vivenciamos é um aprendizado, portanto não temos que sentir culpa nenhuma. Eliminando a culpa, aceitando nossas facetas negativas como parte deste aprendizado na terceira dimensão acabaremos por, finalmente, nos amarmos incondicionalmente.
Verdades a Respeito da Sombra
- Nasceu junto conosco para proteger todo o material interno com o qual nós somos incapazes de lidar ou aceitar. Na infância: as humilhações. Na adolescência: as paixões, os desejos, o fluxo de energia incontrolável.
- É a inimiga do ego negativo, pois ela pode destruí-lo ou dominá-lo.
- O ego negativo diz: "Não seja autêntico, seja aceitável". "Não se exceda, seja normal". "Não faça nada novo ou diferente".
- A Sombra diz: "Olhe para dentro, vá fundo. Isto é o que você tem que encarar para ser autêntico". "É através de mim que você chega à mudança, à transformação para um ser pleno e livre".
- Seu ego negativo mente sempre. Quando você está para fazer uma bobagem, o ego diz: "Vai em frente, é isso mesmo!"
Quando você fez algo altamente elogiável, ele diz: "Você está sendo presunçoso, metido. Tem que ter humildade". Ou: "Ah, é, hoje você acertou. E das outras vezes? Foi um desastre! O acerto de hoje foi por acaso!"
- Temos de subordinar a sombra e não contê-la, ou seja, utilizar e dirigir as energias que ela conserva para nós (a energia da raiva, por exemplo).
- Fazer as pazes com a sombra não vai fazê-la desaparecer. Ela é uma parte nossa. Vai, sim, trazê-la para mais perto, ser conscientizada, portanto mais fácil de controlar.
Aceitar a sombra vai fazer com que aceitemos nossa totalidade, com isso gerando auto-estima.
Negar a Sombra é como jogar o lixo para debaixo do tapete, ele vai continuar lá.
O lado luminoso da Sombra
- O poder que fingimos não possuir.
- O amor, a intimidade, a honestidade, o caráter, a moralidade, a espiritualidade.
- A força que nos embaraça e faz termos medo de parecer arrogantes.
- Todo o "feminino" que foi negado.
- Todo o ”masculino" que foi castrado.
Ser íntegro é ser inteiro, é aceitar-se totalmente, descobrindo nos "não acertos" a oportunidade de crescimento.
domingo, 20 de junho de 2010
O tripé da tragédia humana: culpa
Chegamos ao último elemento do tripé: a culpa.
A culpa é um legado trágico das religiões.
O ser humano sempre teve contato com o Espírito (o Criador), pois nós somos parte Dele. Contudo quando se estabeleceu a primeira religião sobre a face da terra, devido ao fato da comunicação com o divino não ser cem por cento acurada, o dito cujo, futuro sacerdote ou sacerdotisa, não entendeu direito ou distorceu por conta própria o que recebia da Fonte e partiu para o estabelecimento de regras. Não sei quantas regras ou “mandamentos” havia nessa primeira religião fundada, mas com certeza as havia, sim, pois nossa história registrada o mostra desde o princípio. Essa criatura, sacerdote ou sacerdotisa, inventou que a divindade gostava disso, mas não gostava daquilo, aprovava isso, mas não aprovava aquilo e assim por diante. Aff...
De lá pra cá as regras foram aumentando e ao chegar o advento da religião judaico-cristã, com os 10 mandamentos e suas estórias de punição e ira de Deus a coisa saiu do controle.
Como se não bastasse a fúria punitiva já contida no Velho Testamento, a religião católica aumentou-a mais ainda e chegamos à Idade Média onde a Inquisição deitou e rolou. Vem depois a fúria dos protestantes, depois a das demais religiões ditas evangélicas (é de chorar o que se lê no livro Hawaii de James Michener: o que fizerem com os nativos para impor sua evangelização).
Bom, e assim chegamos aos dias de hoje onde a maior parte da população terráquea vive cheia de culpas, oriundas de suas crenças invalidantes e que contribuem enormemente com a baixa auto-estima.
Constatei na prática clínica que o pior de tudo é que as pessoas se vêm num círculo vicioso sem saída: se sentem culpadas porque fizeram algo “errado” e sabem que vão “errar” de novo porque não conseguem evitá-lo e que sentirão mais culpa ainda. Ufa! Ou seja, estão sendo simplesmente humanas, mas não conseguem aceitar isso porque está muito entranhado em seu DNA que: ERRAR É ERRADO! Durma-se com um barulho desses.
As pessoas conectam intrinsecamente culpa com erro. Não se dão conta de que é o modo como percebemos o erro que gera a culpa.
Errar não está errado, errar é uma forma de termos uma chance de aprender algo, experienciar algo que pode vislumbrar a oportunidade de mudança.
O ser humano está aqui na Terra para criar e experienciar. Mas este é um papo para futuro post.
Muitos dirão que não fazem parte deste bloco: o dos culpados. Então digo que dêem uma olhada com mais cuidado nas suas doenças. Somatização é uma forma bem comum de mascarar a culpa.
Coloco aqui trechos de um texto muito bom sobre culpa. Infelizmente não sei a origem para passar a vocês.
“Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústias, está um sentimento, o mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o sentimento de culpa. O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por alguém não ter sido como deveria ter sido, é uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveria ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: "Não deveria...".
A culpa é a frustração pela distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido. Nela consiste a base para a auto-tortura. Na culpa, dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim, e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra. Dentro de nós processa-se um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é o juiz e o Eu real, concreto, humano, é o réu. O Eu ideal sempre faz exigências impossíveis e perfeccionistas. Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo, estamos absolutamente sem saída. Como o pensamento nos exige algo impossível, nunca o nosso Eu real poderá atendê-lo. Este é um ponto fundamental.
... Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de culpa. A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é a tristeza por não sermos Deus, por não sermos infalíveis; é um profundo sentimento de orgulho e onipotência; é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição; é um desejo frustrado; é o contato direto com a realidade humana, em contraste com as suas intenções perfeccionistas, com os seus pensamentos megalomaníacos a respeito de si mesmo. E o mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude!” (Culpa, a busca da perfeição - Antônio Roberto Soares)
Pessoal, comigo foram anos de terapia para acabar com as minhas culpas, mas valeu cada centavo e cada minuto empregado. E vocês? Vão para o túmulo com as suas? Pensem nisso.
terça-feira, 8 de junho de 2010
O tripé da tragédia humana: ignorância, medo e culpa
Então vamos por partes, como diria Jack O Estripador.
Hoje vamos falar sobre a ignorância, mas não no sentido pejorativo e sim com o sentido etimológico: falta ou privação do conhecimento.
A cada encarnação no planeta ignoramos quem somos e de onde viemos porque não lembramos de nossas outras vidas e nem do que experienciamos nas outras realidades não físicas devido ao véu que as bloqueiam.
Portanto ignoramos nossa história total e ignoramos a respeito da Fonte que nos criou.
Conforme vamos crescendo, vamos aprendendo a interagir com o meio ambiente, mas em muitos há uma constante insatisfação, um certo vazio que tentamos preencher de diversas formas: excesso de trabalho ou de diversão, álcool, drogas, relacionamentos amorosos, etc. Alguns poucos têm mais sucesso nesse preenchimento, aqueles cujo trabalho é criativo ou que se dedicam a qualquer forma de arte. Ou seja, aqueles que exercem a nossa função básica que é criar.
Já na adolescência ou como adultos a maior parte da humanidade simplesmente sobrevive – não vive! Não se expande. Não cria.
Como ignoramos que somos todos parte de um Todo maior, alguns matam ou prejudicam de alguma forma os seus semelhantes.
Se a maioria da população não fosse ignorante, nós aqui no Brasil, por exemplo, não teríamos tantas leis. Elas são criadas não porque é um país de malandros ou de corruptos, mas sim porque ignoramos de onde viemos e o que somos. Aí o que acontece? Abdicamos de nossa liberdade pessoal e entregamos ao Governo o comando de nossas vidas.
À medida que o ser humano for expandindo a sua consciência não haverá necessidade de tantas leis e regras porque o conhecimento de nossa origem, da magnificência do Universo e da grandiosidade de cada ser fará com que os humanos deixem de matar, roubar, torturar, trair, enganar, etc.
Como ignoramos que essa vida é apenas uma passagem, que algo muito maior existe para nós, a maioria leva seus dias batalhando furiosamente pelo pão de cada dia, não tendo sequer a noção de que podemos manifestar algo material do qual necessitamos (Sai Baba faz isso).
Enfim, a maioria ignora que enquanto bate boca com o vizinho por uma picuinha, nesse exato momento um planeta ou estrela está sendo criado por um ser exatamente igual a nós, apenas não estando em corpo físico, e que pode perfeitamente ser uma outra parte nossa, já que somos todos multidimensionais.





